quinta-feira, 30 de setembro de 2010

WALL-E (2008)

Irrevogavelmente a Pixar é bem sucedida em tudo aquilo que faz. Nenhuma outra empresa transpassa tanta qualidade e emoção em suas obras como a Pixar. Quem nunca se emocionou com as aventuras de Woody, Buzz Lightyear e todos os outros brinquedos de Andy , acompanhou apreensivamente a jornada de Marlin atrás de seu filho Nemo ao longo do oceano, ou torceu para Os Incríveis – que não fica abaixo de nenhum outro filme de super-herói – na sua luta contra o mal? Com uma temática voltada tanto para o público infantil quando para o adulto, a Pixar cria personagens carismáticos e imortais em histórias repletas de moral, e faz de Wall-E talvez a sua obra mais madura!
Quando eu fui assistir Wall-E, eu confesso que não esperava mais que um romancezinho simples protagonizado por robôs, e mesmo com toda qualidade da Pixar, assistir uma história que cativasse tanto quanto Toy Story ou Procurando Nemo estava além das minhas expectativas. Qual não foi minha surpresa ao término de Wall-E um dos filmes mais emocionantes e inteligentes dos últimos tempos, e na minha opinião a melhor e mais madura obra de arte da animação.
O planeta Terra foi coberto pelo lixo criado pelo homem, e todos os humanos “fugiram” do planeta para o espaço, esperando sua limpeza. Cabe a Wall-E essa árdua e perpétua tarefa, que ele executa com rigor durante anos e anos. Depois de tantos anos de solidão, a vida de Wall-E muda com a chegada de EVA, “uma” robozinha que veio à Terra com uma missão secreta. Imediatamente Wall-E se apaixona e fará de tudo para ficar com EVA, inclusive abandonar o seu posto e viajar pelo espaço, numa trama que vai alterar não só o seu destino, como o de toda a humanidade.
Elogiar a Pixar por sua qualidade, é como elogiar o oceano por sua imensidão, e obviamente que essa qualidade não podia faltar em Wall-E. A movimentação de cada personagem é magnífica, e ver opostos como o antiquado Wall-E com sua esteira andando para lá e para cá desastradamente, e a High-tech EVA – um tanto quanto destrutiva – voando displicentemente são sensações únicas. Outro fator que impressiona – e difere – é o cenário. O filme se desenvolve em dois ambientes: o primeiro é o planeta Terra devastado e poluído e o segundo se passa a bordo de uma espaçonave. Em ambos a qualidade técnica é estupenda, o cenário criado para Terra no melhor estilo pós-apocalíptico – que atualmente é referência para outros filmes nesse estilo - é maravilhoso e nenhum detalhe é esquecido, desde as pontes e prédios destruídos, até as imensas pilhas de entulho coletadas por Wall-E – que demorou muito tempo para faze-las – passando por detalhes pequenos como os objetos encontrados por ele, dos quais ele faz uma singela coleção. Já na nave o Sci-Fi é magnífico, e o detalhamento continua impressionante, como as trilhas que os robôs percorrem mantendo um clima de ordem permanente no local.
Mas mesmo com toda a qualidade visual que a Pixar dispõe, ela não é o Elemento – X do sucesso – é talvez a cereja do bolo – o grande trunfo da empresa são os personagens, e de todos os personagens criados pela empresa - fica difícil escolher um - Wall-E fica no topo – ao lado de todos os outros - é talvez o mais interessante – ou meu preferido, como quiserem! O “robozinho gari” é incansável – dãã – na sua labuta diária contra a poluição, e ao mesmo tempo um romântico nato, que passa suas noites assistindo filmes – uma fita para ser mais exato – e sonhando em se apaixonar. A ingenuidade de Wall-E contrasta com sua perseverança e carisma. As aventuras e situações engraçadas que o cabeça dura se mete são o bastante para conquistar o público de um dos personagens mais adoráveis dos últimos anos. Com EVA também não é diferente, com uma personalidade completamente diferente de Wall-E, ela tem todos os atributos opostos ao de Wall-E, e naquele velho clichê de que os opostos se atraem os dois se unem para formar um casal inesquecível. Nessa super galeria de personagens, até o comandante se destaca, pois ele que tinha tudo para ser um covarde, acaba também ganhando o gosto do público. 
Com elementos de cinema mudo, steampunk, comédia e drama a Pixar faz de Wall-E um Sci-fi humanitário, com temática apocalíptica porém abordagem bastante otimista, transformando-o numa das animações mais maduras da história. Vale lembrar que a temática naturalista de Wall-E que além do Oscar de Melhor Animação – entre outros prêmios – rendeu a seus roteiristas diversos prêmios humanitários.
Por tudo isso, e por ser Pixar é que Wall-E merece e tem que ser assistido por todos que gostem de um bom cinema ( seja animação ou não)! Para fechar com chave de ouro, os créditos são um brinde e embalados pelo excelente Single Down To Earth, mostram em figuras qual futuro teve a humanidade! Fantástico!




Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton, Pete Docter, Jim Reardon
Duração: 103min



Distribuidora: Pixar Animation Studios, Walt Disney Pictures


Nenhum comentário:

Postar um comentário