quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O Condenado (Gallows Thief, 2005)

Bernard Cornwell, o aclamado escritor de romances históricos, cultuado pela publicação de mais de 40 obras, todas contendo descrições históricas primorosas, e enredos cativantes, agrada a todos... quase todos!
A narrativa de Cornwell, realmente é riquíssima em detalhes, e ele consegue passar para o leitor toda a atmosfera dos tempos medievais, porém desenvolve pouco o roteiro, se atendo em muitas batalhas e principalmente, enaltecendo toda a sordidez da humanidade: luxúria, pedofilia, e machismo excessivo são muito lembrados por Cornwell, que passa a imagem – verdadeira, porém um tanto negativa demais – de um tempo em que a liberdade de expressão não existia. Com esses efeitos, as obras de Cornwell, se tornam um pouco cansativas demais, e os personagens na sua grande maioria, são meros produtos do sistema e não cativam.
O Condenado conta a história do Capitão Rider Sandman, que é chamado para uma investigação, a cerca de um prisioneiro que está a beira da execução. Sandman, conta com a ajuda de seus amigos Sam Berrigan, Mrs Sally e Lorde Alexander, na corrida contra o tempo para tirar um inocente da forca. Na sua jornada ele vai percorrer uma Londres imersa na sua própria podridão!
O primeiro capítulo, começa com uma descrição extremamente detalhada, de prisioneiros a caminho da forca, e a presença de uma mulher como condenada – inocentemente, como era comum nos tempos de soberania da Igreja – é o trunfo para prender a atenção do leitor, age como um cartão de visitas maravilhoso... de uma obra que não é lá essas coisas.   
Depois de todo o drama do capítulo inicial, a história cai de rendimento. Os personagens não enchem os olhos. Sandman é um personagem honesto, seguro nas suas ideologias, e bastante honrado, mas alguma coisa faltou para cativar, talvez toda a sua benevolência, seja contraditória com o perfil de um capitão que comandou tropas britânicas na lendária batalha de Waterloo. Sam Berrigan é também um ex soldado, e topa com Sandman, como um adversário, porém o lado bom – de alguém que cometeu muitos crimes, nota-se no enredo – dele fala mais, alto e de uma hora para outra, Sandman e Berrigan, se tornam os melhores amigos que já existiram no mundo... no mínimo improvável. Mrs Sally é a garota bonita, que assim como no cinema, parece fazer o papel clássico de “um bom par de seios”, não cheira nem fede na história, mas fica a impressão que é uma bela garota. Lorde Alexander por sua vez, é um clérigo um tanto quando saidinho, mas que não tem peso nenhum na história. Soma-se isso, a inimigos inexpressivos, burguesia afundada em prazeres mundanos, e aias que morrem de medo de insetos, e você tem um elenco no mínimo insípido.
O roteiro também não é digno de nota, a suposta investigação simplesmente não existe, nenhuma prova, nem nada é achada ou investigada, tudo não passa de uma sucessão de diálogos e perguntas, que vai passando de pessoa no melhor estilo: “Você roubou o pão na casa do João? Não! Então quem foi? Foi o fulano!”, e assim segue numa facilidade, que deixaria Sherlock Holmes perplexo! Os obstáculos que Sandman encontra pelo caminho também são chatos e inexpressivos, e ele consegue invadir casas, clubes, numa facilidade tão impressionante, que tira todo o clima de perigo que pudesse existir na história. Para fechar a história, o final vem com um clímax excessivo de corrida contra o tempo, que não pareceu existir ao longo do livro, uma dose de ação de ultima hora, e personagens “famosos” que aparecem do nada, sem motivo aparente, geram um arremate descrente, e fraco, a altura do enredo.
Realmente um livro muito fraco na minha concepção, porém a narrativa de Cornwell, se mantêm a altura, dos detalhes por ele imortalizados, e o leitor pode ter uma noção bastante fidedigna da cultura, arquitetura e moda de uma Londres do século 19. 
O apanhado geral, é que Cornwell não me agrada, e em respeito ao grande escritor que ele é, não me acanho em afirmar que O Condenado pode ser uma das mais fracas obras, por ele escritas.

Escritor: Bernard Cornwell

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