domingo, 5 de setembro de 2010

Ninja Assassino (Ninja Assassin, 2009)


Porrada, sangue, acrobacias e muita violência. Tudo isso basta para fazer um bom filme ninja certo? Errado, mesmo com todos esses elementos, os irmãos Machowski não conseguem se aproximar do sucesso alcançado com o fantástico Matrix, e acabam assinando um filme, tosco, mal feito, e cansativo, muito frustrante!
O enredo conta a história de Raizo (Rain), um ninja renegado do clã Ozunu, que se rebela e promete vingança contra o seu clã. Paralelamente, a agente da Europol Mika (Naomie Harris), investiga a existência dos ninjas ao longo da história, e promete fechar o cerco a esses guerreiros implacáveis.
 Muitos elementos se unem para a decadência do filme, começando pelo roteiro: mal armado, e sem coerência, o filme caminha sobre a corda bamba, entre um filme de vingança clássico, e um filme de investigação policial – que poderia muito bem, ter sido descartada – e acaba não se decidindo no que quer ser. Mika (Naomie Harris) e Maslow (Bem Miles) estão investigando a existência de um possível clã ninja, quando acabam sendo perseguidos pelos guerreiros da sombras, e topam com Raizo, que vai ajudar a proteger Mika, na sua jornada de vingança. O roteiro ainda tem falhas bastante visíveis, como quando a Europol vai parar no lugar errado ao seguir um rastreador – posteriormente encontrando o lugar certo. ¬¬
Os personagens Mika e Maslow, estão absolutamente perdidos dentro de um filme ninja, e somando isso a péssima interpretação dos atores, são completamente descartáveis, o que leva a questionar que tipo de preocupação Raizo teria com a agente Mika em sua vendeta. É bem provável que a Europol só está no filme, para justificar a presença de esquadrões, para serem abatidos pelos ninjas.
Se a tentativa de incrementar o enredo com uma “pegada” investigativa é um fracasso, a vertente ninja – que é a alma da coisa – também não obtêm sucesso. Os ninjas são apresentados, como guerreiros implacáveis, completamente letais, e fulminantes contra seus inimigos, e a ênfase dada em seu treinamento pesado e cruel é o bastante para fazer o espectador entender o grau de periculosidade existente em enfrentar esses monstros das sombras. Mas tudo isso vai por água abaixo, quando Raizo enfrenta – e mutila – dezenas de ninjas de uma vez só, mesmo ele sendo o mais talentoso guerreiro do clã, fica difícil acreditar que um só homem seria capaz de enfrentar dezenas ao mesmo tempo, com o mesmo treinamento e mesmas táticas. Tudo bem que isso é um clichê clássico do cinema, mas o diretor vai além disso, e abusa da boa vontade do espectador ao abordar a mortalidade de Raizo, que depois de ferimentos, bizarros e eviceradores, tem uma vitalidade digna de Highlander, e sempre volta são para as batalhas futuras.
Se o roteiro é uma lástima, as lutas pelo menos valem a pena, e é muito legal ver os golpes e acrobacias usadas pelos ninjas – principalmente a utilização das armas -  porém mesmo as coreografias, e um visual bacana, são manchados pelos fraquíssimos efeitos especiais: a sanguinolência típica de Tarantino, está presente, dando um verdadeiro banho de mar vermelho no cenário, mas é muito forçada, e dá a impressão que os personagens não passam de marionetes cheios de tinta. Num filme que aparentemente, devia ter uma abordagem real, os ninjas são dotados de “poderes” – velocidade e regeneração? Heim? – que além de dispensáveis, e mal colocados, também são mal executados pela equipe dos efeitos especiais.
Com um tema clássico, e boas coreografias, os irmãos Machowski e McTeigue, conseguem o mais difícil: transformar em lixo um filme que tinha tudo para ser bom!
       
 

Direção: James McTeigue
Roteiro: Matthew Sand, J. Michael Straczynski
Duração: 99min
Distribuidora: Warner Bros Pictures, Legendary Pictures, Dark Castle Enternaiment





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