terça-feira, 14 de setembro de 2010

Rosemery Morgan

Em um Saloon


Mary colocou quatro copos e uma garrafa de Wiskey na bandeja, e levou até o fundo do Saloon, depositando-a sobre a mesa atrás do piano, onde Mrs. Taylor tocava mais uma de suas canções. Thomas Custer e Harry “Killshoot” Davis encheram seus copos, seguidos do jovem Rolland Bell, William Custer pegou a garrafa, enquanto mantinha uma a mão dentro da calcinha de uma prostituta, que estava sentada em seu colo. Mary saiu rapidamente, ignorando o beliscão que Thomas Brenston “Custer” lhe aplicou no traseiro. Ela sentia arrepios perto daqueles homens, e não era para menos, reunidos ali naquela mesa, estavam mais de $ 20.000 em recompensa!
Quatro entre os dez bandidos procurados pelo governo, estavam ali no Saloon de Mary, e nem o Xerife Thompson, nem ninguém poderia fazer nada para impedir, o que quer que eles estivessem tramando. Para a sorte do povo de Porky’s Ville, os planos dos nefastos pistoleiros, não incluíam a pequena e pobre província.
Killshoot Davis foi o primeiro a falar:
- Aproveitem meus caros, pois partiremos essa noite!
- Qual exatamente é o trampo? – perguntou Thomas Custer
- Vamos para noroeste, a uns 100km daqui...
Rolland Bell consultava o mapa que ele sempre trazia consigo.
- Não há nada lá, absolutamente nada – assegurou correndo com os dedos, a região citada por Killshoot Davis – nenhuma cidade, nenhuma rota de diligência, nada, apenas mato.
Todos olharam questionando Killshoot, que continuou:
- A mais ou menos uns 5 meses, eu estava nessa região, no encalço de Jonathan Vlad, e persegui o cão até essa região que vos falei. Lá tem um bosque, fica meio isolado entre dois morros, onde Vlad tentou se refugiar, foi onde eu o surpreendi e esquartejei o babaca.
Os outros prestavam atenção, mas sem nenhum interesse na história.
- O fato é que quando eu estava indo embora com a cabeça do sujeito, escutei um apito que gelou meus ossos...
- Que merda cara, era o apito do Guardião Apache dos Ventos do Norte – ironizou William Custer, arrancando risadas de todo mundo, inclusive da prostituta em seu colo.
- Não babaca, era um apito de trem, de uma maldita locomotiva.
- Você não estava bêbado Davis?
- É Killshot para vocês imbecis, e não, não estava bêbado porra nenhuma!
- A ferrovia mais próxima fica a mais de 250km da região – analisou Rolland Bell.
- É aí o “xis” da questão, não é uma ferrovia regulamentada...
Todos ficaram perplexos, com as implicações que isso podia significar.
- O que você está sugerindo? – interrogou William Custer, retirando a mão do meio das pernas da mulher, lambendo os dedos satisfatoriamente.
- Estou sugerindo que o que quer que este trem esteja carregando, deve ser algo de muito valor.
- Mas quem garante que num é clandestino?
Todos deram gargalhadas com a observação de Rolland.
- Ta achando que isso aqui é o que? A África? – mais risadas – Isso é a porra da América cara! Você pode entrar com drogas aqui sem que ninguém perceba, mas por Deus, nem que a vaca da sua mãe, dê a boceta para todos os federais, você consegue colocar para rodar uma locomotiva clandestina – ironizou William Custer.
Killshoot Davis recobrou o foco da conversa:
- O fato é que, o que quer que esteja sendo carregado naquele trem, o governo não quer que ninguém saiba da sua existência, realçando o fato de que deve ser algo bem valioso.
A conversa rendeu até altas horas da noite, que Mary teve que ficar esperando sozinha no Saloon, sem coragem de reclamar.
- Meus Deus senhores, olha a hora, a senhorita Mary tem que fechar o Saloon – observou William Custer.
Ouve algumas risadas, e foram saindo um por um, ficando para trás apenas William Custer.
- A senhorita trabalha até altas horas, merece seu descanso, acho que podemos subir, e eu prometo te fazer relaxar até os ossos – Custer espetou uma faca no balcão, e passou as mãos nas coxas de Mary, levantando um pouco a saia – o que acha?
- Po… por favor não – gaguejou já em prantos a senhorita Mary, cujo pai estava doente e não podia trabalhar.
- Tudo bem, você é quem sabe – Custer pegou a faca, e a embainhou, e depois se retirou do Saloon cortesmente.
Mary enxugou as lágrimas, sabia que tinha saído no lucro. Tinha saído ilesa, da presença de quatro dos maiores demônios do oeste, mesmo eles tendo ido embora sem pagar...
- Senhorita Mary perdoe-nos, somos meio voados – Thomas Custer tinha entrado correndo, fazendo as portas duplas baterem apáticamente, enquanto colocava a mão na jaqueta em direção ao coldre.
- Não por favor!
Ela levantou as mãos em direção ao tiro... que nunca foi disparado.
- O que foi senhorita? – perguntou um Thomas Custer encabulado. Depois de uma pausa, ele jogou algumas moedas de ouro no balcão – A conta e a gorjeta! – e saiu com um sorriso lindo estampado no rosto.
“Como esse mundo é irônico”, pensou consigo mesma Mareley! 

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