domingo, 11 de julho de 2010

Contos de Terror do Tio Montague (Uncle Montague's Tales of Terror, 2007)

Um livro que faria até Edgar Allan Poe, tremer. Ta bom, ta bom, pode até ser muita presunção começar uma critica com essa frase, mas o fato é que Chris Priestley, consegue criar em Contos de Terror do Tio Montague, uma história de terror maravilhosa, que não faz feio diante as do pai da literatura gótica – o eterno Poe. Não se deixe levar pela capa aparentemente infantil, porque o livro de ingênuo não tem nada.
Edgar é um garoto comum que adora ouvir histórias de terror, e resolve visitar seu tio, para que ele lhe possa contar algumas. O livro começa descrevendo, a travessia de Edgar pelo bosque que leva a casa de seu tio, mostrando como o medo pode infundir coisas nas cabeças das pessoas. Lá chegando, ele encontra no lar do Tio Montague, um ambiente não menos assustador, ou no mínimo misterioso. A casa iluminada somente por velas, serve como ambiente propício para as histórias que serão contadas pelo tio. O tio conta várias histórias, todas bem detalhadas e muito assustadoras, mas o que intriga realmente à Edgar, é o realismo contido nas histórias, que sempre têm um objeto da narrativa presente na casa. Como se não bastasse os estranhos objetos que Tio Montague guarda, ainda tem as estranhas crianças que Edgar parece ver de vez enquanto no quintal, sem falar em Franz o estranho e misterioso mordomo da casa, e outros barulhos que parecem proliferar no velho casarão. Será que Edgar está se deixando levar pelo medo? Será que seu tio é louco? Será que tudo o que aconteceu foi real? Essas são as dúvidas na cabeça de Edgar ao longo da leitura, até que seu tio resolva lhe contar seu ultimo conto, um conto sobre o próprio Tio Montague.
O livro é “direcionado” ao público infanto juvenil, mas não se engane, pois as histórias aqui contidas são no mínimo macabras. Demônios, fantasmas assassinos, ladrões de almas, tudo isso pode ser encontrado em Contos de Terror do Tio Montague. Você vai se pegar com receio de olhar no espelho depois de “A Moldura Dourada”, ou com medo de abrir aquela velha porta do sótão depois de “A des-porta”, e vai pensar duas vezes quando estiver passando perto de uma árvore e todos os pássaros levantarem vôo repentinamente depois de “Poda de Inverno”.
Priestley faz uma homenagem a velha arte de contar histórias - típica das famílias de uma era pré – televisão – e consegue assustar bastante o leitor. Livro muito muito bom, que eu recomendo, mas deixe para ler a noite em um dia chuvoso a luz de uma vela, seria uma experiência no mínimo excitante.





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