terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1962)


A ficção científica é sem vias de dúvidas um dos ramos mais prolíferos da literatura, com centenas de títulos lançados e autores consagrados, porém três obras em particular fazer parte de uma espécie de trindade da ficção, e são elas: 1984 de George Orwell, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e o famoso Laranja Mecânica de Anthony Burgess, imortalizado no cinema pelo filme de Stanley Kubrick.
O livro conta a história de Alex e seus druguis, uma gangue adolescente que vive a vida visando um único objetivo: Violência! Os jovens perambulam a cidade a noite em busca de algo para destruir, ou alguém para agredir, e sempre sem o mínimo remorso. Depois de cometer um assassinato, Alex é preso e passa por um “programa recuperacional” do governo, em prol da comunidade, que nada mais é que uma lavagem cerebral. Recuperado, Alex volta as ruas, mas agora sem  poder cometer nenhum tipo de violência, fica a mercê de suas antigas vítimas...
Mesmo figurando como um dos mais influentes livros de ficção científica, Laranja Mecânica não conta com um visual futurista, e não apresenta grandes avanços tecnológicos – uma das marcas registradas do Sci-fi – pelo contrário, apresenta um mundo muito pouco diferente da vida real, criando uma identificação maior com os leitores. O grande destaque da obra prima de Burgess, é a degradação moral sofrida pela juventude, que vaga pelo mundo sem ter o seu próprio lugar, e serviu como influência direta a temática do Cyberpunk – gênero de Sci-fi – ao abordar temas como: gangues e tribos urbanas, drogas, violência, numa eterna batalha entre a classe excluída e um governo ignorante.
Adorador de linguagem e gírias, Anthony Burgess criou para Laranja Mecânica um vocabulário próprio. A linguagem Nadsat como ficou conhecida, é um glossário com palavras criadas pelo próprio Burgess, que são as gírias usadas por Alex, seus amigos e toda a juventude local. Apesar de algumas edições do livro virem com o glossário separado para quem quiser se situar melhor, a idéia não era essa. O grande objetivo do próprio Burgess é causar uma estranheza sem igual no leitor que se depara pela primeira vez com as estranhas palavras, e dessa forma fazer o leitor se sentir perdido no mundo dos jovens, é colocar o leitor no papel de um velho, dentro do mundo agitado dos jovens.
Com uma linguagem própria e estranha, e abordando temas muito – mas muito mesmo – vigentes nos dias de hoje, Laranja Mecânica não é só uma das maiores obras da literatura mundial, como se mantem “ainda” como uma das mais atuais, e que com um belo desfecho bastante otimista – inexistente no filme - mostra que não existe corretivo melhor que a maturidade!



Escritor: Anthony Burgess


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