terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Hobbit (The Hobbit, 1937)


A obra prima que definiu o gênero fantástico.
Bilbo Bolseiro é um pacato morador do Condado, um Hobbit, uma criatura inofensiva que passa toda a vida na mesma velha rotina. Isso muda quando, seu amigo, o mago Gandalf e mais uma companhia de anões batem em sua porta, e o levam numa aventura, que mudará suas vidas. Eles partem para a Montanha Solitária, onde habita o terrível dragão Smaug, atravessando as Montanhas Cinzentas e a Floresta das Trevas, eles são perseguidos por orc’s e outras criaturas, numa viagem alucinante pela Terra Média. Nessa viagem Bilbo herdará um prêmio que pode mudar todo o destino do mundo!
Além de criar o gênero fantástico, Tolkien é um dos maiores narradores de todos os tempos, e foi um verdadeiro bardo. Ele conta toda a jornada de Bilbo de forma lenta e cativante, valorizando ao máximo os personagens e mais do que tudo o cenário em que eles se encontram. Ao contrário do que acontece em centenas de livros de fantasia atuais, onde as viagens se desdobram rapidamente, as travessias nas crônicas de Tolkien são maçantes e cansativas – para os heróis – mas completamente envolventes para o leitor. Ele trabalha minuciosamente cada parte do cenário. Em o Hobbit, os arredores e as fronteiras do condado vão aos poucos deixando de ser um cenário acolhedor para se tornarem uma terra estranha e ameaçadora, e quando você menos espera, está dentro de uma floresta, diante de uma família de trolls! E isso é só o início, espere até a chegada das montanhas e da floresta negra.
Todos os personagens são cativantes, e mesmo com tantos anões no grupo, você pode definir qual você gosta mais ou menos, a Gandalf cabe o papel de sábio, e guia, mesmo não estando tão presente na história! E a Bilbo resta o papel de protagonista e herói da história. Falar dos personagens de Tolkien é uma injustiça, pois não se pode falar de todos sem esquecer ninguém, e todos em sua história são importantes e carismáticos, isso passando pelo malfadado Smaug ou pelo misterioso homem urso Beorn.
O Hobbit angariou milhares de fãs após seu lançamento, e se tornou um dos livros mais influentes de sua geração. Com ele, Tolkien ao lado de Robert E. Howard, o pai de Conan, basicamente criou o que chamamos hoje de literatura fantástica. A influência de o Hobbit na cultura pop é tão forte, que raças “criadas” por Tolkien, como anões e elfos, acabaram se tornando tendência, e se aventurar em terras perigosas e ermas em busca de tesouros esquecidos é marca registrada de qualquer história fantástica.
Tolkien, um mestre na arte de contar história... E se isso foi só o Hobbit, Tolkien nem podia imaginar o que ele ainda estava destinado a escrever...



Escritor: J. R. R. Tolkien



segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Centurião (Centurion, 2010)


Fugindo do contexto das grandes produções épicas, Centurião com um estilo próprio se sobressai no underground.
Em 117 A. C. Roma está expandindo seu império, superando várias fronteiras, no entanto nas fronteiras do norte, os Pictos não pretendem facilitar essa ocupação e farão de tudo para impedir o avanço de Roma. Depois de capturado, o centurião Quintus Dias ( Michael Fassbender) consegue fugir do domínio de Gorlacon ( Ulrich Thomsen), um sanguinário líder dos Pictos, e se encontra com um pelotão romano destacado para aquela região. Novamente em campo de batalha ele e o pelotão se vêem vitimas de uma armadilha, que acaba no massacre do pelotão e na captura do General Titus Flavius Virilus ( Dominic West). Agora Quintus Dias e alguns poucos sobreviventes, terão que arriscar suas vidas para salvar Virilus, e pior de tudo, sobreviver em território inimigo, sendo caçados por uma rastreadora infalível.
Centurião se desenvolve simples e sem pretensões, e em momento algum tenta se impor. Essa é a melhor característica do filme, com um roteiro simples e o drama deixa espaço para a ação. A história de Quintus Dias não é uma história de glórias e grandes conquistas, é basicamente uma história de sobrevivência. Em território inimigo ele e seus companheiros são caçados implacavelmente pelo rastreadores Pictos, e precisaram de todas as suas forças e habilidades para vencer. E aí que a ação entra, cenas de batalhas são constantes, e mesmo sendo um filme B, a coreografia das lutas impressiona, e a violência reina soberana. A grande habilidade dos romanos fica evidente, porém é ofuscada pela grande presença e malícia dos Pictos. Outro fator exuberante em Centurião, é o cenário e os figurinos: fazendo jus a tradição romana, os mantos e roupas de pele estão presentes, mas toda a grandiosidade dos territórios de Roma, dão espaço para as florestas sombrias e geladas da Escócia, une-se isso as excelentes batalhas, e você tem também uma excelente fotografia.
Quanto aos atores não há o que reclamar, todos que estão ali desempenham bem suas respectivas personagens, mas a surpresa fica com Etain (Olga Kurylenko) a rastreadora Picta que teve a língua arrancada pelos romanos quando criança. Apesar de não dizer uma só palavra, a ferocidade e a beleza da antagonista faz dela uma presença agradável – e odiável – no elenco. A beleza de Olga Kurylenko pode não condizer com as tribos bárbaras, mas é uma grande sensação no filme, que para fugir dos filmes B tradicionais, tenta vender ao espectador uma boa estética – completa o time de beldades a bela “bruxa” interpretada por Imogen Poots.
Unindo essa boa fotografia, roteiro simples e agradável, belas atrizes, e uma bela coreografia nas batalhas, Centurião é um excelente filme B, que acaba se saindo mais competente que muitos grandes épicos hollywoodianos.


Direção: Neil Marshall
Roteiro: Neil Marshall
Duração: 97min
Distribuidora: Celador Films






Demônio (Devil, 2010)


M. Night Shyamalan aquele que era considerado por muitos o próximo Alfred Hitchcock, angariou fãs e surpreendeu muita gente com seus fantásticos: O Sexto Sentido e Corpo Fechado, porém foram essas suas únicas obras primas, e mesmo tendo se mantido bem com Sinais e A Vila, foi caindo de qualidade e lançando filmes cada vez piores. Agora como produtor, ele deixa à direção de Drew Dowdle uma bomba prestes a estourar, e lança nos cinemas o fraquíssimo Demônio.
Antes de mais nada a premissa é boa, e o trailer deve levar algumas pessoas ao cinema: Cinco pessoas ficam trancadas dentro de um elevador... E uma delas, é o DEMÔNIO!!! Com essa proposta um tanto quanto ousada, pode se esperar tudo, desde um sucesso do suspense, passando por um filme insípido e banal, ou alguma coisa no mínimo fraca... que é isso o que acontece. Demônio “peca” em todas as suas propostas: filme investigativo, horror sobrenatural, suspense psicológico, terror religioso, violento... em tudo!
Se o roteiro é todo escrito por Brian Nelson ou Shyamalan não sei, mas independente disso, quem quer que o tenha feito, falhou feio. O filme começa com uma mulher caindo de um prédio. O corpo é encontrado longe do local da queda, mas porque fizeram assim eu não sei, se tentaram passar a imagem de uma perícia inteligente digna de Sherlock Holmes, se passaram por ridículos, até porque qualquer veia investigativa se perde nos primeiros 5 minutos, e o corpo em questão acaba sendo esquecido, obliterado e não é mencionado mais nenhuma vez, o detetive encarregado simplesmente o ignora para tratar de outro problema: o elevador.
Aqui que uma série de acontecimentos “bizarros” – não é um “bizarro”, de nossa que coisa sinissstra... - se desenvolve: cinco pessoas aleatórias ficam presas no elevador, e logo uma agressão acontece. Um policial é chamado e fica lá para presenciar todos os assassinatos. Legal? Aff. Assim que a primeira pessoa morre, começa uma corrida contra o tempo para abrir o elevador e tirar de lá os sobreviventes, junto com o suposto assino. Mas logo um dos seguranças começa alertar para a possibilidade de o demônio estar lá dentro pronto para levar a alma delas. Simples assim, sem drama, sem suspense, com uma explicação atroz usando uma panqueca – coitada da lei de Murphy que pagou o pato – o segurança prova para todo mundo que o Satanás está lá pra tocar o puteiro.
O roteiro se despedaça em vários momentos, como por exemplo na hora em que é explicado que o demônio só mata quando alguém querido da vítima está assistindo, isso até justifica a chegada da noiva de um dos prisioneiros do elevador, mas e quanto aos outros? Uma imagem distorcida de uma face na câmera, é pra tentar copiar outros filmes com presença demoníaca, mas falha tão feio que eles resolveram usar apenas uma vez, assim como a cena em que uma das vítimas vê todos os outros no elevador mortos aos seus pés, mas depois se dá conta que foi só uma ilusão e fica só por isso mesmo, vou para por aqui para não comentar a parte em que o Cabrunhão passa a mão na bunda da moça! ¬¬
E agora a pergunta que não quer calar: Porque causa, motivo, razão, ou circunstância, o Lúcifer, Diabo, Belzebu, Cão, Cramulhão, Coisa Ruim, Tinhoso, Tranca Rua, Sete Peles, Ferra Brás, Satanás, Aquele que Caminha Sobre Bebês Mortos, iria perder a porra do seu maldito tempo, se trancando dentro de um elevador com “cinco” perdedores, só para matar todos eles? Porque simplesmente não fez o elevador cair? E o pior de tudo, se você pensa que o Lúcifer, Diabo, Belzebu... ta bom! Iria perder o seu tempo só com pecadores máster, vai se surpreender com os crimes cometidos pelas pessoas do elevador! ¬¬
No mais, o filme não passa medo, não é nojento, nem tão pouco violento! Ahh se você é daqueles que não gosta de levar sustos, não precisa fechar os olhos, O FILME FAZ ISSO PARA VOCÊ!!! ¬¬
   


Direção: Drew Dowdle, John Erick Dowdle
Roteiro: Brian Nelson, M. Night Shyamalan (argumento)
Duração: 80min




segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Antologia de Contos Extraordinários, Edgar Allan Poe


A Queda da Casa de Usher

Conta à história de um viajante, que depois de muitos anos, vai visitar seu amigo de infância: Roderick Usher. A velha Casa de Usher uma mansão desolada e aterradora, exerce sobre ele uma presença inquietante, sensação que só aumenta quando encontra seu amigo, tomado por uma doença aterradora. Vitima de uma enfermidade, também bastante estranha, a irmã de Roderick Usher acaba perecendo, acontecimento que influenciará diretamente no destino de Roderick Usher e da própria mansão em si! Dotada de um forte peso sobrenatural é um excelente conto, onde fica evidente a boa narrativa de Poe, principalmente com relação a arquitetura gótica!

O barril de Amontilhado

Narra a meticulosa vingança de um homem rancoroso, contra seu próprio amigo, revelando bastante da mente humana maligna!

O Gato Preto



Outro dos contos mais famosos de Poe, mostra como é tênue a linha que separa a bondade da maldade. Conta à história de um homem que amava animais, mas de uma hora para a outra passou a maltratar violentamente seus bichos. Uma parábola de como o ódio pode virar contra si mesmo, e usa como símbolo um dos animais mais supersticiosos existentes: um gato preto!  


Berenice

Conta a história de Egeu, que sentia uma atração ímpar pela prima Berenice, uma bela e vívida garota. A vida tranqüila e radiante dos jovens, muda quando uma estranha doença assola os dois, desfigurando Berenice e levando-a a morte. Num ato ensandecido e de aparente loucura, Egeu comete um ato nefasto, mas depois acaba descobrindo que o destino de Berenice, não é aquilo que  achava.


Manuscrito Encontrado Numa Garrafa

Conta a sinistra história de um viajante, que vai parar a bordo de um gigantesco navio. Com uma tripulação um tanto quanto esquisita, o navio singra os mares a deriva, em direção aos confins da Terra.

William Wilson

Os Crimes da Rua Morgue

Uma das primeiras obras policiais da história da literatura. Protagonizada por C. Auguste Dupin, conta a história de um crime brutal e horrendo ocorrido na Rua Morgue, que aparentemente não apresenta solução. Considerada a primeira história policial – gênero que consagrou nomes como Agatha Christie e Arthur Conan Doyle – onde Dupin se usa de raciocínio e observação para desvendar o crime, método que acabou sendo imortalizado futuramente pelo lendário Sherlock Holmes. É um dos contos mais famosos de Poe, e talvez sem ele, Holmes não existisse!

O Mistério de Marie Rogêt



Segundo conto protagonizado por Auguste Dupin. Nele, o detetive se encarrega de descobrir os pormenores do cruel assassinato de Marie Rogêt, que foi encontrada morta no rio, sem muitas pistas do que pode ter acontecido. 

A Carta Roubada
Metzengerstein

Conta à história de duas famílias que nutrem de ódio eterno uma pela outra, e vivem a mercê de uma estranha profecia. Com elementos sobrenaturais e terror, mostra como o ódio se torna imaterial, e atravessa as fronteiras da morte.

Nunca Aposte Sua Cabeça com o Diabo

Como uma alusão aos contos moralísticos, típicos de muitos autores, Poe dá a sua própria lição de moral com a história de Toby Dammit, um desregulado jovem, que vive a vida sem limites, cometendo constantes erros. Um irresponsável apostador, que nunca media as conseqüências, e insistia em “apostar a cabeça com o Diabo”. Até que um dia, a aposta se tornou verdadeira...

O Duque de L’Omelette

Um conto rápido e confuso. Conta a história de Duque que morre, e acorda a companhia do Diabo. Com uma visão rápida do Inferno, ele termina jogando cartas com o Príncipe das Trevas?

O Poço e o Pêndulo

Um dos mais famosos e consagrados contos de Poe. Narra os momentos em que um prisioneiro da inquisição, passou em cativeiro. Cativo numa cela estranha, cheia de artimanhas para causar a sua morte, o conto narra seus últimos momentos, e as várias maneiras utilizadas para forçar sua morte.






Escritor: Edgar Allan Poe


sábado, 20 de novembro de 2010

RED Aposentados e Perigosos (RED, 2003)



“Boa noite! Status por favor?”, “Verde!”
A história começa com o Diretor Geral de Inteligência e o Diretor de Operações da CIA, entrando numa sala para assistir a um vídeo ultra-secreto. Ao saírem da sala, o Diretor um tanto quanto assustado, ordena desesperadamente a imediata eliminação de Paul Moses: um assassino aposentado da CIA. A história corta para a casa de Moses que parece levar uma aposentadoria tranqüila e pacata, quando assassinos da CIA invadem seu recinto para eliminá-lo, a partir daí fica claro que o maior assassino do mundo está de volta à ativa, e nada poderá parar esse monstro que parte com tudo para a vingança!
Apenas três edições foram o bastante para Warren Ellis criar uma história alucinante e envolvente. Com cenas de ação ininterruptas e altamente violentas, o roteiro de Ellis cria uma trama conspiratória onde novamente os podres do governo são colocados na mesa. Tá certo que a conspiração nesse caso é apenas um pano de fundo para as cenas de matança, mas a abordagem política presente na HQ tem lá suas verossimilhanças com a realidade. No mais a abordagem psicológica pela facilidade que o homem tem para com a violência, fica por conta do personagem principal Paul Moses, um assassino implacável, que trabalhou a vida inteira para a CIA, matando homens e mulheres, e que agora vive com o remorso eterno pelas suas vítimas, em busca de paz – que ele só deve encontrar após a última página da revista – e de uma vida “normal”. Um típico anti-herói, que apesar de matar quem transpor o seu caminho, tem suas virtudes e convicções.
O roteiro rápido e direto de Warren Ellis casa perfeitamente com as ilustrações de Cully Hamner, que dá a ação uma seqüência cinematográfica. As habilidades de Paul Moses são ilustradas perfeitamente, e a facilidade que ele tem para matar fica evidente, nas cenas rápidas que tiram o fôlego pela quantidade de inimigos abatidos de forma realista, nada de tiroteio desesperado contra uma horda de atiradores – alá John Rambo! Habilidoso desenhista, mostra que aprendeu bem a arte imortalizada pelo pai Will Eisner, e a HQ fala mais através das imagens do que das palavras. Cenas em que as balas são focalizadas numa espécie de slow motion Ilustrada, são magníficas!   
“Aqui é a telefonista-chefe. Seu Status?” , “Aqui é Paul Moses. Vermelho!!!”




Roteiro: Warren Ellis
Arte: Cully Hamner
Editora: Wildstorm





segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Extermínio (28 Days Later, 2002)


Fim do mundo, sociedade em colapso, e muitos outros fatores nos levam a perguntar: Nós somos mesmo uma espécie racional? É essa a questão abordada – mais uma vez – num dos melhores filmes de apocalipse zumbi já lançados: Extermínio, que revitaliza de forma inteligente tudo aquilo criado por Romero.
Ecologistas radicais invadem um laboratório, com objetivo de libertar chimpanzés, que eram cobaias de experiências. O que eles não contavam era que os símios, eram portadores de um vírus similar ao da raiva, altamente contagioso e muito mais perigoso... 28 dias depois – 28 Days Later é o original do filme – toda Inglaterra foi devastada pela epidemia. Jim (Cillian Murphy) acorda no hospital – a idéia básica para todo início de história sobre zumbis – e agora perdido em meio a uma cidade devastada, resta a ele dar continuidade a sua jornada pela sobrevivência.
O grande sucesso do filme se dá graças a direção de Danny Boyle, que acerta em praticamente todos os aspectos, trabalhando tanto no cenário como no psicológico dos personagens. A seqüência inicial que mostra Jim saindo do hospital e caminhando por uma Londres COMPLETAMENTE evacuada, é um brinde para todos os expectadores, ver todos aqueles cenários famosos desertos, é arrepiante e perturbador, seja pelo ponto de vista do personagem – imagina você caminhando por uma cidade desabitada – seja do ponto de vista técnico, afinal de contas você não encontra Londres vazia pronta para uma filmagem.
 É seguindo essa linha de raciocínio que Boyle cria várias cenas poderosas, como aquela em que Jim entra numa igreja e encontra toda aquela multidão sentada calmamente... e MORTA – revitalizando aquela questão que em caso de uma catástrofe de grandes proporções, hospitais, delegacias e igrejas são os lugares mais procurados pela população, aumentando as chances de acontecerem desastres – e logo se depara com os primeiros infectados, numa cena realmente tensa.
A maior – e boa - modificação que Danny Boyle fez com relação aos zumbis, foi a sua mobilidade: ao contrário dos zumbis lentos e vagarosos, os zumbis de Extermínio são extremamente rápidos – o que acabou se tornando uma tendência em filmes e jogos atuais – como se seus corpos vivessem numa constante explosão de adrenalina. Dessa forma se aumenta a tensão da história, pois além de pensar e analisar uma situação agora tem que se fazer isso rápido. Com esse mero detalhe, Boyle desvia um pouco do gênero de terror, e cria algo com mais ação e mais suspense.
A maior parte do filme a questão entre solidão e a necessidade de manter uma vida normal são constantemente abordadas. Frank (Brendan Gleeson)e Hannah (Megan Burns) são pai e filha, que juntos de Jim e Selena (Naomi Harris) criam a imagem da família, que se perdeu em meio ao caos. Da metade do filme para frente porém, o roteiro muda. Entra em cena o Major Henry West (Christopher Eccleston) que comanda um pequeno grupo de soldados, que estabeleceram base numa mansão.
 Com a entrada dos militares, e os diferentes pontos de vista, a violência contra o próximo passa a ser um mero detalhe, e nos leva a divagar qual a diferença entre nós e os infectados: na cena que pode ser o ápice do filme, Jim ataca um soldado com violência, e Selena que assiste tudo não sabe diferenciá-lo de um infectado - tudo isso embalado pela excelente In The House, In The Heartbeat de John Murphy.
Com todas essas questões morais e de sobrevivência, um bom diretor precisa também de um bom elenco para trabalhar suas idéias, e não fica na mão. Utilizando atores menos badalados para não influenciar o público, e priorizando a história ele cria um contexto envolvente e conta com a excelente atuação de seus comandados.
Extermínio não é só mais um filme de zumbi, é um filme que eleva ao máximo a questão: o quão próximos estamos da destruição da nossa espécie? Isso com ou sem epidemia! 


Direção: Danny Boyle
Roteiro: Alex Garland
Duração: 113min
Distribuidora: 20th Century Fox







O Nevoeiro (The Mist, 2007)


A sociedade é um grupo de pessoas que compartilham ideologias, costumes, gostos e propósitos, e são regidas por aquilo que chamamos de lei, ou mesmo ética! Mas o que acontece quando a sociedade perde o amparo da lei, e é assolada pelo pânico? É essa a resposta obtida, por quem assistiu: O Nevoeiro.
Esse é mais  um dos contos de Stephen King que chegou aos cinemas. Com adaptações fracas e insossas e outras boas e magníficas, e é sempre uma incógnita saber o que se esperar delas, e de O Nevoeiro? Dirigido pelo excelente Frank Darabont – atual diretor da série The Walking Dead – é sem sombra de dúvida a melhor adaptação do autor para o cinema, ficando ao lado de: A Espera de Um Milagre e Um Sonho de Liberdade, todas dirigidas pelo mesmo Darabont – que devia dirigir toda e qualquer adaptação de King.    
O filme conta a história de um vilarejo que depois de uma tempestade é atingido por estranho nevoeiro. Até aí tudo bem, o problema é que esse estranho fenômeno traz consigo uma horda de criaturas bizarras e letais, que mata qualquer um que se aventura a perambular pela névoa. Com isso, um grupo de pessoas ficam presas dentro de um supermercado, e é aí que os problemas começam e levanta no ar uma singela dúvida: Onde é mais seguro? Do lado de fora, na névoa? Ou dentro do mercado com as outras pessoas?
King que adora suscitar o poder psicológico – como em Carrie a Estranha ou O Iluminado – encontra em Darabont um diretor perfeito. Os monstros acabam ficando em segundo plano, e a grande sensação do filme é ver como a sociedade vai se degradando com o passar do tempo e sem respostas, e tudo é conduzido meticulosamente. No início todo mundo é bom e fraterno, mas à medida que as horas vão passando a tensão vai aumentando e o pânico começa a afetar a rotina das pessoas. O suspense é o ponto alto do filme, e o destino incerto das pessoas que fugiram do supermercado fica martelando a cabeça do expectador – o que aconteceu? Será que elas estão vivas? – por outro lado o destino mais que certo de algumas – como a morte cruel do motoqueiro ou do empacotador  - traz de volta o medo de se arriscar do lado de fora. Em uma batalha constante do bem contra o mal, até a religião é criticada ferozmente - e mostra como o ser humano é frágil quando se vê perante o desconhecido buscando respostas em qualquer lugar - quando a Sra. Carmody (Márcia Gay Harden) uma fanática religiosa com devaneios apocalípticos, passa de louca, a líder espiritual formando a sua própria seita dentro do supermercado em questão de horas.  
A direção não acerta só no roteiro, câmeras bem trabalhadas, e criaturas bizarras consagram Darabont, que tem ao seu lado um elenco que superou as expectativas. Thomas Jane – o péssimo Frank Castle de O Justiceiro – surpreende no papel de David Drayton, um pai que tem que fazer de tudo para proteger o filho, inclusive disfarçar seus próprios temores com relação a sua esposa e mãe do garoto. Ao seu lado estão Laurie Holden que é Amanda Dunfries e Toby Jones que da vida a Ollie Weeks, um gerente do supermercado que mostra que quando a situação aperta é mais fácil matar do que perder a vida. Em meio a todos esses bons personagens quem acaba roubando a cena é Márcia Gay Harden, que como Sra. Carmody dá um show de interpretação.


Outro fator que não pode ser ignorado é a influência que a literatura de H. P. Lovecraft tem na escrita de Stephen King, e O Nevoeiro também acaba se tornando um excelente filme para os fãs Craftianos, que além de todo o horror desconhecido, insetos com rosto humano e tentáculos, tem como brinde a visão de um gigantesco monstro  tentacular que pode só pode ter nascido da mente de Lovecraft.   
O Nevoeiro não é só a melhor adaptação de um conto de Stephen King, mas é também um dos melhores filmes de suspenses ou sobre a sociedade já feitos, e Darabont além de dirigir dá seu toque de mestre no final do filme, criando um desfecho – que não existe no conto original – tão forte e poderosamente trágico  que vai corajosamente contra as tradições de Hollywood, e vai surpreender qualquer um que assistir.
Pra encerrar vai aí um dialogo do filme que resume toda a obra: “As pessoas são boas. Somos uma sociedade civilizada...”, “...Claro. Contanto que as máquinas funcionem e o 190 atenda. Tire isso, deixe tudo mundo no escuro e assustado e as regras se vão.


Direção: Frank Darabont
Roteiro: Frank Darabont, Stephen King (Conto)
Duração: 126min
Distribuidora: Paris Films, Darkwoods Productions, Dimension Films




terça-feira, 9 de novembro de 2010

Jogos Vorazes (The Hunter Games, 2010)


Jogos Vorazes, o livro mais aclamado pelos adolescentes do momento, leva na capa um título forte e promissor, mas que se perdendo numa roupagem teen, acaba revelando que de voraz não tem nada.
Panem - o nome que recebe hoje o que um dia foi a América do Norte – é formada por um distrito principal – a Capitol – e doze distritos secundários. A Capitol, que se viu envolvida em uma guerra contra todos os outros distritos, depois de sair vitoriosa, criou como forma de punição os Jogos Vorazes: Uma competição na qual um casal adolescente de cada distrito é colocado numa arena, e são obrigados a lutar pela sobrevivência até que apenas uma criança saia viva. Moradora do pobre e miserável Distrito Doze, Katniss Everdeen resolve participar dos jogos no lugar de sua irmã mais nova, e terá a “companhia” de Peeta Mellark um rapaz até então ignorado, mas que a muito sente uma quedinha por Katniss. Juntos de mais 22 jovens, eles serão obrigados a lutar até que apenas um saia vivo!
O idéia de usar um jogo no qual o prêmio final é a própria vida não é original, faz parte da história da humanidade com os gladiadores e o lendário Coliseu, e também da cultura pop, como pode ser visto nos filmes: Corrida Mortal e Gamer. O assunto é interessante e até onde eu me lembro não tinha pintado em livros, por isso entrei de cabeça em Jogos Vorazes, pois esperava a mesma sensação encontrada em outras mídias, mas infelizmente esse é um dos pontos onde a história perde força. A idéia de um jogo de vida e morte como o existente no Coliseu no qual os participantes são colocados para lutar frente a frente, ou mesmo uma prova cheia de regras letais, não existe aqui. O que se vê é na realidade um Reality Show - com câmeras, apresentador, influência do público e tudo – de sobrevivência, onde só é eliminado quem morre. O que poderia ser uma arena cheia de armadilhas e armas, se transforma numa floresta onde o maior objetivo é se manter vivo juntando mantimentos e se camuflando, e ocasionalmente lutar com quem tenta roubar sua comida, para apimentar a disputa, os organizadores tem suas próprias artimanhas, como vespas e pássaros modificados geneticamente, uma idéia que não colou – sem falar nas feras feitas a partir dos participantes mortos. Apesar de ser uma opinião pessoal eu tinha uma idéia diferente para esse “jogo”.
Outro fator decepcionante é a brutalidade do enredo, por ser um livro voltado para o público teen, essa brutalidade simplesmente não existe, ou é muito amenizada. A começar pela personalidade dos personagens, Katniss por exemplo é uma pessoa boazinha que tenta ajudar todo mundo, e ao mesmo tempo viver com o dilema de ter que matar todo mundo, essa dualidade porém não é bem trabalhada, e ela acaba sendo uma típica heroína de sessão da tarde. A brutalidade também não existe no jogo, que apesar de ter suas mortes, são ocasiões batidas e bastante “light”, ainda mais para uma época em que Jogos Mortais já virou clichê!
A batalha contra os participantes pela sobrevivência, acaba sendo o plano de fundo para uma guerra que ainda está por vir: a guerra contra o sistema! Esse também é mais um ponto onde a história se dispersa. Se no primeiro capítulo a história de Katniss consegue evocar no leitor todo o ódio contra o governo – típico de histórias lendárias como “V de Vingança” e até mesmo acontecimentos reais como os vividos pelos judeus contra o nazismo – esse ódio simplesmente some ao longo da narrativa, principalmente pelo comportamento de Katniss e Peeta, que acabam se divertindo com o tratamento dado aos participantes. Esse ódio só volta no final da narrativa... para se perder de novo. talvez mais uma característica da literatura teen, mas é uma pena, porque poderia ser trabalhada mais a dramaticidade fazendo brotar o ódio do leitor pelo governo – que não tem nem um nome para direcionar o ódio - culminando com a vingança contra a Capitol – que está prometida para as continuações.
Mas apesar desses detalhes, a narrativa de Collins é boa e flui com eficiência, e os personagens mesmo com todos os clichês típicos da literatura teen, são bem desenvolvidos e carismáticos, porém a história se perde, mesmo com uma sinopse promissora - afinal histórias de ódio contra um governo opressor sempre são um grande chamariz - o foco se desvia, atenuando toda a dramaticidade existente no enredo.
No conjunto da obra é um bom livro, e fica a expectativa para sua continuações, mas poderia ter sido melhor. Quem sabe trabalhando melhor a idéia de jogo, teria sido um clássico se fosse voltado para um público “censura 18 anos”!




Escritora: Suzanne Collins