terça-feira, 15 de março de 2011

Os Próprios Deuses (The Gods Themselves, 1972)


Isaac Asimov, autor de mais de 500 obras, pioneiro do termo “robótica”, detentor de três prêmios Hugo e dois Nebula, Asimov é de longe um dos maiores escritores de ficção-científica da história da literatura. O autor de Eu, Robô e O Homem Bicentenário – obras, que fizeram sucesso com suas adaptações para o cinema – entre outras pérolas do Sci-fi, Asimov tem em Os Próprios Deuses uma de suas obras prediletas.
Os Próprios Deuses, conta a história de um físico que “descobre” a existência de um universo paralelo, e através da interação de matéria entre os dois universos, cria uma máquina capaz de gerar energia infinita de graça... realmente sem nenhum preço?
O livro é separado em três partes, e cada qual conta a história sob um ponto de vista diferente. “Contra a Estupidez, os Próprios Deuses lutam em vão!” Citação do filósofo alemão Friedrich Schiller, que Asimov usou para dividir o livro.
Contra a Estupidez... È a primeira parte do livro e conta como Frederick Hallam descobriu um elemento químico inexistente – e impossível de existir – no nosso universo, e dessa forma “encontrou” o outro universo. Tal fenômeno permitiu a Hallam construir a “Bomba de Elétrons” que através da troca de elementos entre os universos gera energia infinita para a Terra. Também conta como o arrogante e prepotente Hallam, passou por cima de tudo e de todos, que tentaram se opor a ele, ignorando qualquer alerta sobre a periculosidade da máquina.
... Os Próprios Deuses... Se passa no Para-universo, e conta as motivações e processos que levaram os para-homens construírem a bomba. Interessante pois se trata de um ponto de vista completamente inverso ao do nosso universo, e se passa num mundo onde as leis da física são completamente diferentes da nossa – se você se pergunta como seria um outro universo, dá para ter um lampejo de como poderia ser. Sinceramente é a parte mais chata do livro, porque as criaturas do Para-Universo são muito estranhas, e fica difícil criar uma imagem mental da natureza delas – eu juro que imaginei em um monte de gelatina multicolorida, que evolui para pedras!
... Lutam em Vão ... Conta a história de Denison, que depois de ter sua carreira destruída por Hallam, se muda para a Lua, e lá acaba fazendo uma grande descoberta com relação a “Bomba de Elétrons” e os “Universos Paralelos”. De longe o capítulo mais divertido do livro, e o mais próximo de um cenário clássico de Sci-fi. A colônia construída no subterrâneo da Lua, com sua baixa gravidade, é muito interessante, e a narrativa de Asimov consegue passar a sensação de como seria morar lá. Outro destaque vai para a superfície Lunar que é muito bem explorada, e pela solução encontrada por Denison para o problema da bomba, que faz do livro uma obra clássica.
Com uma excelente história e um maravilhoso final, Os Próprios Deuses não chega a ser uma obra pretensiosa, e se mantêm no mesmo ritmo do início ao fim – com uma leve recaída na passagem pelo Para-Universo. O grande trunfo é justamente a narrativa de Isaac Asimov, além de escrever ficção, Asimov tem uma variada galeria de obras científicas, o que torna sua obra verossímil, e embasada, e todas os aspectos da física utilizados são reais e bem utilizados, se trata literalmente de  ficção científica escrita por um cientista.


Escritor: Isaac Asimov



Nenhum comentário:

Postar um comentário