quarta-feira, 30 de março de 2011

Sucker Punch - Mundo Surreal (Sucker Punch, 2011)




Um dos mais bem capacitados diretores de filmes de ação dos últimos tempos, Zack Snyder conquistou seus fãs com as excelentes adaptações de 300 e Watchmen, e gerou toda uma expectativa com relação ao seu primeiro projeto original. Com Sucker Punch, Zack deixa evidente uma coisa: em seqüências de ação ele é no momento um mestre incomparável, mas na arte de contar estórias e compor o roteiro, deixa muito a desejar.
Sucker Punch conta a história de Babydoll (Emily Browning), uma garota que é injustamente internada em um sanatório pelo padrasto. Agora presa, e a poucos dias de sofrer uma lobotomização, ela encontra um meio de conquistar a liberdade: Deve conseguir quatro itens que lhe permitiriam fugir do local, mas tudo isso passando por várias fases – literalmente – dentro de sua mente, e para isso conta com a ajuda de suas novas amigas: Rocket (Jena Malone), Blondie ( Vanessa Hudgens), Sweet Pea ( Abbie Cornish) e Amber ( Jamie Chung).
O filme que até então é uma incógnita – pois ninguém entendia a idéia de Zack – começa com uma cena dramática e arrebatadora:  A jovem Babydoll se encontra numa mansão gótica, abalada pela morte dos pais, e acaba presenciando o assassinato de sua própria irmã, quando parte para fazer justiça com as próprias mãos, tudo isso sob o som de uma excelente Sweet Dreams – versão cantada pela própria atriz. Seqüência perfeita para prender a atenção do expectador, e criar os laços de amor / ódio com a personagem e o vilão, porém ao término da sessão, você fica se perguntando o que aconteceu, e a até então magnífica abertura, perde toda a sua alma.
Todo e qualquer peso intelectual – se é que Zack tentou passar mesmo essa idéia – se perde ao longo da trama, que mostra um plano de fuga simples e medíocre perpetrado por Babydoll e suas amigas na busca pela liberdade, e uma estranha reviravolta no final que não revira tanta coisa assim. O roteiro é fraquíssimo, e tenta vender a idéia que quatro itens são as chaves para  liberdade – uma vez que são quatro itens relativamente comuns de se encontrar – necessitando de um  momento e um modo certo de obtê-los – o que torna a coisa ainda mais maçante.


Mas com um roteiro tão estranho e simplório, o que faz de Sucker Punch um filme tão comentado, e discutido nos fóruns do momento? Sem dúvida nenhuma, os efeitos visuais. As cenas de ação são alucinantes e ousadas, e estão entre umas das melhores seqüências de ação dos últimos anos. Na mente de Babydoll ela e suas amigas, se tornam guerreiras implacáveis, e em meio a cenários orientais, steampunk, e futuristas, dão um verdadeiro show marcial, se você já se impressionou com as sangrentas batalhas de 300, espere para ver as acrobacias, tiroteios, e as porradas protagonizadas pelas garotas – tudo isso repletos de takes vertiginosos, característicos de Zack.
Bom é esse o resultado do estranho projeto saído da mente de Zack Snyder, uma mistura mal feita de filme de ação, com um filme de drama, no qual mesmo com uma excelente trilha sonora, não consegue passar tanta emoção, e as cenas de ação existem alheias à trama tosca e cheia de pontas soltas.
A idéia que dá é que Zack tentou misturar água e óleo, enquanto poderia muito bem ter trabalhado duro em cima de um filme de ação Sci-Fi / Steampunk que poderia ter entrado para a história. Sucker Punch, não abala a carreira de Zack como diretor, pelo contrário fica evidente que na hora de dar vida a um universo, e imaginar cenas de batalha ele tem um estilo único – não é a toa que fez tanto sucesso adaptando obras já existentes – porém não acertou a mão na hora de criar a sua própria história, e acabou fazendo de Sucker Punch, uma coisa bela, porém desconexa e insípida.

Direção: Zack Snyder
Roteiro:  Zack Snyder, Steve Shibuya
Duração: 109min
Distribuidora: Warner Bros, Legendary Pictures



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