segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Livros sem papel?

Antigamente quando você queria escutar uma música, você pegava o seu vinil, colocava no toca discos, ajeitava a agulha, e ouvia um som gostoso e nostálgico com um velho ruído característico, causado pelo atrito da agulha com o vinil. Ou então através das fitas cassete. Mas a boa e velha tecnologia, como sempre avançado inexoravelmente, trouxe-nos o disco laser, popularmente conhecido como CD. Espaço nos foi poupado pelo seu tamanho diminuto – em relação aos vinis – a qualidade de som era “melhor”, ruídos não existiam mais, e a capacidade de ser gravado com facilidade, acabou extinguindo também as velhas fitas cassete. A tecnologia por sua vez, não diminui seus passos pesados e velozes, em busca do avanço, e com a popularização da internet e de novos softwares, os CD’s também estão com seus dias contados. Hoje são os mp3’s e os I’pod’s que dominam o mercado, e as vastas coleções de CD’s foram substituídas pelo HD dos  computadores. O avanço tecnológico de fato moldou violentamente o mundo da música, e esse mesmo avanço, pode também alterar o universo de outra mídia muito popular: os livros.
Desde o início da humanidade o homem anseia em se comunicar, e para isso desenvolveu além da fala, a capacidade de comunicação através de sinais ou desenhos – como as pinturas monolíticas – e consequentemente a escrita. Os livros são unidades de informação seculares, herdados de muitas gerações de antepassados. Hoje em dia, livros são um companheiro comum no dia a dia das pessoas, seja nas escolas, ou seja na cabeceira da cama, sejam leituras educacionais – como livros didáticos, e dicionários – seja literatura, seja livros sobre a história da humanidade, seja livros sobre a histórias de terras fantásticas. O fato é que o livro sempre esteve presente, e atualmente mais do que nunca, ele se encontra no cotidiano do homem. Os livros sempre manteram uma fórmula: capa, e as folhas encadernadas. E agora, será que vai passar realmente para os HD’s da vida, assim como a música?
Com a torrente permanente de eletrônicos jorrados no mercado semanalmente, é bem verdade que os livros como conhecemos correm sério risco de mudar, hoje praticamente qualquer celular tem a capacidade, de armazenar textos, e ainda são criados muitos aparelhos com essa finalidade, dessa forma é difícil não acreditar numa mudança drástica da indústria literária. Os livros eletrônicos tem algumas vantagens, como: armazenamento – assim como aconteceu com os CD’s, o espaço para armazenamento dos livros fica praticamente extinto – transporte – é mais fácil carregar um pequeno eletrônico, do que alguns livros – e acima de tudo, o custo produtivo – um livro digital gastaria menos de 20% uma produção normal de um livro, e a celulose se tornaria obsoleta nesse aspecto. Sim, analisando por esse ponto de vista os livros digitais seriam uma ótima pedida, mas pelo ponto de vista do livro tradicional, vê-se que a coisa não é bem assim.
Quando você entra numa livraria, uma das coisas que mais chama atenção, é justamente o visual dos livros: Uma boa capa, peso, volume, isso tudo contribui para a o leitor criar uma afinidade com o livro. Observar todos os detalhes da capa, o título, ler a sinopse na contracapa, e na traseira do livro, e posteriormente folhear um livro, absorvendo tudo o que a história tem para oferecer, tudo isso faz parte da arte ritualística que é a leitura, e tudo isso simplesmente desaparece com os livros virtuais, através deles, ler deixaria de ser um ritual prazeroso, e se tornaria num simples ato de ler palavras continuamente. Outro fator importante, é a claridade do visor, os led’s presentes nos monitores dos digitais, se tornam irritantes com o tempo, cansando a vista, dificilmente você conseguiria ler um digital com a mesma eficiência do que um livro, principalmente para quem tem problemas de vista. Outro fator muito importante a ser observado, é que com um livro digital, você passa a ficar dependente de baterias, e consequentemente de energia elétrica, enquanto um livro tradicional, pode estar sempre ao seu lado, em qualquer lugar do mundo, independente dos seus recursos – ao contrário da musica, que sempre depende de energia.
De uma forma geral é difícil acreditar numa “não transformação” do universo literário, mas se compararmos com a música temos que analisar o fato de que: as mudanças para o mundo da música, vieram bem a calhar, enquanto para o mundo dos livros, é mais uma transformação radical do que de fato uma melhoria. Eu sinceramente espero, e acredito que o bom e velho livro tradicional, não está com os dias contados – pelo contrário, nos últimos anos, o consumo do livro de papel aumentou, mesmo com o crescimento das mídias eletrônicas – e falta ver como os consumidores vão reagir à essa transformação, afinal de contas, o ato de folhear, usar marcadores personalizados, escrever dedicatórias, e trocar ou emprestar livros, é algo impresso na alma dos leitores, e um Kindle não ficaria bonito exposto na sua prateleira!


Um comentário:

  1. Bela crítica, maninho. Concordo plenamente com você e pelo o que ouço e leio, realmente, o impresso não dará lugar aos e-books. Acho que o progresso tecnológico tem ido longe demais, uma vez que deveria prezar a praticidade e qualidade, enfatiza apenas "quantidade". Às vezes, como nesse caso, prefiro o Conservadorismo. Sem contar que ler pela tela de um computador é ridículo e eu me recuso fazer isso! E VIVA o livro impresso! rs

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