quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Os Homens que Não Amavam As Mulheres (Män Som Hatar Kvinnor, 2008)


Stieg Larsson, jornalista sueco e ativista político, morreu em 2004 aos 50 anos, e infelizmente não viveu para ver o fenômeno mundial que sua obra se tornou, Best-Seller em vários países, e com mais de 15 milhões de exemplares vendidos, a Trilogia Millenium, é uma das mais bem sucedidas obras da atualidade, e com uma trama original e personagens fortes, conquistou tanto público quanto a crítica.
O famoso jornalista Mikael Blomkvist diretor da cultuada revista Millenium, se encontra a beira da falência, depois de perder um processo, por ter publicado uma matéria “infundada” sobre um famoso industrial sueco. Depois de se afastar da revista por uns tempos, e com a moral baixa pelo país,  Blomkvist recebe uma estranha proposta do milionário Henrik Vanger: Escrever uma biografia enaltecendo todos os podres da família Vanger e desvendar o desaparecimento de Harriet Vanger, que sumiu aos 16 anos sem deixar vestígios e nunca mais foi encontrada!
Promovendo uma investigação sem provas e evidências, Blomkvist se vê perdido, mas acaba contando com uma ajudante um tanto quanto peculiar.
 Lisbeth Salander, é uma jovem hacker, anti-social e revoltada, uma garota problemática com um talento ímpar para investigações ilícitas, mas que vive a mercê de seus tutores. Num de seus serviços, ela acaba topando com Mikael Blomkvist, e quando menos espera estará fazendo parte de uma investigação, que desafia todos os envolvidos, e permanece insolúvel a mais de quarenta anos.
Apesar de supostamente lembrar um típico romance policial, a trama criada por Stieg Larsson vai além, e esbanja em originalidade e qualidade. Envolvente do início ao fim, a trama de Larsson, mostra uma intricada busca pelo paradeiro de Harriet, tendo como protagonista um Mikael Blomkvist, que mesmo não tendo a capacidade dedutiva – e um tanto quanto forçada – de um Sherlock Holmes, conta com seus próprios meios e intuições, além de contar com a infinita fonte de informações que é Lisbeth, permitindo aos dois desvendar um “crime” que até a polícia tinha desistido.
Outro grande fator que contribuiu para que “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” se tornasse um Best-Seller foi o realismo e excentricidade das personagens. Com personalidades profundas, os protagonistas da obra não são superficiais em nenhum momento, o que acaba cativando o público. Além de Blomkvist e Salander,  Érika Berger, Henrik Vanger, Martin Vanger, Cecília Vanger, Nils Bjurman, Dirch Frode entre outros, são algumas das excelentes personagens que dão vida a essa fantástica trama.
Mikael Blomkvist um jornalista investigativo, com uma vida sexual nada ortodoxa, que vive um triângulo amoroso com a sua sócia Érika Berger – com o consentimento do marido – e nunca está fechado para relacionamentos. Um jornalista justo e honesto, que não usa de meios ilícitos para crias suas reportagens, mas que odeia a hipocrisia e vai contra tudo e todos com os quais não concorda.
Lisbeth Salander, é o grande chamariz da obra. A bissexual Lisbeth vive uma vida fora dos padrões comuns, e vive a mercê do preconceito e abusos das autoridades. Inteligente, independente, destemida e violenta, Lisbeth Salander é uma das melhores personagens criadas ultimamente, e funciona como um símbolo da alma da mulher.
Recheado de política, negócios, intrigas, depravações e  mistérios, “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, é uma das melhores obras literárias escrita nos últimos anos, e com originalidade, foge dos clichês  para figurar no topo como uma das melhores obras “policiais” de todos os tempos.



Escritor: Stieg Larsson


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