segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Nevoeiro (The Mist, 2007)


A sociedade é um grupo de pessoas que compartilham ideologias, costumes, gostos e propósitos, e são regidas por aquilo que chamamos de lei, ou mesmo ética! Mas o que acontece quando a sociedade perde o amparo da lei, e é assolada pelo pânico? É essa a resposta obtida, por quem assistiu: O Nevoeiro.
Esse é mais  um dos contos de Stephen King que chegou aos cinemas. Com adaptações fracas e insossas e outras boas e magníficas, e é sempre uma incógnita saber o que se esperar delas, e de O Nevoeiro? Dirigido pelo excelente Frank Darabont – atual diretor da série The Walking Dead – é sem sombra de dúvida a melhor adaptação do autor para o cinema, ficando ao lado de: A Espera de Um Milagre e Um Sonho de Liberdade, todas dirigidas pelo mesmo Darabont – que devia dirigir toda e qualquer adaptação de King.    
O filme conta a história de um vilarejo que depois de uma tempestade é atingido por estranho nevoeiro. Até aí tudo bem, o problema é que esse estranho fenômeno traz consigo uma horda de criaturas bizarras e letais, que mata qualquer um que se aventura a perambular pela névoa. Com isso, um grupo de pessoas ficam presas dentro de um supermercado, e é aí que os problemas começam e levanta no ar uma singela dúvida: Onde é mais seguro? Do lado de fora, na névoa? Ou dentro do mercado com as outras pessoas?
King que adora suscitar o poder psicológico – como em Carrie a Estranha ou O Iluminado – encontra em Darabont um diretor perfeito. Os monstros acabam ficando em segundo plano, e a grande sensação do filme é ver como a sociedade vai se degradando com o passar do tempo e sem respostas, e tudo é conduzido meticulosamente. No início todo mundo é bom e fraterno, mas à medida que as horas vão passando a tensão vai aumentando e o pânico começa a afetar a rotina das pessoas. O suspense é o ponto alto do filme, e o destino incerto das pessoas que fugiram do supermercado fica martelando a cabeça do expectador – o que aconteceu? Será que elas estão vivas? – por outro lado o destino mais que certo de algumas – como a morte cruel do motoqueiro ou do empacotador  - traz de volta o medo de se arriscar do lado de fora. Em uma batalha constante do bem contra o mal, até a religião é criticada ferozmente - e mostra como o ser humano é frágil quando se vê perante o desconhecido buscando respostas em qualquer lugar - quando a Sra. Carmody (Márcia Gay Harden) uma fanática religiosa com devaneios apocalípticos, passa de louca, a líder espiritual formando a sua própria seita dentro do supermercado em questão de horas.  
A direção não acerta só no roteiro, câmeras bem trabalhadas, e criaturas bizarras consagram Darabont, que tem ao seu lado um elenco que superou as expectativas. Thomas Jane – o péssimo Frank Castle de O Justiceiro – surpreende no papel de David Drayton, um pai que tem que fazer de tudo para proteger o filho, inclusive disfarçar seus próprios temores com relação a sua esposa e mãe do garoto. Ao seu lado estão Laurie Holden que é Amanda Dunfries e Toby Jones que da vida a Ollie Weeks, um gerente do supermercado que mostra que quando a situação aperta é mais fácil matar do que perder a vida. Em meio a todos esses bons personagens quem acaba roubando a cena é Márcia Gay Harden, que como Sra. Carmody dá um show de interpretação.


Outro fator que não pode ser ignorado é a influência que a literatura de H. P. Lovecraft tem na escrita de Stephen King, e O Nevoeiro também acaba se tornando um excelente filme para os fãs Craftianos, que além de todo o horror desconhecido, insetos com rosto humano e tentáculos, tem como brinde a visão de um gigantesco monstro  tentacular que pode só pode ter nascido da mente de Lovecraft.   
O Nevoeiro não é só a melhor adaptação de um conto de Stephen King, mas é também um dos melhores filmes de suspenses ou sobre a sociedade já feitos, e Darabont além de dirigir dá seu toque de mestre no final do filme, criando um desfecho – que não existe no conto original – tão forte e poderosamente trágico  que vai corajosamente contra as tradições de Hollywood, e vai surpreender qualquer um que assistir.
Pra encerrar vai aí um dialogo do filme que resume toda a obra: “As pessoas são boas. Somos uma sociedade civilizada...”, “...Claro. Contanto que as máquinas funcionem e o 190 atenda. Tire isso, deixe tudo mundo no escuro e assustado e as regras se vão.


Direção: Frank Darabont
Roteiro: Frank Darabont, Stephen King (Conto)
Duração: 126min
Distribuidora: Paris Films, Darkwoods Productions, Dimension Films




4 comentários:

  1. Nossa, mano! Nem sabia que era obra de Stephen King... Ok, não muda minha opinião! Que filme toooooosco! Que ódio! Até agora não consigo me conformar com um final daqueles, argh! rs

    Tudo ía tão massa e divertido até que... Sério mesmo que acabou daquele jeito? Que irônico! E até agora não entendi o que foi feito com os insetos gigantes e grotescos. As Forças Armadas conseguiram mesmo eliminar todos? Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh... Eu te odeio! Até continuo preferindo os de zumbis... rs

    No mais, curti a crítica. Você me enche de orgulho, garoto! Mesmo me induzindo a assistir filmes que me revoltam. rs

    =***

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    1. mais é ai q ta agraça, não saber o q acontece depois, esse filme nos ensina um monte de lições, no final ele mostra a importancia de nunca desistir, mostra q nos homens somos naturalmente cruel...efim o filme é show, não gosta é um direito seu, mas dizer q o filme é tosco, talvez o tosco possa ser a forma de como vc viu o filme

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Eu achei esse filme simplesmente demais.
    Uma das poucas adaptações dos livros do King que deram certo.
    O final é de cair o queixo de qualquer nerd sabe tudo.
    Até mais.

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