domingo, 22 de agosto de 2010

Shadow Of The Colossus (2005)



Raramente se viu jogo tão original e envolvente quanto Shadow Of Colossus. Lançado pela Team Ico – equipe criada pela Sony, para desenvolver jogos diferentes do escalão popular, diversificando os títulos da empresa – em 2005, o jogo vendeu milhares de cópias e se tornou um sucesso.
A jogabilidade consiste basicamente, em controlar o protagonista na caçada a cada um dos 16 Colossos e derrotá-los. Usando a sua espada como bússola, o jogador gira a câmera, de modo que o reflexo do sol incidente na espada, se afunile e mostre o caminho onde se encontra o Colosso. O jogo inicia no templo onde estão localizadas as estatuas dos 16 Colossos, e que são destruídas após a morte de cada Colosso, sempre que você derrota uma das criaturas, você volta automaticamente para o templo, e é a partir de lá, que você deve dar início as caçadas aos outros monstros. Os colossos normalmente se encontram em pontos remotos do cenário – que pode ser TODO explorado – que normalmente só tem um acesso, e vão progressivamente se afastando do ponto inicial, exigindo muita paciência do jogador em certos momentos. O combate é maravilhoso, e consiste em alcançar os pontos fracos dos gigantes, obrigando-o a descobrir uma forma de escalar e se manter preso ao corpo da criatura. Cada um exige uma estratégia diferente, obrigando o jogador a estudar todas as probabilidades, e o todo o cenário em torno do monstro. Grande parte do jogo se consiste em ficar pendurado, e para isso foi criado uma barra que vai se esgotando enquanto você permanecer nessa posição, o que aumenta a dificuldade e torna o jogo mais real. Ainda existem algumas frutas, e lagartos que podem ser ingeridos, para aumentar a barra de vida e de resistência.
O jogo é realmente maravilhoso, e é uma das raríssimas obras de artes supremas, que aparece de tempos em tempos no mundo dos games. O cenário é magnífico, belo e realista. O gráfico é estupendo, o brilho do cenário, e a maneira como a luz do sol incide sobre as montanhas, e gera suas sombras é digna de nota. O cenário e todo composto de montanhas, vales, sendas, morros, florestas e cavernas, e tudo, absolutamente tudo é explorável – muitas vezes aquele riacho longínquo, no fundo de um penhasco, que você acha ser mero enfeite do cenário, é onde se encontra seu objetivo. A física do jogo, cria uma sensação de imensidade aos cenários, que só é rivalizada em relação aos próprios Colossos. Jogar Shadow Of The Colossus, é a sensação mais próxima, que você pode ter de explorar a Terra Média – sem os monstros claro, em vista que os Colossos e alguns lagartos, são as únicas almas vivas no jogo.
A física do jogo, extremamente cobrada de Ueda e Kaido, aos seus produtores, vale o esforço. Tudo parece perfeitamente real – ignorando o fato que o personagem é um tanto desengonçado – desde a exploração dos cenários, ao uso contínuo de sua égua, que é indispensável, pois faz você sentir a importância que uma montaria tem em longas jornadas. A movimentação da montaria de Wander, é maravilhosamente realista, e até as paradas bruscas do animal, são bem elaboradas. Os imensos cenários, e uma sensação de slow motion na jogabilidade, criam toda a atmosfera épica de Shadow Of The Colossus.
A indústria dos games, desde a era dos 16 bits, adora chefes gigantescos: desde Contra 3, passando por sucessivos Final Fantasys, e Castlevanias, chegando aos extremos como Devil May Cry e God Of War, chefes imensos são obliterados, principalmente com o uso de combos animais e finalizações alá Mortal Kombat, mas é com Shadow Of  The Colossus, que os games chegam ao ápice. Você não conta com nenhum tipo de combo, nenhuma animação destrutiva, nenhum especial nem nada, tudo o que você faz para destruir o Colosso, é feito manualmente, não se surpreenda, ao ter que escalar todo um monstro, a partir dos seus pés, e cair depois de chegar perto de seu objetivo. A sensação de se enfrentar um gigante, é muito realista, e a maioria dos monstros, o trata como um mero inseto.
Os Colossos – o grande clímax do jogo – são maravilhosamente bem construídos. Criaturas gigantescas, compostas de pedras, grama, e outros itens do cenário, fazem jus ao seu tamanho com relação a locomoção. Lentos, pesados – alguns são exceção – faz o jogador sentir na pele como enfrentar um gigante, e não se assuste se você ver um golpe que está a centenas de metros, cair sobre você em questão de segundos. A forma com que cada Colosso reage a seus golpes também é bem explorada. O jato de sangue que sai de cada golpe efetivo, é combinado com uma contração de todo o corpo da criatura, seguido de uma tentativa desesperada de retirar você de seu local – se for desferir um golpe, espere para a sua barra de resistência estar cheia, pois esse será o momento que você mais vai precisar dela.
Para rechear toda essa grandiosidade, não poderia faltar uma bela trilha sonora, e nisso Shadow Of The Colossus, acerta novamente. A maior parte do jogo em si, é silenciosa, e os únicos sons são os causados por Wander e Agro, a música só entra nas batalhas. A sensação que cinematográfica, é realçada pela programação, que altera a música, de acordo com seu progresso na batalha – muitas vezes, a música só chega ao seu clímax depois que você está em cima dos Colossos, desferindo seus golpes mortais. Chegou a ser lançado no Japão, Roar Of The Earth, o CD com todas as músicas presentes no jogo.
Jogabilidade, física, trilha sonora, e ação, tudo contribui para o conjunto da obra, fazendo de Shadow Of Colossus um dos melhores títulos já lançados para os vídeo games, tendo como fator essencial a originalidade, pois pode ter certeza de que você nunca jogou e nem vai jogar – pelo menos por enquanto – algo como isso. Perfeito!!!



Criador: Fumito Ueda, Kanji Kaido
Empresa: Team Ico
Estilo: Ação Aventura











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