domingo, 26 de dezembro de 2010

Hellboy Edição Histórica Vol. 04: A Mão Direita da Perdição

Depois de dois encadernados contendo histórias vitais para a vida de Hellboy, O Caixão Acorrentado, foi uma coletânea de histórias separadas entre si, mas que de uma forma ou de outra enriqueciam o mundo do herói. Agora A Mão Direita da Perdição, volta pra dar continuidade a saga de Hellboy. Precedida de 6 histórias curtas, A Mão Direita da Perdição, e A Caixa do Mal, são as seqüências dos fatos crucias da vida de Hellboy, que tiveram início em 1944 quando o pequeno demônio foi invocado por nazistas, e tiveram maior relevância nos eventos ocorridos na Mansão Cavendish.
          Panquecas

Um curta de duas páginas, mais pra distrair do que pra qualquer outra coisa. Conta como Hellboy ainda criança, reagiu ao experimentar panquecas pela primeira vez, e como isso foi um pesadelo para sua família real.

    A Natureza da Fera

Reza a lenda, que a centenas de anos atrás, um dragão aterrorizava a floresta de Horshaw, matando animais e crianças. Um dia, um monge armado de apenas uma espada, se aventurou a enfrentar a temível criatura e a baniu para as profundezas. Durante a batalha, ele foi ferido, e devido a natureza santa do bom monge, os locais onde seu sangue pingou, nasceram lírios. Agora a ameaça está de volta, e o monge já morreu a muitos anos, portanto cabe a Hellboy dar novo fim a fera.
A inclusão de mais um monstro lendário, ao bestiário de Hellboy, vem também como uma demonstração da natureza de Hellboy. A propósito, o nome do conto se refere a isso, pois ao término da batalha, uma gota de sangue cai das mãos de Hellboy, e no local, nasce um lírio.

            Rei Vold

Hellboy é mandado pelo seu mentor, até a Noruega, porém numa missão acadêmica, onde Hellboy deve acompanhar o professor Edmond Aickman, em visitas pelo local. Passando por paisagens, que supostamente algum dia foi palco de eventos sobrenaturais, Hellboy se vê entediado com aquele passeio. Porém, no topo de uma montanha, eles se deparam com o Rei Vold, um rei decapitado que cavalga os céus em seu cavalo, e é acompanhado por uma matilha de lobos.
 Edmond Aickman, que tinha em mente, unicamente desejos ambiciosos, aceita tomar conta de um dos cães de Vold, para ao amanhecer, ganhar sua recompensa. Ele usa Hellboy para tomar conta da fera, que se torna um lobisomem! Ao fim do dia, o rei Vold, retorna e se admira, e Edmond diz que ele fez tudo sozinho. Vold finge não reconhecer Hellboy, e paga a recompensa... mas com uma moeda que Edmond, não esperava. Ao partir, o Rei Vold se despede orgulhosamente de Anung Un Rama!
 Baseado na lenda norueguesa: “Caçador Voador”, entre outras.

             Cabeças

Hellboy está dormindo num bosque, quando uma pessoa o acorda, dizendo que não é seguro passar a noite ali, e convidando-o para a sua casa. Lá, Hellboy encontra outros viajantes, conversa um pouco e vai dormir. Ele acorda no meio da noite, e quando percebe, está sozinho... Dos viajantes restaram apenas os corpos, verdadeiros manequins sem cabeça. Para remediar a situação, Hellboy afunda os corpos nos lagos, e agora cabe a suas respectivas cabeças, encontrarem seus corpos antes do nascer do sol.
Basicamente ambientado em território europeu, Cabeças traz para o mundo de Hellboy o clima oriental. Embora uma história bem ligeira, a atmosfera nipônica fica evidente, enaltecendo sua arquitetura, e personagens, nessa lenda adaptada, que não perde em nada, na matéria de bizarrices para suas rivais européias.

Adeus Senhor Tod

Hellboy é chamado por uma assistente, de um vidente que invocava fantasmas. Algo dá errado, e o médium invoca algo mais perigoso do que devia...
Outra rápida história, que serve como uma ligeira homenagem a H. P. Lovecraft.

                 O Vârcolac

Hellboy vai até Yorkshire, e encontra em um castelo abandonado, uma vampira que ele procurava a mais de sete anos. Porém, antes de empalar a criatura, o chão de rompe e ele cai no subterrâneo do castelo.
Lá, a vampira, e outras criaturas da noite, estão esperando a chegada do Vârcolac, uma criatura tão antiga, e tão gigantesca, que pode engolir a lua, e ser a perdição de Hellboy. Porém, antes do monstro matar o Vermelhão, Hellboy acorda do torpor, e percebe que ainda está frente a frente com a vampira.
Uma história envolvente, que adapta a lenda do Vârcolac, uma criatura romena que pode ser um vampiro ou um lobisomem, capaz de engolir a lua e o sol, e causar eclipses na Terra. Apesar da “ilusão” vivida por Hellboy, o Vârcolac pode ser um dos seus futuros adversários definitivos.



 A Mão Direita da Perdição

Hellboy conversa com um padre, cujo o pai tentara-o matar desde que fora invocado. O padre conta que antes de o pai morrer, ele havia queimado todos os estudos feitos a cerca de Hellboy, mas que dentro da sua Bíblia, havia um pedaço de papel com uma inscrição um tanto quanto peculiar. Em troca do papel, Hellboy deveria lhe contar sua história. Depois de narrar todos os fatos ocorridos, após os eventos na mansão Cavendish, Hellboy vai embora, levando um pedaço de papel secular, onde um nítido desenho da sua mão, está destacado com inscrições em lemuriano ancestral que dizem: “Contemplem a Mão Direita da Perdição”.
A história que nomeia essa edição encadernada de Hellboy, serve mais como recapitulação para A Caixa do Mal, que é onde as verdadeiras explicações sobre o braço de Hellboy são dadas, e mais uma batalha crucial para o seu destino é travada.

A Caixa do Mal

A mais longa e importante história do encadernado, conta como Hellboy esteve a mercê da própria destruição, para desempenhar o seu papel maligno, mas que no fim das contas, mais uma vez provou a verdadeira “Natureza da Fera” – o segundo conto desse encadernado.
A história começa com o Sr. Heath chamando Hellboy as pressas. O fato, é que na noite passado um homem adentrou a casa de Heath, carregando um candelabro de forma de mão, quebrou a parede da sala, e saiu levando uma caixa e uma pinça, enquanto o Sr. Heath e os empregados permaneciam paralisados. Depois de averiguar corretamente, Hellboy descobre que a caixa e a pinça roubadas, pertenceram a São Dunstan – religioso inglês canonizado em1029 – que numa batalha contra um demônio, ele usou uma pinça de lareira ardente pra derrotá-lo e aprisioná-lo dentro da caixa.
O ladrão: Bromhead, que Hellboy já tinha colocado atrás das grades anos atrás, vende esse estranho material a um conde e uma condessa, que procuram libertar o demônio em busca de riquezas. Mas ao abrirem a caixa, a condessa é possuída pelo demônio – que na forma de uma mosca, entrou em sua boca – e o conde transformado em um macaco. O único que escapa é o Sr. Bromhead que usando um talismã de São Dunstan, fica imune ao monstro, e usa-se de seu verdadeiro nome para dominá-lo, e se tornar rico e poderoso.
Ualac, convence Bromhead, de que ele pode obter um poder ainda maior, se aprisionar Hellboy, e invocar seu verdadeiro poder para libertar Ogdru Jahad. Ao se deparar com Hellboy, Bromhead usa o verdadeiro nome da criatura: Anung Un Rama, para dominá-lo, e libertar sua verdadeira forma. Os chifres de Hellboy crescem ao seu tamanho real, e no topo deles uma coroa é materializada. Ualac, usa a coroa para atingir um poder supremo, e descobre que a mão de pedra de Hellboy é a chave para a invocação de Ogdru Jahad. Segurando a pinça de São Dunstan, Ualac a transforma em uma espada capaz de decepar a mão de Hellboy.
Perdido em devaneios e alucinações, Hellboy se depara com os mesmos duendes, que o ajudaram a encontrar a garota perdida – em “O Cadáver” – e eles se lembram de que Hellboy, havia abdicado de sua natureza maligna, portanto seu nome não era Anung Un Rama. Hellboy sai do torpor, e arranca os próprios chifres para lutar contra Ualac, que depois de derrotado escapa em forma de mosca.
Astaroth, aparece e recaptura a mosca para levá-la de volta ao Inferno. Hellboy se depara com o demônio e o entrega a coroa, abrindo mão de seu destino, Astaroth porém apenas diz que irá guarda-la, para quando ele a reclamar. Um epílogo final, mostra Hellboy conversando com Kate – sendo observado pelos duendes, que duas vezes já o ajudaram - revelando que seu passado ainda o incomoda, mas resolve esquece-lo por enquanto, e amassa o papel com as escrituras sobre sua mão – encontrado em “A Mão Direita da Perdição” – e lançando-o para o alto, mas antes de tocar o chão, um pássaro dá um rasante, e leva embora o papel...
Ao lado de Sementes da Destruição e O Despertar do Demônio, A Caixa do Mal é uma história indispensável da cronologia de Hellboy, e dá continuidade a sua saga, revelando mais do desenvolvimento dos fatos desencadeados na “Mansão Cavendish”.
Sem perder a tradição, essa história é recheada de referências mitológicas, lendárias e históricas. Como exemplos podemos citar: a Mão Inglória - um artefato feito a partir de uma mão humana, de um enforcado, untada com cera, que usada como candelabro, tinha a propriedade de paralisar todos no local, com exceção de quem a carregasse. Misticismo a parte, o fato é que esses artefatos macabros, já existiram, e alguns estão em exposição em museus da europa – e o próprio São Dunstan, você pode não ter ouvido falar dele, mas com certeza já ouviu que uma ferradura pregada na porta traz sorte. È graças a uma lenda, que diz que  ele pregou uma ferradura no casco de um demônio, e só a retirou depois que o demônio prometeu, nunca invadir uma casa com uma ferradura na porta.  
Além disso, outras referências teológicas e demonológicas – como os vários nomes de Deus em hebraico, e citações de vários demônios, príncipes do Inferno – e literárias, afinal de contas a mansão em que ocorre a batalha de Hellboy, acaba sendo citada como a própria “Casa de Usher” presente em um dos mais famosos contos de Edgar Allan Poe!




Roteiro: Mike Mignola
Arte: Mike Mignola
Editora: Dark Horse, Mythos Editora




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