terça-feira, 28 de setembro de 2010

O Livro de Eli (The Book Of Eli,2010)


Como seria o mundo depois do armagedon? O que sobraria da Terra depois da terceira guerra mundial? Não se sabe, mas após tantos filmes e livros com esse tema, já dá para se ter uma noção do que nos espera, e nesse clima pós apocalíptico futurista, que O Livro de Eli, bebendo das fontes de Mad Max, nos conta a história de um homem e seu destino, repleta de ação e filosofia.
O Livro de Eli tem todos os elementos necessários para o clima de fim do mundo: Tomadas de câmeras afastadas que expandem e revelam uma paisagem, sempre inóspita, desolada, com coisas destruídas aqui e acolá; uma tomada de cores cinzenta e amarelada, um mundo monocromático onde as esperanças deixaram de ser coloridas e radiantes; e um roteiro fabuloso que não se preocupa em explicar, focando simplesmente na viagem solitária de nosso herói, deixando as especulações, dúvidas, e explicações para a imaginação do espectador.
Eli (Denzel Washington) é um viajante solitário, que percorre um mundo destruído sempre em direção ao oeste, sua missão: guardar e proteger um certo livro até o seu destino. Em sua jornada ininterrupta, ele se depara com um vilarejo isolado, no melhor estilo “ultimo posto para o fim do mundo”, e é ali que Eli encontra o maior obstáculo no seu caminho: Carnegie(Gary Oldman), o chefe do vilarejo que faz a lei a sua maneira, e tem como único objetivo encontrar um livro: O livro de Eli.
O roteiro trabalha minuciosamente a jornada de Eli, mas de uma forma cautelosa, apática – no bom sentido – singela, criando um mundo em que o tempo corre devagar, como se o apocalipse tivesse parado por ali para descansar, ou como se já tivesse ido embora, e deixado tudo como deixou sem o tempo para fazer seu trabalho. O contraste vem com a monotonia sendo quebrada com cenas de batalha brilhantes, na qual Eli mostra uma habilidade ímpar no manuseio de seu facão ou revolver, criando um estilo de luta bastante original. 
Denzel Washington dá um show, esbanjando postura, atitude e uma sabedoria ímpar, ele dá vida a Eli, um Messias hardcore, que armado de seu facão é um oponente formidável para qualquer um que se opor a ele. Do outro lado da moeda, Gary Oldman é completamente o contrário. Um vilão decrépito, vil, e sem escrúpulos na tentativa de pegar o livro, e usar a sabedoria nele contida para expandir seu império. A trama ainda conta com Solara (Mila Kunis), que apesar de não ter peso fundamental no enredo, acaba sendo uma boa companhia para Eli, e uma possível possibilidade para um gancho.
O filme começa com Eli – a mais de “trinta invernos na estrada” – em sua inexorável jornada rumo ao oeste, e ao invés de se preocupar com a crônica, o roteiro dá mais atenção aos pequenos detalhes de um cotidiano que não existe mais, ao mostrar Eli pegando as botas de um defunto – ainda se preocupando com a aparência – e ouvindo músicas no seu Ipod – uma relíquia dos tempos passados, uma vez que é uma fortuna para Eli recarregar as baterias do aparelho. Outro ponto alto do filme são as “pequenas coisas”, em um roteiro que deixa muitas pontas soltas – propositalmente – alguns detalhes não passam em branco e são habilmente trabalhados: como a ausência total do dinheiro, onde a moeda corrente são peças que remetem ao passado; e até o vestuário, que passa longe de ser apenas um visual, e é parte da sobrevivência de cada um – os óculos escuros que poderiam ser só uma moda, são essenciais para a visão, pois sem a camada de ozônio (assim de supõe) os raios ultravioletas são letais para os olhos.
Para quem leu o livro (ou viu o filme) A Estrada,  vai encontrar em O Livro de Eli, muitos elementos presentes na história, como o cenário devastado, destruído, pós guerra; saqueadores assassinos percorrendo as estradas; canibalismo; e o livro ainda tem um viajante numa curta passagem como o nome de Eli (mas que em nada se assemelha do Eli do filme). A alma filosófica do filme, também está toda presente em O Livro de Eli, nas constantes questões do ser ou não ser, e dos rumos que a humanidade tomou!
Com elementos western, filosóficos e religiosos, O Livro de Eli é uma verdadeira fábula pós apocalíptica, que nos leva a questionar os rumos tomados pela sociedade. Pode não ser o típico filme que vira sucesso de bilheterias, mas tem todo o “jeitão” de filme Cult, inquestionavelmente recomendado!!!


Direção: Albert Hughes, Allen Hughes
Roteiro: Gary Whitta
Duração: 118min

Distribuidora: Sony Pictures


Um comentário:

  1. Excelente análise, gosto muito deste filme, parabens pelo Post!

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