quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Lobisomem (The Wolfman, 2010)

Enquanto Edward brilha na luz do sol, e Jacob desfila pela tela com sua barriga tanquinho sarada, Lawrence Talbot se esconde desesperado na mansão de sua família, com o sangue derramado na noite anterior em suas mãos. Essa seria uma boa forma de colocar como O Lobisomem se contrasta com o cenário do cinema atual, ultimamente a telona foi invadida por uma legião de monstros bonzinhos, e liderados por Crepúsculo, aparece uma porção de filmes e séries que colocam criaturas das trevas, como os mocinhos da história. Em O Lobisomem acontece o oposto, com uma boa produção e mantendo o pé na estrutura dos clássicos, Joe Johnston resgata a imagem dessas criaturas, que foram meio apagadas nos últimos anos.
 Lawrence Talbot (Benicio Del Toro), é um ator, que retorna a sua casa depois de vários anos de ausência, para investigar o desaparecimento do irmão, e chegando lá, descobre coisas terríveis sobre um possível monstro rondando o lugar. Sondado pela presença confortável de sua cunhada Gwen (Emily Blunt), e pela figura misteriosa e opressora de seu pai Sir John Talbot (Anthony Hopkins), Lawrence começa a descobrir coisas do seu passado, que podem mudar sua vida para sempre. Nessa relação áspera com o pai, Lawrence passa a ser investigado pelo Inspetor Abberline (Hugo Weaving), que desconfia que Lawrence seja louco e pode ter matado o próprio irmão.
O roteiro dividiu bastante a critica, mas de uma forma ou de outra acertou em não inovar demais. Apostando na boa  e velha receita, se mantém nos trilhos como um bom filme de terror tradicional - anterior à era do horror oriental – e não falha nesse aspecto. O filme tem uma dosagem alta de violência, membros retalhados, e vitimas dilaceradas são uma constante no filme, que em momento algum tem medo de espantar o grande público, com demonstrações bastante gore.
Muitas controvérsias surgiram sobre o roteiro, sobre a trama batida, sobre os personagens bem ou mal desenvolvidos, enfim... mas não podemos deixar de comentar o ponto alto do filme: a ambientação. Muitos problemas surgiram perto do lançamento do filme, o que deixou muita gente apreensiva, mas no fim das contas o que se viu foi um filme perfeitamente bem finalizado. O cenário é soberbo, e tudo contribui para passar a alma gótica da história ao espectador: a velha mansão dos Talbot, a floresta sombria, Londres e sua eterna neblina, e a lua cheia... Tudo isso contribui para o universo abordado no filme, com os ataques noturnos da criatura sendo algo memorável. Outro ponto que o filme acerta em ir contra a maré, foi em optar em não usar CGI para construir o monstro. A CGI é a técnica usada pela maioria dos filmes atuais, na concepção de criaturas, mas em O Lobisomem, Joe Johnston, preferiu usar a clássica maquiagem, e o efeito foi surpreendente: a criatura realmente parece real, tanto na locomoção, quanto nas expressões faciais, e passam todo o horror, medo e insanidade vividos pelo personagem.
O Lobisomem pode não ser um filme que vai entrar para a história, mas grava seu nome, justamente por ousar em não ser ousado. Bom saber que em tempos que lobisomens e vampiros arrancam suspiros enamorados de adolescentes no cinema, monstros ainda podem arrancar cabeças!


Direção: Joe Johnston
Duração: 102min
Distribuidora: Universal Pictures, Relativity Media, Stuber Productions





Um comentário:

  1. Assino em baixo, pois tive quase que a mesma impressaõ.Como gosto do clássico,sem muito da virtualização das CGIS, este filme atendeu as minhas expectativas.Parabéns pela crítica.

    ResponderExcluir