domingo, 13 de fevereiro de 2011

DIÁRIO DE BORDO DO “DEMETER”


 Um trecho retirado do clássico: Drácula, de Bram Stoker, a minha passagem favorita do livro!!! 


Viagem de Varna a Whitby

Escrito a 18 de julho. Estão acontecendo coisas tão estranhas, que farei anotações
cuidadosas, a partir de agora, até chegarmos ao nosso destino.

Em 6 de julho recebemos a carga, que consiste de areia e caixotes cheios de terra. Ao meio dia, partimos. Vento de leste. Tripulação: cinco marinheiros... dois pilotos, o cozinheiro e eu próprio (capitão).

Em 11 de julho, entramos no Bósforo ao amanhecer. Inspetores aduaneiros turcos
vieram a bordo. Tudo em ordem. Partimos às 4 da tarde.

Em 12 de julho, atravessamos os Dardanelos. Mais inspetores alfandegários.
Atravessamos o arquipélago à noite.

Em 13 de julho, passamos pelo Cabo de Matapari. A tripulação mostra-se insatisfeita com alguma coisa. Parece amedrontada, mas não revelaram o motivo.

A 14 de julho, fiquei preocupado com a tripulação. Todos os marinheiros eram homens corajosos, que já tinham viajado comigo antes. O imediato não pôde saber o que havia; os marinheiros apenas lhe disseram que havia alguma coisa e se persignaram. O imediato perdeu a calma com um deles e agrediu-o. Esperava barulho, mas tudo terminou bem.

A 16 de julho, o imediato me comunicou que um dos homens, Petrowsky, desapareceu. É incompreensível.

A 17 de julho, ontem, um dos homens, Olagren, procurou-me e me avisou que acha que existe um estranho a bordo. Disse-me que, quando estava em seu posto, viu um vulto comprido e esguio caminhar ao longo da cobertura e desaparecer. Acompanhou-o, pé ante pé, mas, ao, chegar à proa, não encontrou ninguém e todas às escotilhas estavam fechadas. Está apavorado, e receio que o medo contamine o resto da tripulação. Para tranqüilizá-lo, percorri todo o navio, de proa a popa. Mais tarde, reuni todos os tripulantes e disse-lhes que, como estavam achando que havia alguma coisa a bordo, iríamos dar uma batida completa no navio. O imediato irritou-se, achando que aquelas idéias tolas desmoralizariam os homens. Deixei-o no leme enquanto o resto dava uma batida completa, com lanternas. Só havia os grandes caixotes, não existindo canto onde uma pessoa pudesse esconder-se. Os tripulantes ficaram tranqüilizados.

22 de julho — Mar agitado nos últimos três dias. Os tripulantes parecem ter esquecido seus temores. Passamos Gibraltar.

23 de julho — Uma maldição parece pesar sobre este navio. Desapareceu outro homem, enquanto estava de serviço. O medo reina de novo. os homens pediram para ficar de serviço de dois em dois. Receiam ficar só. O imediato está furioso.

28 de julho — Quatro dias de inferno, tempestade furiosa. Ninguém dorme. Os homens estão exaustos. É difícil pôr alguém de serviço, pois já não há ninguém em condições. O segundo piloto se ofereceu para fazer a vigília e ficar no leme para que os homens possam dormir algumas horas.
29 de julho — Outra tragédia. Tive de fazer turnos simples, por falta de homens. Pela manhã, só encontrei o timoneiro. Estamos agora sem segundo piloto e a tripulação em pânico.

30 de julho — última noite. Felizmente estamos nos aproximando da Inglaterra. Tempo bom, todas as velas levantadas; dormi profundamente; acordei com o imediato me comunicando que tanto o homem da vigília como o timoneiro tinham desaparecido. Só restamos eu, o imediato e dois marinheiros.

1.° de agosto — Dois dias de nevoeiro e nenhuma vela à vista. Esperava que, na
Mancha, pudesse pedir socorro. Estamos navegando contra o vento. O imediato tornou-se o mais desmoralizado de todos. Os marinheiros estão trabalhando com paciência e vigor. São russos, o imediato é romeno.

2 de agosto, à meia-noite — Acordei após Poucos minutos de sono, ouvindo um grito. Nada pude ver na escuridão. Esbarrei com o imediato. Mais um homem desapareceu. Parece que estamos no Mar do Norte, depois de atravessar o Estreito de Dover. Deus tenha piedade de nós!

3 de agosto — A meia-noite, vim substituir o homem que estava no leme. O vento estava muito forte. Gritei pelo imediato que, alguns segundos depois, apareceu transtornado e murmurou no meu ouvido: “Ele está aqui, agora sei. Eu o vi, na noite passada. Debruçou-se na amurada. Aproximei-me dele e dei-lhe uma facada, mas a faca o atravessou sem feri-lo, como se tivesse cortado o ar. Mas ele está aqui, tenho certeza. Talvez dentro de uma daquelas caixas. Vou abrir uma por uma. Fique no leme”. E afastou-se, com o dedo nos lábios. Pouco depois, avistei-o subindo para a coberta, carregando uma caixa de ferramentas e uma lanterna. Deve ter enlouquecido. Não adianta contrariá-lo. Assim, deixei-me ficar aqui e escrevo estas notas. Apenas me resta ter fé em Deus e esperar que o nevoeiro passe. Se conseguir chegar a qualquer porto com esse vento, arriarei as velas e
farei sinal pedindo socorro... De repente, ouvi um grito horrível e o imediato apareceu correndo, tendo no Posto, uma expressão de pavor. “Salve-me!”. “É melhor vir também, capitão, antes que seja demasiado tarde. Ele está aqui. Agora, conheço o segredo. O mar me salvará dele!” E, antes que eu pudesse dizer uma palavra, precipitou-se no mar. Creio que agora também sei o segredo. Foi esse louco que se livrou dos homens, um a um, e agora os acompanhou. Deus tenha piedade de mim. Como poderei contar todos esses horrores, quando chegar ao porto? Mas chegarei?

4 de agosto — Ainda o nevoeiro, que o sol não pode atravessar. Não me atrevo a deixar o leme. Esta noite eu o vi... Deus me perdoe, mas o imediato fez bem em se atirar ao mar. Comigo, porém, o caso é diferente. Tenho de salvar minha honra de comandante. Estou cada vez mais fraco... Se o barco naufragar, talvez esta escuna seja encontrada e poderão compreender; se não... Então todos saberão que fui fiel ao meu posto. Deus, a Santa Virgem e os santos ajudem-me a cumprir meu dever... Naturalmente o inquérito não pode contar com testemunhas. A opinião quase unânime é que o capitão foi um herói e será enterrado com toda a pompa. Assim terminará mais este “mistério do mar”.



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Apocalipse Z: O Princípio do Fim (Apocalipsis Z, 2010)


14 de Dezembro
17h

Estou abismado pelo que acabei de ler. Está diante de mim, o que nesses tempos, pode ser o ultimo livro escrito pelo homem! O ultimo relato da perdição da humanidade!
 Já faz tempo que percorremos a Espanha sem nenhum sinal de sobreviventes. No início até encontrávamos alguns, mas nos últimos meses isso não tem acontecido. Sou um tenente das forças amadas, se bem que na situação atual, patentes são coisa do passado, mas pelo menos eu ainda tenho sob meu controle um destacamento de homens leais e com tino para sobreviver. O que nós temos feito nesses tempos? Depois que as Zonas Seguras caíram foi um Deus dará, e o mais sensato a se fazer era fugir o mais rápido possível daquelas bocas do Inferno. O que aconteceu nesse ínterim eu não pretendo comentar, pelo menos não agora, mas atualmente nós vagamos o país com um contingente fortemente armado, procurando um local seguro para ficar. Ao longo dos meses, montamos acampamentos em zonas isoladas, e fazemos incursões rápidas nas áreas urbanas em busca de munição e mantimentos. Lógico que dessa forma, os acampamentos não se mantêm seguro por muito tempo, e vivemos basicamente como nômades.
Numa dessas incursões, nos arredores de Vigo, que foi arrasada pelo que parece ter sido um incêndio cataclísmico, encontramos um heliporto, e nesse local que eu me deparei com um singelo objeto: um diário abandonado dentro de uma sacola plástica, em cima de uma pedra! O que ele contêm? Um relato minucioso da queda da humanidade, desde os eventos longínquos no Daguestão até o desembestamento da horda de mortos. Escrito basicamente todo a mão, exceto por algumas páginas impressas, que indica que devia ser a inicio uma publicação online, mas que o autor resolveu salvar depois da queda da internet.
Meu Deus, esse cara narra tudo, desde os surtos na Rússia, passando pela aparição do primeiro zumbi em sua casa, porque sim as criaturas que assolam a terra agora são as mesmas tão populares nos cinemas e outras mídias, até a partida dele desse heliporto em direção as Canárias. Demorei pouco menos de uma semana para ler seu diário, e agora estou de certa forma emocionado. O que se vê aqui é o relato de um sobrevivente. Ele conta cada ação dele diante da epidemia, e como sobreviveu todos esses meses no Inferno. Fica evidente que tudo o que aconteceu deve tê-lo mudado muito, como fez com todos nós, mas é gratificante ver que existem pessoas vivas por aí, que ainda conseguiram manter sua dignidade.
A capacidade narrativa é excelente, pois o cara não esquece nada, conta tudo nos mínimos detalhes, cada ação preventiva, ou desesperada, cada cena grotesca, cada momento de alívio. A muito eu não me lembrava de como era prazeroso sentar num canto e ler tranquilamente um bom livro, fugindo do mundo real, e esse diário me permitiu fazer isso, muito embora a realidade contida ali era verdadeira e mortal.
Bom não vou mais me alongar, senão eu próprio vou acabar escrevendo meu próprio diário, e embora não seja uma má idéia, no momento não é uma opção. Agora me pego olhando para o horizonte e imaginando qual destino terá levado esse misterioso autor, uma vez que ele não cita o próprio nome uma única vez no livro, e fico pensando se ele conseguiu concluir seus objetivos.
Parece uma ironia do destino, mas é engraçado perceber que o sistema de narrativa é semelhante a um clássico do terror: Drácula, de Bram Stoker! Rsrs É uma pena, num mundo normal ele faria sucesso como escritor, mas aqui nesse mundo tudo o que sobra é o diário de um sobrevivente anônimo, que qual destino terá levado eu creio nunca descobrir, mas fica minha torcida por esse excelente narrador! Tempos atrás eu teria adorado que esse livro ganhasse uma seqüência, mas agora essa idéia é aterradora, embora mortalmente real.
Deixo aqui a cópia desse diário, uma vez que pretendo manter o original até que ele encontre um lugar descente para descansar, mas fica claro que tudo escrito aqui é verdadeiro e nem uma única vez foi alterado. Continua sendo o relato de um sobrevivente anônimo, para futuros sobreviventes que possam encontrá-lo. E fica a mensagem: Ainda estamos vivos e pretendemos continuar!



Escritor: Manel Loureiro



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. The World, 2010)


A vida é composta de várias fases e desafios, que temos que passar em busca de amadurecimento, para obtermos nossos objetivos. São muitas as dificuldades, seja na infância, na vida adulta, e na tão conturbada adolescência. Agora imagine sua vida, com pontuação, bônus, vidas extras e continues?
Baseado na HQ homônima que foi sucesso de criticas, o filme dirigido pelo excelente Edgar Wright – responsável por duas das melhores comédias dos últimos tempos: Todo Mundo Quase Morto e o estupendo Chumbo Grosso – adapta de forma perfeita – e até melhor – a versão escrita, contando com muita cultura pop, e efeitos maravilhosos e originais. O único contra do filme foram as bilheterias, que ficaram a baixo do esperado, seja pela péssima distribuição do filme – aqui na minha cidade, ficou apenas uma semana em cartaz – ou pela incapacidade do grande público de absorver filmes bons de verdade – explicando o sucesso do lixo Crepúsculo, e o anonimato do próprio Chumbo Grosso!
Lógico que os créditos pela excelente história devem ir para Bryan Lee O’Malley, o criador dessa magnífica HQ, mas a verdade é que Edgar Wright deu um show na sua adaptação – fato muito raro de acontecer em adaptações. Apesar do visual cômico, e cenas hilárias, Scott Pilgrim Contra o Mundo não chega a ser um filme de comédia, mas uma miscelânea entre vários estilos, mantendo a originalidade não só no visual mas também no teor da história, provando que apesar de Wright não lucrar alto nas bilheterias, tem uma alma especial para rodar seus filmes! 
Scott Pilgrim(Michael Cera), é um típico adolescente nerd, membro de uma banda de Indie Rock, que tenta se recuperar uma desilusão amorosa. O seu mundo começa a girar quando conhece Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead), uma garota impulsiva que vai contra tudo o que Pilgrim conhece. Arrebatado pela moça - e ainda preso pelo seu relacionamento atual - Scott terá que passar por uma singular tarefa para ficar com ela: enfrentar e vencer todos os “sete ex-namorados malignos” de Ramona!
Apesar de ser uma adaptação de HQ, e não de um Game, Scott Pilgrim Contra o Mundo é de longe um dos melhores filmes sobre o tema já feitos. As batalhas contra os “ex-namorados malignos”, são semelhantes as fases de um vídeo game, com pontuação e tudo, e aqui que fica evidente o ponto alto do filme: os efeitos especiais.
Os efeitos presentes no filme estão sublimes, e tudo gira a favor para que tudo pareça um grande jogo,  dando ao filme um visual extremamente original. Durante as batalhas, efeitos sonoros clássicos da era 16-bits estão completamente presentes, seja através dos narradores clássicos de games de luta – “VS”,  “ROUND 01, FIGHT” “2 PLAYER MODE” “K.O” – ou através de continues, vidas, e os inimigos que viram moedas quando são destruídos, isso sem falar na constante presença de onomatopéias gráficas ao longo do filme: “DING DONG”, “CRASH”, “KABUM”. Com essa carga visual e sonora, é impossível não se lembrar de Street Fighter ou Super Mário World, e perceber que estamos diante de um dos filmes mais originais – tanto pelo roteiro, como pela estética – dos últimos tempos.
Mas mesmo com tantos efeitos, o que rouba a cena mesmo é o enredo, e esse não seria tão envolvente senão fosse pelos atores. Aqui até o mais coadjuvante personagem, é verossímil e cada um se encaixa dentro da história de alguma forma. Os destaques vão obviamente para: Michael Cera que mesmo interpretando alguém que está em busca da própria identidade dá um show e começa a se despontar como uma das promessas de Hollywood; Mary Elizabeth Winstead cai como uma luva na inconstante Ramona; e Ellen Wong que é Knives Chau a ex namorada de Pilgrim, que funciona como um “o outro ponto de vista” da desilusão amorosa sofrida por ele.
Para quem não viu o filme – ou viu a ainda não sacou – e só leu a critica, uma coisa deve ser esclarecida: Scott Pilgrim Contra o Mundo não é um filme sobre um jogo de vídeo game, e não o personagem não tem poderes. Toda a estética, e efeitos visuais não passam de uma grande metáfora sobre a vida. As batalhas contra os “Bosses”, as fases e tudo aquilo, não passa de uma fábula sobre o amadurecimento, pela busca do auto conhecimento. A longa batalha jogada por Pilgrim, é na verdade a mesma batalha pela qual todo adolescente passa na fase mais conturbada da vida, a batalha pela própria identidade – a cena da auto estima, que é retratada como uma espada, cheia de bônus extras, é simplesmente sublime!
Pode não ter faturado alto nas bilheterias, mas Scott Pilgrim é de fato uma das melhores adaptações de uma HQ, e uma das melhores histórias sobre o amadurecimento já escritas.

Direção: Edgar Wright
Roteiro: Michael Bacall, Edgar Wright, Bryan Lee O’Malley (HQ)  
Duração: 112min
Distribuidora: Universal Pictures







sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Guerra dos Tronos (The Game of Thrones, 1996)



Aclamado por muitos como o novo Tolkien, George R. R. Martin é o responsável pela maior obra de fantasia desde o Senhor Dos Anéis, a série As Crônicas de Fogo e Gelo.
Apesar de muito comparado a Tolkien, vale ressaltar que existem muitas diferenças entre os dois escritores. A narrativa de ambos é excelente, e rica em detalhes, com cenários magníficos e com personagens carismáticos e verossímeis, porém enquanto a literatura de Tolkien é mais versada para aventura, exploração e fantasia – cheia de masmorras, cidades perdidas e monstros – a de Martin é mais politizada, cheia de tramas e jogos de poder, enquanto a fantasia é – pelo menos no primeiro livro – só um mito, uma coisa que não pertence mais ao mundo atual e a muito desapareceu - mas ainda sim existe, oculta, esperando para aflorar, como o nascimento dos dragões que aparecem no final do primeiro livro. 
A Guerra dos Tronos o primeiro livro da série, conta a história de Eddard Stark, senhor de Winterfell, que é “convidado” pelo seu rei e amigo Robert Baratheon para ocupar o cargo de “Mão do Rei”, sem muitas opções, Eddard deixa o frio do norte, e ruma em direção ao sul. O que ele não sabe é que a antiga “Mão do Rei” Jon Arryn, não morreu de causas naturais, mas foi na verdade assassinado numa conspiração que visa conquistar o trono, os conspiradores? Os Lannister. Agora perdido em meio a uma terrível conspiração, e com um rei tão cabeça dura e orgulhoso como Robert, Eddard está praticamente sozinho contra os Lannister que ocupam quase todos os cargos de poder do reino, numa batalha desleal entre Lobos e Leões, e quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre.
Do outro lado do oceano, Daenerys Targaryen e seu irmão Viserys são os últimos descendentes de Aerys Targaryen, o último rei dos sete reinos, e agora planejam uma jornada de vingança para reclamar seu lugar.
A narrativa é divida em capítulos, que levam os nomes dos personagens principais, cada qual dando ênfase no respectivo personagem. O que pode a principio parecer um atraso na narrativa – eu mesmo fiquei com receio quando folheei o livro pela primeira vez – é superado pela excelente narrativa de George R. R. Martin - que esbanja em detalhes, conseguindo passar toda a imagem virtual de cada cenário, ou cada detalhe das armaduras, ou mesmo cada cena de batalha – que consegue criar personagens magníficos, e tão profundos que você não consegue identificar “apatia” nem no mais reles mercenário, e os sentimentos com relação a eles vão de amor à ódio extremo! Destaque para os odiosos Lannister, e principalmente os filhos de Stark: Robb, Bran, Arya, Sansa, Rickon e o bastardo Jon Snow, que diferem bastante entre si, buscando e mantendo suas convicções, até os lobos gigantes de estimação figuram entre os personagens prediletos, mesmo sendo apenas animais. 
Aqui a fantasia é citada como antigas raças que desapareceram: como os dragões extintos a milhares de anos, o povo da floresta – uma mistura de elfos e duendes - que a muito partiu para terras desconhecidas, e outras criaturas como mantícoras, sereias, etc... O continente onde se passa a história é completamente – com exceção ao norte da Muralha... – “civilizado”, então as aventuras clássicas da fantasia dão espaço ao Jogo Dos Tronos. A trama para a conquista do trono é bem arquitetada, e quando a guerra estoura, George R. R. Martin deixa claro como funciona as alianças entre as casas, e as estratégias de batalha. Outra coisa evidente na narrativa de Martin, são as chances de algo dar errado, aqui qualquer um pode morrer a qualquer momento, sem nenhum um pingo de glória. Com tão pouca previsibilidade, a trama se torna viciante, e com o decorrer do livro, as coisas se aceleram e você não quer mais parar de ler.
O sucesso é tão grande, que A Guerra dos Tronos, vai virar série, que estréia esse ano pela HBO. Então se você é fã de fantasia, ou crônicas medievais, não pode deixar passar uma das maiores pérolas do gênero!

Escritor: George R. R. Martin

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1962)


A ficção científica é sem vias de dúvidas um dos ramos mais prolíferos da literatura, com centenas de títulos lançados e autores consagrados, porém três obras em particular fazer parte de uma espécie de trindade da ficção, e são elas: 1984 de George Orwell, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e o famoso Laranja Mecânica de Anthony Burgess, imortalizado no cinema pelo filme de Stanley Kubrick.
O livro conta a história de Alex e seus druguis, uma gangue adolescente que vive a vida visando um único objetivo: Violência! Os jovens perambulam a cidade a noite em busca de algo para destruir, ou alguém para agredir, e sempre sem o mínimo remorso. Depois de cometer um assassinato, Alex é preso e passa por um “programa recuperacional” do governo, em prol da comunidade, que nada mais é que uma lavagem cerebral. Recuperado, Alex volta as ruas, mas agora sem  poder cometer nenhum tipo de violência, fica a mercê de suas antigas vítimas...
Mesmo figurando como um dos mais influentes livros de ficção científica, Laranja Mecânica não conta com um visual futurista, e não apresenta grandes avanços tecnológicos – uma das marcas registradas do Sci-fi – pelo contrário, apresenta um mundo muito pouco diferente da vida real, criando uma identificação maior com os leitores. O grande destaque da obra prima de Burgess, é a degradação moral sofrida pela juventude, que vaga pelo mundo sem ter o seu próprio lugar, e serviu como influência direta a temática do Cyberpunk – gênero de Sci-fi – ao abordar temas como: gangues e tribos urbanas, drogas, violência, numa eterna batalha entre a classe excluída e um governo ignorante.
Adorador de linguagem e gírias, Anthony Burgess criou para Laranja Mecânica um vocabulário próprio. A linguagem Nadsat como ficou conhecida, é um glossário com palavras criadas pelo próprio Burgess, que são as gírias usadas por Alex, seus amigos e toda a juventude local. Apesar de algumas edições do livro virem com o glossário separado para quem quiser se situar melhor, a idéia não era essa. O grande objetivo do próprio Burgess é causar uma estranheza sem igual no leitor que se depara pela primeira vez com as estranhas palavras, e dessa forma fazer o leitor se sentir perdido no mundo dos jovens, é colocar o leitor no papel de um velho, dentro do mundo agitado dos jovens.
Com uma linguagem própria e estranha, e abordando temas muito – mas muito mesmo – vigentes nos dias de hoje, Laranja Mecânica não é só uma das maiores obras da literatura mundial, como se mantem “ainda” como uma das mais atuais, e que com um belo desfecho bastante otimista – inexistente no filme - mostra que não existe corretivo melhor que a maturidade!



Escritor: Anthony Burgess