sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Os Leões de Bagdá (Pride Of Baghdad, 2006)


Em 2003, durante o bombardeio dos EUA, em território iraquiano, o Zoológico de Bagdá, acabou destruído, e vários animais sumiram ou foram roubados. Entre esses, quatro leões, escaparam e vagaram livres e famintos pelas ruas de Bagdá. A história da Guerra do Iraque você já conhece, mas agora é contada sob um ponto de vista completamente diferente... O ponto de vista dos leões...
Quatro leões cativos do Zoológico de Bagdá, se vêem livres depois que bombardeiros americanos destroem o lugar. Agora sem as regalias ou limites aos quais estavam acostumados, devem se acostumar as novas situações pelo destino impostas, sobreviver a esse selvagem mundo novo.


Brian K. Vaughan que já tinha se consagrado com a excelente história de sobrevivência abordada em “Y, O Ultimo Homem”, agora ataca com essa excelente fábula do mundo moderno. Zill, o macho conformado e indeciso; Safa, a anciã que já provou como a vida é difícil e prefere a tranqüilidade do cárcere; Noor, uma jovem leoa que “Born To be Wild!” – ahá, essa foi massa; e Ali, um filhote que não conhece a vida fora do cativeiro, e está ansioso para conhecer o mundo – parece muito com um certo leãozinho que arrebentou no cinema uns anos atrás – são os quatro leões que compõe o grupo de protagonistas da trama. Com pitadas de George Orwell, Vaughan dá características bastante humanas para os animais, e dessa forma compõe sua excelente viagem rumo ao horizonte, numa verdadeira jornada em busca da liberdade e com tantos problemas – seja de origem humana ou animal – em seu caminho, sentiram o quão caro é o seu preço.
Á exemplo de A Revolução dos Bichos de George Orwell, Os Leões de Bagdá conta com um forte enredo psicológico, étnico e político, tornando-se não só uma crítica sobre a interferência do homem na natureza, como também uma critica ao sistema, se baseando na própria falta de liberdade do povo iraquiano. Apesar da analogia com a raça humana, os animais de Vaughan ainda mantêm todas as características do mundo animal, como temperamento, comportamento e organização, característica essa que fica fantástica não só nos leões, como em todos os outros animais usados na trama.
Para uma Graphic Novel tão inteligente e cativante, não poderia deixar de mencionar um fator substancial para a vida da obra: as ilustrações. Desenhada por Niko Henrichon, a história ganha uma dimensão fantástica, e muita profundidade. Os traços ficaram fantásticos, tanques de guerras, casas e prédios em ruínas e o sombreamento são estupendos, a anatomia dos animais é precisa e brilhante, e cabe as expressões faciais das criaturas conferirem dramaticidade e realismo à trama. Tudo isso foi imortalizado por Niko Henrichon, que fez dos quatro leões personagens inesquecíveis – destaque para Ali, que com o mesmo temperamento e mesma aparência, é uma cópia de Simba, de O Rei Leão.
“Baseada em fatos reais”, a obra vencedora do Harvey Awards como melhor Graphic Novel, é forte e dramática, cheia de lições que o homem deveria aprender. Assim como algumas belas obras de Esopo, Os Leões de Bagdá, é uma magnífica fábula moderna.  


Roteiro: Brian K. Vaughan
Arte: Niko Henrichon
Editora: Vertigo


Hellboy: A Capela de Moloch / O Vigarista (In The Chapel of Moloch / The Crooked Man)

          
           A Capela de Moloch

Hellboy é chamado até um vilarejo português,  para investigar um estranho artista: um jovem que alugou uma capela, para realizar seus trabalhos. Hellboy, ouve os estranhos fatos relacionados com o artista, que passara a se comportar como um zumbi nos últimos dias, e entra dentro da capela. Uma vez lá dentro, se depara com quadros macabros, e uma grande escultura em argila de Moloch. Nesse instante o artista entra na capela com seu olhar vidrado, e um pequeno demônio saído de um buraco no chão, sobe em suas costas, e começa a guia-lo na escultura...
Saturno devorando a un hijo
(Goya)
Depois de se afastar dos traços de Hellboy, Mignola volta a desenhar o herói em uma história completa... e mostra que não perdeu a pegada! Nessa história rápida e direta, temos um excelente conto de terror, enaltecendo o espírito fanático que um artista tem por sua obra. Segundo Mignola, ele passou para o personagem, a mesma paixão que ele tem por Hellboy.
Apesar de ser um evento a parte na cronologia de Hellboy, A Capela de Moloch é uma excelente e indispensável história sobre o herói. Aqui são mencionados os “Cavaleiros de São Hagan” um grupo militante remanescente dos templários. Apesar de serem apenas rapidamente citados na história, Mignola já declarou que quer escrever algo com eles, então pode estar nascendo aí, mais um conceito fundamental para a mitologia de Hellboy.
A Capela de Moloch, faz uma pequena homenagem a Francisco de Goya, famoso pintor espanhol, que ficou conhecido por suas obras macabras e polêmicas.


          
            O Vigarista

Hellboy está viajando pelos Apalaches, quando se depara com um pessoal investigando o corpo de uma jovem morta, aparentemente vítima de feitiçaria. De repente, todos se surpreendem com a chegada de Tom Ferrel, um jovem que estava desaparecido a mais de 20 anos. Tom, acaba mostrando muito conhecimento sobre o assunto, e parte com Hellboy para a casa da bruxa que atacou a jovem. Lá chegando  eles encontram Cora Fisher, uma bruxa que acabou entrando no mundo da magia por engano, e anseia por redenção, destino compartilhado com Tom Ferrel, que quando tinha 15 anos fez um pacto com o diabo.
Depois de vários acontecimentos, Ferrel encontra o cadáver de seu pai desaparecido, e parte com Cora e Hellboy para a capela mais próxima com objetivo de enterrar em solo sagrado o corpo de seu velho. Ao longo do caminho várias provações, serão lhe impostas, e tanto Cora como Ferrel, devem arcar com as conseqüências.
Já na capela, eles encontram o reverendo, e juntos terão que agüentar as provações impostas pelas bruxas locais e por Jeremiah Witkins, O Vigarista, que veio reclamar a alma de Tom Ferrel.
Nessa história, é a vez do folclore da região dos Apalaches dar o tom. Com lendas famosas daquela região dos EUA, com bruxas, demônios e macumba, O Vigarista é mais um excelente conto de terror do mestre Mignola.
Aqui, Hellboy deixa de ser o alvo principal das diabruras, e passa a ser coadjuvante, apenas assistindo Tom e Cora em suas jornadas. Os traços ficam por conta de Richard Corben, que apesar de fugir do estilo caricato imortalizado por Mignola, cai como uma luva no enredo, e bruxas, florestas e casarões ficam perfeitos sob suas mãos.
Com um ponto de vista diferencial, e sob a ilustração excelente de Richard, O Vigarista, foi premiada com o Eisner, como a melhor minissérie do ano.




Roteiro: Mike Mignola
Arte: Mike Mignola, Richard Corben, Duncan Fegredo
Editora: Dark Horse, Mythos Editora




segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Hellboy: Paragens Exóticas (Strange Places)

Mais uma vez o retorno à espinha dorsal do destino de Hellboy. Depois dos eventos de O Verme Vencedor, Hellboy fica de saco cheio de tantos problemas em sua vida, e pede demissão do BPDP (Bureau de Pesquisas e Defesa Paranormal). Disposto a descansar, ele parte para a África e para o onde os ventos o levar. O que ele não sabia, era que eventos importantes para o seu destino estavam esperando por ele lá. Ao se encontrar com o xamã Mohlomi, esse o envia para uma viagem de auto afirmação e de segredos revelados. Um Xamã ancestral, criaturas falantes, duendes, sereias, e o próprio guardião da história oculta do universo, são apenas umas das personalidades que Hellboy irá se deparar nessa viagem.

       O Terceiro Desejo

A história começa com três sereias, pedindo três favores para a bruxa marinha Bog Roosh. Ele concorda em conceder os desejos, desde que elas lhe façam um favor: pregar um prego, na cabeça de seu inimigo.
Hellboy esta viajando pela África, e se encontra com um lendário xamã: Mohlomi. Depois de uma estranha conversa, na qual o xamã revela saber muito sobre a vida e o destino de Hellboy. Depois de uma noite de sono, e estranhos pesadelos,  Hellboy acorda numa praia, onde o xamã avisa que ele recebeu um chamado do mar. Mohlomi, diz para Hellboy, que ele está diante da mais fundamental encruzilhada da sua vida, e todas as suas vias, conduzem a Paragens Exóticas. O Xamã acaba de enviar Hellboy, em uma estranha viagem, onde mais do seu passado e seu destino, lhe será revelado. Uma gigantesca onde cai sobre os dois, e traga Hellboy para o fundo do mar. Uma vez dentro d’água, três sereias o atacam, cravando-lhe um prego na testa.
Hellboy acorda dentro de um covil nas profundezas do oceano, e lá é mantido prisioneiro da bruxa Bog Roosh, que com medo do destino do monstrengo, pretende esquarteja-lo e mandar seus pedaços para Baba Yaga, e Hecate, enquanto sua mão deve ser engolida pelo mais antigo cetáceo do oceano.
As três sereias, exigem seus desejos, e Bog Roosh lhes concede, porém não maneira como elas esperavam. A única sobrevivente das três, havia desejado apenas uma lança para honrar o túmulo de seu pai.
Enquanto isso na superfície, os duendes e outros habitantes das profundezas – os mesmos que ajudaram Hellboy em O Cadáver – estão discutindo se devem ou não tentar salvar, o demônio, uma vez que ele já renegou seu destino.
Porém essa missão, cabe a sereia, que depois de censurada pela alma de seu pai, viu que não teve glória nenhuma em sua ação, e pretende remediar a situação. Por outro lado, o medo que Bog Roosh, tem de Hellboy é tão intenso, que ela está disposta a fazer qualquer coisa, para se livrar do destino que Hellboy pode trazer para o mundo.
Mignola que já se “aventurou” em colocar Hellboy, na Europa, e até Japão, agora transporta o demônio para o fundo do mar, com uma rápida passagem pelo continente africano. A parte inicial da história, mostra Hellboy conversando com um Xamã, nas savanas africanas. O xamã, Mohlomi realmente existiu, e a bananeira assombrada, Anansi, e a cesta e o morcego, são todas lendas africanas.
A segunda parte da história, mostra um novo ambiente no universo de Hellboy: o fundo do mar. Mignola, que já mostrou apreço pelas sereias, usando-as em diversos contos, agora fazem delas as protagonistas dessa trama, criando mais uma poderosa bruxa para combater Hellboy. O fundo do mar - assim como todos os outros ambientes – cai como uma luva sob os traços de Mignola, e é justamente a falta de detalhes, sob a presença de criaturas no mínimo bizarras, que dão a impressão de imensidão e mistério que o mar possui. A história é baseada em “A Pequena Sereia” de Hans Christian Andersen.


          A Ilha

Continuando a jornada em que Mohlomi o enviou, Hellboy está vagando ao léu, em meio de destroços de navios, quando encontra um bar com legítimos homens do mar, e bebe rum com eles. Depois de uma boa canção, Hellboy se depara com nada somente esqueletos, e uma taverna abandonada. Nesse instante, Hecate aparece para ele, e convida Hellboy a se juntar a ela. Porém, mais uma vez as coisas distorcem, e Hellboy se vê diante de uma estranha mansão em alto mar.
Em vislumbres do passado, a história mostra que lá, centenas de anos atrás, um padre e diversos cavaleiros, estavam exorcizando um estranho profeta, mas que no momento em que lhe cravaram as lanças, um sangue dourado escorreu de seu corpo. Agora esse mesmo sangue dourado,  deu origem a um gigantesco deus peixe, que Hellboy acaba tendo que enfrentar, antes de destruir a criatura porém, Hellboy é ferido e lançado nos escombros da mansão.
Um novo flashback, mostra o sacerdote ferido conversando com o padre, contando que os ferimentos não baniram a criatura, mas libertaram-na, e o sangue do sacerdote isola a mansão, trancafiando e matando a todos lá dentro.
Hellboy está sangrando, e o seu sangue se assimila ao corpo do sacerdote, lhe concedendo novamente a vida. Agora novamente vivo, o homem conta toda a história do início do mundo.
Vivente ainda na época de ouro de Tenochtitlan – capital do império Azteca – ele encontrou nas câmeras subterrâneas da cidade arrasada, três placas de ouro contendo toda a história secreta do mundo. Depois de as placas terem sido destruídas, ele era o único que sabia o que elas continham, e depois de ter sido feito prisioneiro dos espanhóis, foi resgatado por uma organização que buscava o conhecimento e levado para aquela mansão. Agora ele próprio fazia parte do tesouro ancestral do mundo, e narra a Hellboy essa história.
Desde a autogênese de Deus, a criação dos espíritos, e quantos espíritos foram enviados a Terra. Quando um desses espíritos lançou a mão aos céus, trazendo o fogo, e criando Ogdru Jahad, e quando a noite recaiu sobre a escultura, e as trevas lhe adentraram, dando vida ao demônio. De seu corpo, Ogdru Jahad, expeliu as primeiras criaturas do mundo, os Ogdru Hem. Essas temíveis criaturas entraram em conflito com os espíritos, e dessa batalha, apenas Ogdru Jahad saiu vivo. O mesmo espírito que o invocou, usou a mesma mão que criou o dragão, para aprisiona-lo no abismo. Os outros espíritos se voltaram contra ele, e o destruíram, porém não conseguiram destruir a sua Mão Direita! Nesse momento, seu próprio criador se revoltou com as criaturas, e os baniu para o abismo, ou para os confins da Terra, dando origem aos monstros, quanto aos espíritos menores, estes se tornaram os humanos. O Povo Dourado, como ficaram conhecidos, fizeram da hiperbórea sua primeira cidade, e o rei Thoth construí uma estátua, na qual incorporou a Mão Direita, do espírito. Toth porém sucumbiu ao poder das trevas, e começou a adorar a Deusa das Trevas. A estátua revoltada com aquilo que via, desceu de seu pedestal e impôs sua fúria contra o povo da cidade, depois se lançou ao abismo, onde se estilhaçou... com exceção da Mão Direita, que permaneceu novamente ilesa. O sacerdote ainda conta que todos os Ogdru Hem, ainda estão vivos, apenas isolados pelo mundo, e Hellboy se dá conta que os “sapos” que ele enfrentou na Mansão Cavendish, são membros dessa raça.
O sacerdote resolve destruir Hellboy, e se transforma num monstro gigantesco, porém antes da luta, o corpo do padre que havia morrido na época do exorcismo, se levanta e em nome de Deus completa o ritual, destruindo de uma vez por todas o sacerdote. Perto dali, Mohlomi conversa com Hecate, e diz que seu trabalho terminou, e que ele está pronto para ir embora com a Deusa das Trevas.
Um epílogo, mostra o rei dos duendes e as outras criaturas do fundo da terra – aquelas que ajudaram Hellboy em O Cadáver – conversando mais uma vez sobre o destino do Hellboy. Gruagach porém nutre de um ódio supremo por Hellboy – Grugach foi engolido por Grom, e agora faz parte do seu corpo, na história “O Cadáver” – e deseja a todo custo a morte de Hellboy, e mesmo com as censuras por parte do rei dos duendes, ele está disposto a invocar os deuses do conflito para sua batalha pessoal.




Roteiro: Mike Mignola
Arte: Mike Mignola
Editora: Dark Horse, Mythos Editora




domingo, 26 de dezembro de 2010

Hellboy: O Verme Vencedor (Conqueror Worm)


Uma minissérie sem ligações imediatas com a cronologia de Hellboy, mas uma excelente história que traz de volta alguns personagens e conceitos, do mundo do vermelhão.
A história começa no passado, mostrando nazistas se preparando para enviar um foguete ao espaço, porém mesmo conseguindo realizar essa façanha, eles são atacados por Lagosta Johnson – um famoso personagem fictício, que Hellboy acredita que existiu – e o topo do castelo explode matando todos lá dentro. Agora o governo descobriu, que um projétil nazista – o mesmo lançado naquela época – está retornando à Terra, e seu destino é o mesmo Castelo Hunte de seu lançamento. Pra investigar, são enviados Hellboy, Roger – o homúnculo de “Quase um Deus” – e Laura Karnstein, uma policial austríaca que servirá de guia.
Porém ao chegarem perto das redondezas do castelo, são atacados por uma metralhadora, Roger cai no abismo, enquanto Hellboy ferido é preso no castelo. A traidora Laura, na verdade é Inger Von Klempt, neta do lendário Herman Von Klempt – a cabeça voadora. Roger é salvo por ninguém mais ninguém menos que o próprio Lagosta Johnson, e os dois partem para salvar Hellboy.
Hellboy se depara com o fantasma de um alienígena, que lhe conta que no espaço existem criaturas amorfas, extremamente poderosas, que ficam simplesmente vagando a deriva, esperando uma oportunidade para expurgar a humanidade, e que os nazistas enviaram a nave para o espaço, contendo um morto, para uma dessas criaturas se anexar ao seu povo. Von Klempt revela para sua neta, que essa criatura vai devastar a Terra, e cabe a ela assistir a destruição de camarote. A criatura escapa da nave, e assimilando vários corpos, se transforma em um gigantesco verme, e Herman Von Klempt, parte para assistir a batalha, entre ela e Hellboy. Enquanto isso, o espírito de Rasputin, convence Inger, a se juntar a ele para dar continuidade aos seus planos.
Em uma batalha que parece ser impossível a vitória de Hellboy, Roger se oferece para aprisionar a criatura dentro dele, para que depois Hellboy lhe destrua. O plano surte efeito, e Roger consegue aprisionar a criatura dentro de si, porém Hellboy se recusa a matá-lo. Os planos de Rasputin são mais uma vez, frustrados por Lagosta Johnson que encontra Inger e a mata. Roger se joga de um abismo, segurando e estilhaçando a cabeça de Herman Von Klempt, dando fim ao vilão. Depois o Lagosta, ajuda Hellboy a exterminar o verme com um relâmpago, salvando assim a vida de Roger, mas quando vão agradecer a ajuda, se deparam com o corpo de Lagosta Johnson, morto a muitos anos.
Um epílogo, mostra Hécate discutindo com Rasputin, e eliminando-o de uma vez por todas... Isso se não levar em conta que Baba Yaga, pegou o último resquício de vida do monge, e guardou consigo...
Em o Verme Vencedor, temos mais uma excelente história sobre Hellboy, que embora não seja crucial para a sua cronologia, traz de volta dois grandes personagens do seu universo: o vilão Herman Von Klempt, a cabeça maluca, que apesar de aparentemente destruída, deixa expectativas quanto ao seu possível retorno; e Roger, o homúnculo que conquistou a todos, nos eventos de Quase um Deus, e segue novamente agradado ao fãs de Mignola, com seu jeitinho “franksteniano” de ser: um monstro, que repudia sua natureza, trilhando seu próprio caminho, buscando uma identidade e um propósito.
Aqui Mignola, cria uma história bem sua, com poucas influências de lendas e mitos, criando um roteiro bem original. Porém não podemos ignorar as referências literárias. Ele que já se mostrou fã de Poe, e Lovecraft, aqui faz mais uma homenagem aos dois. Nos momentos de maior tensão, a história é narrada pelo próprio Edgar Allan Poe, através do seu conto “Ligéia”. Já Lovecraft se mantêm presente, sob a existência dos mitológicos monstros que habitam os confins do espaço, e que guardam a chave do apocalipse. O verme que Hellboy enfrenta, um monstro tentacular gigantesco, é só mais uma das criaturas existentes no panteão craftiniano.

  

Roteiro: Mike Mignola
Arte: Mike Mignola
Editora: Dark Horse, Mythos Editora






Hellboy Edição Histórica Vol. 04: A Mão Direita da Perdição

Depois de dois encadernados contendo histórias vitais para a vida de Hellboy, O Caixão Acorrentado, foi uma coletânea de histórias separadas entre si, mas que de uma forma ou de outra enriqueciam o mundo do herói. Agora A Mão Direita da Perdição, volta pra dar continuidade a saga de Hellboy. Precedida de 6 histórias curtas, A Mão Direita da Perdição, e A Caixa do Mal, são as seqüências dos fatos crucias da vida de Hellboy, que tiveram início em 1944 quando o pequeno demônio foi invocado por nazistas, e tiveram maior relevância nos eventos ocorridos na Mansão Cavendish.
          Panquecas

Um curta de duas páginas, mais pra distrair do que pra qualquer outra coisa. Conta como Hellboy ainda criança, reagiu ao experimentar panquecas pela primeira vez, e como isso foi um pesadelo para sua família real.

    A Natureza da Fera

Reza a lenda, que a centenas de anos atrás, um dragão aterrorizava a floresta de Horshaw, matando animais e crianças. Um dia, um monge armado de apenas uma espada, se aventurou a enfrentar a temível criatura e a baniu para as profundezas. Durante a batalha, ele foi ferido, e devido a natureza santa do bom monge, os locais onde seu sangue pingou, nasceram lírios. Agora a ameaça está de volta, e o monge já morreu a muitos anos, portanto cabe a Hellboy dar novo fim a fera.
A inclusão de mais um monstro lendário, ao bestiário de Hellboy, vem também como uma demonstração da natureza de Hellboy. A propósito, o nome do conto se refere a isso, pois ao término da batalha, uma gota de sangue cai das mãos de Hellboy, e no local, nasce um lírio.

            Rei Vold

Hellboy é mandado pelo seu mentor, até a Noruega, porém numa missão acadêmica, onde Hellboy deve acompanhar o professor Edmond Aickman, em visitas pelo local. Passando por paisagens, que supostamente algum dia foi palco de eventos sobrenaturais, Hellboy se vê entediado com aquele passeio. Porém, no topo de uma montanha, eles se deparam com o Rei Vold, um rei decapitado que cavalga os céus em seu cavalo, e é acompanhado por uma matilha de lobos.
 Edmond Aickman, que tinha em mente, unicamente desejos ambiciosos, aceita tomar conta de um dos cães de Vold, para ao amanhecer, ganhar sua recompensa. Ele usa Hellboy para tomar conta da fera, que se torna um lobisomem! Ao fim do dia, o rei Vold, retorna e se admira, e Edmond diz que ele fez tudo sozinho. Vold finge não reconhecer Hellboy, e paga a recompensa... mas com uma moeda que Edmond, não esperava. Ao partir, o Rei Vold se despede orgulhosamente de Anung Un Rama!
 Baseado na lenda norueguesa: “Caçador Voador”, entre outras.

             Cabeças

Hellboy está dormindo num bosque, quando uma pessoa o acorda, dizendo que não é seguro passar a noite ali, e convidando-o para a sua casa. Lá, Hellboy encontra outros viajantes, conversa um pouco e vai dormir. Ele acorda no meio da noite, e quando percebe, está sozinho... Dos viajantes restaram apenas os corpos, verdadeiros manequins sem cabeça. Para remediar a situação, Hellboy afunda os corpos nos lagos, e agora cabe a suas respectivas cabeças, encontrarem seus corpos antes do nascer do sol.
Basicamente ambientado em território europeu, Cabeças traz para o mundo de Hellboy o clima oriental. Embora uma história bem ligeira, a atmosfera nipônica fica evidente, enaltecendo sua arquitetura, e personagens, nessa lenda adaptada, que não perde em nada, na matéria de bizarrices para suas rivais européias.

Adeus Senhor Tod

Hellboy é chamado por uma assistente, de um vidente que invocava fantasmas. Algo dá errado, e o médium invoca algo mais perigoso do que devia...
Outra rápida história, que serve como uma ligeira homenagem a H. P. Lovecraft.

                 O Vârcolac

Hellboy vai até Yorkshire, e encontra em um castelo abandonado, uma vampira que ele procurava a mais de sete anos. Porém, antes de empalar a criatura, o chão de rompe e ele cai no subterrâneo do castelo.
Lá, a vampira, e outras criaturas da noite, estão esperando a chegada do Vârcolac, uma criatura tão antiga, e tão gigantesca, que pode engolir a lua, e ser a perdição de Hellboy. Porém, antes do monstro matar o Vermelhão, Hellboy acorda do torpor, e percebe que ainda está frente a frente com a vampira.
Uma história envolvente, que adapta a lenda do Vârcolac, uma criatura romena que pode ser um vampiro ou um lobisomem, capaz de engolir a lua e o sol, e causar eclipses na Terra. Apesar da “ilusão” vivida por Hellboy, o Vârcolac pode ser um dos seus futuros adversários definitivos.



 A Mão Direita da Perdição

Hellboy conversa com um padre, cujo o pai tentara-o matar desde que fora invocado. O padre conta que antes de o pai morrer, ele havia queimado todos os estudos feitos a cerca de Hellboy, mas que dentro da sua Bíblia, havia um pedaço de papel com uma inscrição um tanto quanto peculiar. Em troca do papel, Hellboy deveria lhe contar sua história. Depois de narrar todos os fatos ocorridos, após os eventos na mansão Cavendish, Hellboy vai embora, levando um pedaço de papel secular, onde um nítido desenho da sua mão, está destacado com inscrições em lemuriano ancestral que dizem: “Contemplem a Mão Direita da Perdição”.
A história que nomeia essa edição encadernada de Hellboy, serve mais como recapitulação para A Caixa do Mal, que é onde as verdadeiras explicações sobre o braço de Hellboy são dadas, e mais uma batalha crucial para o seu destino é travada.

A Caixa do Mal

A mais longa e importante história do encadernado, conta como Hellboy esteve a mercê da própria destruição, para desempenhar o seu papel maligno, mas que no fim das contas, mais uma vez provou a verdadeira “Natureza da Fera” – o segundo conto desse encadernado.
A história começa com o Sr. Heath chamando Hellboy as pressas. O fato, é que na noite passado um homem adentrou a casa de Heath, carregando um candelabro de forma de mão, quebrou a parede da sala, e saiu levando uma caixa e uma pinça, enquanto o Sr. Heath e os empregados permaneciam paralisados. Depois de averiguar corretamente, Hellboy descobre que a caixa e a pinça roubadas, pertenceram a São Dunstan – religioso inglês canonizado em1029 – que numa batalha contra um demônio, ele usou uma pinça de lareira ardente pra derrotá-lo e aprisioná-lo dentro da caixa.
O ladrão: Bromhead, que Hellboy já tinha colocado atrás das grades anos atrás, vende esse estranho material a um conde e uma condessa, que procuram libertar o demônio em busca de riquezas. Mas ao abrirem a caixa, a condessa é possuída pelo demônio – que na forma de uma mosca, entrou em sua boca – e o conde transformado em um macaco. O único que escapa é o Sr. Bromhead que usando um talismã de São Dunstan, fica imune ao monstro, e usa-se de seu verdadeiro nome para dominá-lo, e se tornar rico e poderoso.
Ualac, convence Bromhead, de que ele pode obter um poder ainda maior, se aprisionar Hellboy, e invocar seu verdadeiro poder para libertar Ogdru Jahad. Ao se deparar com Hellboy, Bromhead usa o verdadeiro nome da criatura: Anung Un Rama, para dominá-lo, e libertar sua verdadeira forma. Os chifres de Hellboy crescem ao seu tamanho real, e no topo deles uma coroa é materializada. Ualac, usa a coroa para atingir um poder supremo, e descobre que a mão de pedra de Hellboy é a chave para a invocação de Ogdru Jahad. Segurando a pinça de São Dunstan, Ualac a transforma em uma espada capaz de decepar a mão de Hellboy.
Perdido em devaneios e alucinações, Hellboy se depara com os mesmos duendes, que o ajudaram a encontrar a garota perdida – em “O Cadáver” – e eles se lembram de que Hellboy, havia abdicado de sua natureza maligna, portanto seu nome não era Anung Un Rama. Hellboy sai do torpor, e arranca os próprios chifres para lutar contra Ualac, que depois de derrotado escapa em forma de mosca.
Astaroth, aparece e recaptura a mosca para levá-la de volta ao Inferno. Hellboy se depara com o demônio e o entrega a coroa, abrindo mão de seu destino, Astaroth porém apenas diz que irá guarda-la, para quando ele a reclamar. Um epílogo final, mostra Hellboy conversando com Kate – sendo observado pelos duendes, que duas vezes já o ajudaram - revelando que seu passado ainda o incomoda, mas resolve esquece-lo por enquanto, e amassa o papel com as escrituras sobre sua mão – encontrado em “A Mão Direita da Perdição” – e lançando-o para o alto, mas antes de tocar o chão, um pássaro dá um rasante, e leva embora o papel...
Ao lado de Sementes da Destruição e O Despertar do Demônio, A Caixa do Mal é uma história indispensável da cronologia de Hellboy, e dá continuidade a sua saga, revelando mais do desenvolvimento dos fatos desencadeados na “Mansão Cavendish”.
Sem perder a tradição, essa história é recheada de referências mitológicas, lendárias e históricas. Como exemplos podemos citar: a Mão Inglória - um artefato feito a partir de uma mão humana, de um enforcado, untada com cera, que usada como candelabro, tinha a propriedade de paralisar todos no local, com exceção de quem a carregasse. Misticismo a parte, o fato é que esses artefatos macabros, já existiram, e alguns estão em exposição em museus da europa – e o próprio São Dunstan, você pode não ter ouvido falar dele, mas com certeza já ouviu que uma ferradura pregada na porta traz sorte. È graças a uma lenda, que diz que  ele pregou uma ferradura no casco de um demônio, e só a retirou depois que o demônio prometeu, nunca invadir uma casa com uma ferradura na porta.  
Além disso, outras referências teológicas e demonológicas – como os vários nomes de Deus em hebraico, e citações de vários demônios, príncipes do Inferno – e literárias, afinal de contas a mansão em que ocorre a batalha de Hellboy, acaba sendo citada como a própria “Casa de Usher” presente em um dos mais famosos contos de Edgar Allan Poe!




Roteiro: Mike Mignola
Arte: Mike Mignola
Editora: Dark Horse, Mythos Editora




sábado, 25 de dezembro de 2010

Hellboy Edição Histórica Vol. 03: O Caixão Acorrentado

Depois de duas histórias alucinantes contadas nas minisséries: Sementes da Destruição e O Despertar do Demônio, Hellboy Edição Histórica Volume 03, vem para dar uma freada na cronologia do monstrengo, e contas histórias aleatórias sobre a criatura, fazendo referências sobre seu passado, e unindo pontas que haviam sido deixadas soltas. Todos os contos de dessa edição, funcionam de maneira separada, sem necessitar um do outro, mas todos contribuem para a solidez da cronologia de Hellboy.

          O Cadáver

Hellboy é chamado para investigar o caso de um bebê, que se comporta de maneira completamente insana. Chegando lá, ele descobre que a criatura, não passa de um suplente – espécie de duende deixada no lugar de um bebe não batizado, que as fadas roubam, por não poderem gerar belas crianças. Depois de ameaçar a criatura, Hellboy é mandado até uma encruzilhada. Lá chegando, recebe de três duendes, a missão de enterrar um cadáver em solo sagrado – tarefa que eles não podem executar. Hellboy aceita, a missão e deve concluí-la até o amanhecer. Chegando em duas igrejas, ele se depara com os espíritos impedindo-o de concluir sua tarefa, uma vez que os cemitérios já estavam lotados, mas para chegar até a mais distante das igrejas, vai encarar alguns desafios, incluindo o confronto com Jenny Greenteeth – uma bruxa aquática da mitologia inglesa – e Grom, o Gigante Fomoriano – membro de uma raça que habitava a Irlanda ancestral – tudo isso até o amanhecer, se quiser de volta a verdadeira criança.
Uma história rápida e envolvente, considerada um dos melhores contos sobre Hellboy, repleta de referências mitológicas como: o Suplente, Jenny dentes verdes, a pedra saltitante, Imolgue-Fada, entre outras. A história se desenvolve rápida, e tem um desfecho bastante agradável. Destaque para os traços de Mignola, que se mostra insuperável na ilustração de: sepulturas, igrejas, arvores velhas, e paisagens sombrias.

      Botas de Ferro

Um curta de seis páginas, que mostra um rápido embate entre Hellboy e o duende Botas de Ferro. Usada, para completar uma edição de Hellboy, Botas de Ferro nada mais é que, um material extra, que Mignola se utiliza do prólogo de médiuns, para contar a história de uma famosa criatura inglesa.
Jack In Irons é um gigante assassino que assombra estradas abandonadas, e mata quem encontrar pelo caminho. A lenda utilizada por Mignola, na verdade é a do Red Cap, um duende que habita castelos abandonados na Inglaterra e Escócia, e mata quem atravessar seu caminho, pois precisam sempre de sangue humano, para manter suas boinas vermelhas, caso contrário, eles próprios morrem. É também “mitologicamente” conhecido, que demônios e outras entidades malignas, tem medo de ferro, o que faz do Botas de Ferro, uma criatura extremamente poderosa!


Baba Yaga

Conta como Hellboy conheceu Baba Yaga. Em O Despertar do Demônio, é mostrado que Baba Yaga – a bruxa mais famosa do folclore Russo – tem uma rixa em especial com Hellboy, e quer se vingar. O fato é que Hellboy já havia entrando em confronto com a bruxa, e atirado em um dos seus olhos, banindo – a por uns tempos – porém, mesmo desaparecida, durante um ano a primavera não floresceu, e todas as crianças nasceram cegas de um olho.
O curta foi utilizado para integrar a bruxa no mundo de Hellboy. Baba Yaga, é uma velha que voa pela Rússia em um almofariz, e apaga seus rastros com uma vassoura. Ela tem uma cabana, que pode se mover, pois é dotada de pés de galinha, e as cercas são construídas de ossos humanos, e iluminada por lanternas de crânio. As lendas sobre Baba Yaga, são estranhas e contraditórias, e ora uma bruxa benfazeja, acabou se tornando com o tempo uma entidade maligna. Entre as manias da velha bruxa, está à de invadir casas e contar colheres!

         Natal Subterrâneo

Hellboy vai investigar o caso de uma garota que desapareceu a cinco anos, no cemitério da própria mansão. A mãe da garota, já em seu leito de morte, entrega uma caixa para que Hellboy dê para a garota, achando que ele é na verdade o Papai Noel. Depois de descobrir, que existiam túmulos não cristãos no cemitério, Hellboy vai investigar e descobre em um túmulo antigo, uma escadaria para o fundo da terra. Lá ele encontra a garota, mas vivendo num mundo mágico, e belo, casada com um príncipe invisível. Hellboy, dá o presente prometido, que guarda um crucifixo, e ao ser exposta a relíquia sagrada, quebra todo o encanto do lugar, revelando sua verdadeira natureza. A garota está livre para descansar em paz com sua mãe, mas Hellboy ainda tem que encarar a verdadeira forma do príncipe invisível.
Outro conta baseado em lendas européias, mas não pode se deixar de lado a comparação com o eterno clássico de Lewis Carroll.

       
      O Caixão Acorrentado

Um conto que remete ao passado Hellboy. Depois dos eventos acontecidos na Mansão Cavendish – em Sementes da Destruição – Hellboy decide voltar na velha igreja onde ele foi invocado. Lá em meio a pesadelos e visões, ele tem um vislumbre dos eventos ocorridos a tanto tempo atrás. Uma velha bruxa, em seu leito de morte, se confessa e pede a Deus perdão pelos seus pecados, depois instrui seus filhos, para que após sua morte, acorrentem seu caixão, e guardem ele durante três dias, para livrar sua alma do demônio para a qual ela tinha se entregado. Depois da sua morte, o caixão é acorrentado, e o demônio vem reivindicar sua alma. A mulher anseia por perdão, mas o demônio lhe convence, que ela está esperando o seu filho... o seu filho favorito, e nesse instante os seus olhos se fixam em Hellboy!!!
Conto clássico, que foi adaptado pra dar mais vida ao passado de Hellboy.


 Os Lobos de Santo Agostinho

Um padre vai para um vilarejo, onde à muitos anos uma missa não é celebrada. Se deparando com a igreja abandonada, ele começa os preparativos para celebração da páscoa. Porém, um dos ajudantes do local, manda o padre embora do local, afirmando que Deus abandonou o local. Após a recusa do padre, ele o leva até os andares inferiores da igreja, onde a antiga família real está enterrada. Ao abrir o túmulo o padre se depara, com cadáveres caninos, e é atacado pelo ajudante, que se transforma em um lobisomem!


Hellboy vai ao local para investigar  a morte do padre e descobre que lá, fora palco de um massacre de todo o povoado a mais de 800 anos. Sem pistas do que aconteceu, a Dra. Kate Corrigan, conta uma lenda, sobre um sacerdote que a centenas de anos atrás, havia amaldiçoado a família real - depois de se deparar com rituais pagãos – condenando-os a se transformarem em lobos, a cada sete anos. As pessoas do vilarejo, descobriram sobre a maldição e mataram toda a família.
Juntando as peças, os dois descobrem que William – o servente do padre - um serviçal da família na época, foi o único sobrevivente da chacina, e praticou a chacina do vilarejo, incluindo a morte do padre. Além disso, os espíritos das pessoas, que ele matou estão aprisionadas no castelo, sem poderem deixar o local. Cabe a Hellboy por fim a essa maldição.
Com tantas referências mitológicas, estava faltando os lendários lobisomens, para a mitologia de Hellboy. Bom, agora não mais!

        Quase um Deus

Em O Despertar do Demônio, Liz cede seu poder a um homúnculo, dando vida a tal criatura que acaba fugindo, deixando-a a beira da morte. Quase um Deus é a continuação dessa história. Liz está a beira da morte, e mesmo não tendo nenhum mal fisicamente, a vida parece se esvair dela. O fato é que o poder pirogênico de Liz, é o que dá a vida a ela, e depois que ela o cedeu a criatura – de fato o fez, pois queria se livrar  de sua maldição – não há nada que possa ser feito. Hellboy é mandado para procurar o homúnculo, e recuperar o poder de Liz de volta. Ele vai investigar uma região, em que centenas de corpos foram roubados, de seus túmulos nos últimos anos. Enquanto isso, o homúnculo, atormentado pelo fato de ter roubado a vida da garota de fogo, vaga solitário pelo mundo em busca de redenção. Nessas peregrinações, ele encontra seu irmão! Isso mesmo, um outro homúnculo. Seu irmão conta que ambos foram criados pelo mesmo homem, que os criou mas depois os abandonou, mas que já tinha se vingado de seu criador.
Os planos dele agora, se baseiam na construção de um homúnculo gigantesco, e que os dois se unam e tornem uma criatura apenas. Porém, seus planos não contam com a colaboração de seu irmão, que não é maligno, e agora sob posse de seu gigantesco corpo, parte para se vingar de seu irmão e de Hellboy. Além de escapar da gigantesca criatura, Hellboy ainda tem a missão de levar Roger – como Hellboy batizou o homúnculo – com vida, para tentar salvar a vida de Liz.
Um dos melhores contos da revista, conta que destino levou outro excelente personagem criado por Mignola, Roger que agora passa a fazer parte da equipe de Hellboy.
Esse conto foi baseado em uma história escrita por Clark Ashton Smith, mas fica evidente as raízes vindas de Frankstein de Mary Shelley, principalmente a solidão do monstro, e a busca por redenção, uma vez que não teve uma vida passada. As cenas sob os relâmpagos, são o toque de mestre de Mignola, numa homenagem aos filmes de James Whale.







Roteiro: Mike Mignola
Arte: Mike Mignola
Editora: Dark Horse, Mythos Editora



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Hellboy Edição Histórica Vol. 02: O Despertar do Demônio


A continuação de Hellboy, não deixa o ritmo cair, e vem repleta de ação, terror e revelações.
Giurescu
O Despertar do Demônio, começa com o grupo nazista – o mesmo que tinha participado do Projeto Ragnarok – ganhando a liberdade, depois de anos congelados em um laboratório secreto no norte da Noruega. Depois de livres, eles partem para a América, onde roubam o corpo de Vladimir Giurescu de um museu, e o levam de volta para a Europa, a equipe de Hellboy é mandada para investigar a região. Ilsa Haupstein, uma das integrantes do Projeto Ragnarok, tem projetos de reviver seu amado Giurescu - um vampiro que foi usado em planos Nazistas, e depois traído e assassinado por Hitler – em busca de vingança contra toda a humanidade. Descobre-se que o mentor do Projeto Ragnarok – o mago que invocou Hellboy – é na verdade, Grigoriy Yefimovich Rasputin, que depois de morto por Abe Sapien, agora não passa de um espírito. Hellboy, em sua batalha contra Giurescu, descobre que esse se tornou vampiro, depois de ter a alma oferecida a antiga Deusa Hecate – uma lâmia, que viveu nos tempos da Hiperbórea – e acaba comprando briga com a mãe do vampiro também. Enquanto isso, Rasputin segue tramando, e planeja transformar sua pupila Ilsa, na encarnação da própria Hecate, enquanto almeja a destruição de Hellboy, que renegou seu passado. Nessa batalha, com demônios antigos, espíritos e vampiros, mais do passado de Hellboy vai sendo revelado, como seu verdadeiro nome: Anung Un Rama...! Longe dali, em outro castelo, Liz e seu parceiro, encontram esquecido em um laboratório alquímico, um  homúnculo – um humanóide criado artificialmente – aparentemente sem vida. Liz, porém acaba tocando e cedendo seu poder a criatura, que cria vida e escapa, deixando Liz a beira da morte. Depois do desfecho, um capítulo especial mostra que Rasputin, é na verdade um mero peão, utilizado pela mitológica Baba Yaga – uma bruxa do folclore europeu – mas que renuncia a morte, e opta por vagar o mundo, a procura de um objetivo mais concreto, Baba Yaga por sua vez, continua com os planos de ressuscitar Ogdru Jahad, e se vingar de Hellboy pelo seu olho...  
A narrativa fantástica de Mignola, casa perfeitamente com seu traço original, criando em Hellboy, algo único digno de uma obra de arte. Destaque para os cemitérios, maquinários, correntes, velas e instrumentos de tortura medieval, que sob o traço de Mike, parecem ser mais sinistros do que na verdade são.
Hecate
O primor da obra, também se encontrar não só na estética, ou na estrutura do texto, mas na mente de Mignola, que cria uma história maravilhosa, se utilizando de mitologias, e lendas a muito conhecidas. Além das referências claras a mitologia grega e nórdica, personagens reais também fazer sua participação, como é caso da rápida referência a Elizabeth Bathory – uma condessa húngara, que matava suas servas, com requintes de crueldade e se banhava em seu sangue, em busca do rejuvenescimento – e o próprio Rasputin – mais conhecido como Monge Louco, suposto realizador de milagres, que acabou se integrando a corte real, para depois de atos indecorosos, ser condenado e assassinado, tentativa essa que precisou ser realizada mais de uma vez! – que aqui passa a ser um vilão efetivo da série. As lendas também se fazem presente, a termos como Feiticeiras da Tessália – malignas bruxas da Grécia, que praticavam rituais macabros, com sacrifício humano – Hecate – deusa da noite na mitologia romana – e Baba Yaga – uma bruxa mitológica do leste europeu, que mora em uma cabana construída num pé de galinha gigante. A princípio era uma entidade benfazeja, mas foi ganhando aspirações malignas com o tempo. Somando tudo isso, ainda sobra espaço para os personagens originais brilharem, destaque para o icônico e engraçado Hellboy, ou a sombria e misteriosa Liz, o contido Abe, e para o fantástico: Herman Von Klempt, uma cabeça engarrafada que integra a galeria de vilões de Hellboy, mas que fugindo dos projetos diabólicos, se atem ao vilanismo clássico, no melhor estilo: “Vamos dominar o Mundo!!!”
Baba Yaga
Com tantas referências mitológicas, e regionais, um Glossário serve como guia de consulta, e uma referência histórica, uma vez que muitos dos castelos, locais, e personalidades, são reais, datados da segunda guerra mundial.





Roteiro: Mike Mignola
Arte: Mike Mignola
                                                      Editora: Dark Horse, Mythos Editora