segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Epidemia (The Crazies, 2010)




Os mortos vivos estão no auge. Depois que os zumbis chegaram ao grande publico com Madrugada dos Mortos, e faturaram as bilheterias com Zumbilândia, e a confirmação da segunda temporada de The Walking Dead – que ainda nem estreou - parece que finalmente os portões do inferno se abriram para a caminhada dos mortos. È nesse nicho que se encontra A Epidemia – refilmagem do clássico Exército do Extermínio (The Crazies,1973), de Romero – um dos melhores filmes do ano, traz o terror e os sustos de um bom filme de zumbi em grande estilo, só que sem usar zumbis...
David Dutton (Timothy Olyphant) é o xerife de uma cidadezinha rural no interior dos EUA, que junto com seu parceiro Russel Clank (Joe Anderson), têm a missão de fazer a paz e harmonia reinar no local. Tudo isso começa a mudar, quando um morador invade uma partida de Beisebol portando uma arma, e é morto pelo xerife. Isso é só o primeiro sinal de uma epidemia que começa a tomar conta da cidade. Em poucos dias a doença se espalha, transformando os pacatos e responsáveis cidadãos em assassinos lunáticos. O exército chega no local, e começa as medidas de contenção da doença – que não são nenhum um pouco pacíficas  - e depois deixa o lugar já tomado pelo caos. Agora cabe a David Dutton, sua esposa Juddy Dutton (Radha Mitchell), Russel Clank e Becca Darling (Danielle Panabaker) sobreviverem e escaparem da região contaminada.
Tudo parece se encaixar perfeitamente criando uma atmosfera perfeita para o filme. O Condado de Ogden Marsh é aquele tipo de cenário perfeito, em que tudo dá errado e o apocalipse chega mais cedo. Uma cidadezinha agrícola, em que o tempo corre devagar e calmo, as pessoas levam suas rotinas tranquilamente um dia após o outro, e quando a loucura se espalha como uma epidemia, o tempo parece parar – como mostra a cena em que o xerife David Dutton está parado na principal avenida da cidade, sem nenhum sinal de vida a vista, numa aura de calmaria tão hostil, que se torna certa a presença de vários perigos ocultos.  
O choque de atmosferas, ocorre quando a calmaria é substituída pela velocidade, nas cenas violentas protagonizadas pela invasão do exército, contrastando ao máximo com a rotina da cidade. Nesse emaranhado de sensações, é que os atores desenvolvem seus personagens – destaque para Timothy Olyphant, que se mostra (mais uma vez) um exímio homem da lei, levantando as suspeitas que ele já foi um cowboy na outra encarnação.
O clima rural do cenário é de dar calafrios, e a imensidão dos campos, acaba causando um desconforto, principalmente ao encarar celeiros isolados e longínquos, e gigantescas máquinas agrícolas, que podem ganhar vida e avançar para cima de você num piscar de olhos.  
O posicionamento afastado da câmera, numa perspectiva mais horizontal, cria cenários amplos, enaltecendo o clima de solidão vivido pelos personagens, e ajuda a ambientar o terror, pois cenários maiores servem como convite para coisas ruins – é normal tomar sustos, quando você está focalizando o personagem principal, e não repara que lá ao fundo no canto superior da tela, alguém está à espreita. 
Os sustos são uma constante, e ao contrário dos zumbis tradicionais, os loucos de A Epidemia pensam e agem como um psicopata qualquer, podendo fazer armadilhas, ou pegar suas vítimas de surpresa. A visão de Breck Eisner para o terror do filme é excelente, e cria cenas maravilhosas, seja usando a amplidão do cenário: para filmar os sinistros campos isolados, ou o avião afundado no pântano; ou apelando para cenas claustrofóbicas: como a  cena do lava jato, ou a cena do louco e os prisioneiros nas macas.
Enquanto o grande blockbuster do momento, o já conhecido Resident Evil, aposta numa trama tosca, repleta de ação, com zumbis como enfeite de cenário, A Epidemia se mantem fiel à coluna dorsal do gênero, não de zumbis, mas se fixando no seu principal contexto: colapso da sociedade e sobrevivência, que além de um bom filme de terror, é mais uma crítica Romeriana ao sistema!



Direção: Breck Eisner
Roteiro: George Romero (Filme de 1973), Scott Kosar, Ray Wright
Duração: 101min
Distribuidora: Overture Films


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