quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Apocalipse Z: O Princípio do Fim (Apocalipsis Z, 2010)


14 de Dezembro
17h

Estou abismado pelo que acabei de ler. Está diante de mim, o que nesses tempos, pode ser o ultimo livro escrito pelo homem! O ultimo relato da perdição da humanidade!
 Já faz tempo que percorremos a Espanha sem nenhum sinal de sobreviventes. No início até encontrávamos alguns, mas nos últimos meses isso não tem acontecido. Sou um tenente das forças amadas, se bem que na situação atual, patentes são coisa do passado, mas pelo menos eu ainda tenho sob meu controle um destacamento de homens leais e com tino para sobreviver. O que nós temos feito nesses tempos? Depois que as Zonas Seguras caíram foi um Deus dará, e o mais sensato a se fazer era fugir o mais rápido possível daquelas bocas do Inferno. O que aconteceu nesse ínterim eu não pretendo comentar, pelo menos não agora, mas atualmente nós vagamos o país com um contingente fortemente armado, procurando um local seguro para ficar. Ao longo dos meses, montamos acampamentos em zonas isoladas, e fazemos incursões rápidas nas áreas urbanas em busca de munição e mantimentos. Lógico que dessa forma, os acampamentos não se mantêm seguro por muito tempo, e vivemos basicamente como nômades.
Numa dessas incursões, nos arredores de Vigo, que foi arrasada pelo que parece ter sido um incêndio cataclísmico, encontramos um heliporto, e nesse local que eu me deparei com um singelo objeto: um diário abandonado dentro de uma sacola plástica, em cima de uma pedra! O que ele contêm? Um relato minucioso da queda da humanidade, desde os eventos longínquos no Daguestão até o desembestamento da horda de mortos. Escrito basicamente todo a mão, exceto por algumas páginas impressas, que indica que devia ser a inicio uma publicação online, mas que o autor resolveu salvar depois da queda da internet.
Meu Deus, esse cara narra tudo, desde os surtos na Rússia, passando pela aparição do primeiro zumbi em sua casa, porque sim as criaturas que assolam a terra agora são as mesmas tão populares nos cinemas e outras mídias, até a partida dele desse heliporto em direção as Canárias. Demorei pouco menos de uma semana para ler seu diário, e agora estou de certa forma emocionado. O que se vê aqui é o relato de um sobrevivente. Ele conta cada ação dele diante da epidemia, e como sobreviveu todos esses meses no Inferno. Fica evidente que tudo o que aconteceu deve tê-lo mudado muito, como fez com todos nós, mas é gratificante ver que existem pessoas vivas por aí, que ainda conseguiram manter sua dignidade.
A capacidade narrativa é excelente, pois o cara não esquece nada, conta tudo nos mínimos detalhes, cada ação preventiva, ou desesperada, cada cena grotesca, cada momento de alívio. A muito eu não me lembrava de como era prazeroso sentar num canto e ler tranquilamente um bom livro, fugindo do mundo real, e esse diário me permitiu fazer isso, muito embora a realidade contida ali era verdadeira e mortal.
Bom não vou mais me alongar, senão eu próprio vou acabar escrevendo meu próprio diário, e embora não seja uma má idéia, no momento não é uma opção. Agora me pego olhando para o horizonte e imaginando qual destino terá levado esse misterioso autor, uma vez que ele não cita o próprio nome uma única vez no livro, e fico pensando se ele conseguiu concluir seus objetivos.
Parece uma ironia do destino, mas é engraçado perceber que o sistema de narrativa é semelhante a um clássico do terror: Drácula, de Bram Stoker! Rsrs É uma pena, num mundo normal ele faria sucesso como escritor, mas aqui nesse mundo tudo o que sobra é o diário de um sobrevivente anônimo, que qual destino terá levado eu creio nunca descobrir, mas fica minha torcida por esse excelente narrador! Tempos atrás eu teria adorado que esse livro ganhasse uma seqüência, mas agora essa idéia é aterradora, embora mortalmente real.
Deixo aqui a cópia desse diário, uma vez que pretendo manter o original até que ele encontre um lugar descente para descansar, mas fica claro que tudo escrito aqui é verdadeiro e nem uma única vez foi alterado. Continua sendo o relato de um sobrevivente anônimo, para futuros sobreviventes que possam encontrá-lo. E fica a mensagem: Ainda estamos vivos e pretendemos continuar!



Escritor: Manel Loureiro



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