sábado, 31 de julho de 2010

Piratas do Caribe: O Baú Da Morte ( Pirates of The Caribbean: Dead Man's Chest, 2006)

Normalmente quando um filme faz muito sucesso, logo uma seqüência é lançada para aproveitar o nome do filme, e criar uma franquia, e Piratas do Caribe, depois do sucesso que foi, não iria ficar de fora dessa. Mais dois filmes – rodados juntos – foram gravados para dar seqüência ao enredo, e pelo menos esse que é o segundo filme da franquia, não faz feio.
Davy Jones
 A história continua em altíssimo nível com Piratas do Caribe: O Baú da Morte, se da primeira vez Barba Negra serviu como molde para Barbossa, dessa vez outro pirata lendário – esse realmente lendário – foi escolhido para ser o vilão da trama, mantendo o tom sobrenatural do primeiro filme, Davy Jones (Bill Nighy) o capitão do navio fantasma Holandês Voador, vem cobrar uma dívida que Jack Sparrow tinha para com ele. Jack estará amaldiçoado a trabalhar no Holandês durante 100 anos, a menos que consiga pegar a chave e encontrar o baú que guarda o coração de Davy Jones. Mas Jack não é o único atrás do baú, Will Turner é coagido a procurar o baú pelo diretor da Companhia das Índias Orientais: Lord Cutler Beckett (Tom Hollander), que aprisiona Elizabeth e chantageia Will. Outro que parecia perdido resolve dar as caras e vai atrás também do baú, o ex Comodoro Norrington agora é um desempregado, e anseia em conseguir o seu posto de volta.
Kraken afundando navio
Piratas do Caribe: O Baú da Morte, não se atreve a ousar demais no roteiro, e mantêm a mesma proposta do primeiro filme, com cenas de ação em alto mar de tirar o fôlego. O grau de aventura é alucinante, e o filme não deixa o espectador respirar nenhuma vez com cenas hora emocionantes e hora hilárias. A seqüência com os canibais é um dos melhores momentos do filme. Mas a grande sensação do filme é o mascote de Davy Jones: O Kraken. O monstrengo é gigantesco, e ataca com seus tentáculos, destruindo alguns navios ao longo do filme. Bill Nighy também interpreta muito bem o seu Davy Jones, fazendo do antagonista um verdadeiro vilão dos mares. A reintegração de Norrington à trama caiu como uma luva, e tem no ápice de sua participação a batalha tripla na qual ele, Jack e Will duelam para ver quem ficará com a chave e consequentemente com o coração de Jones.
A trama tem um fim inesperado, culminando com a morte de uns protagonistas, mas não é um final definitivo, o filme acaba com o ressurgimento de alguém que deixou saudades no primeiro filme, e joga muita expectativa para o terceiro e ultimo filme da trilogia.

Direção Gore Verbinski
Roteiro: Teddy Elliott, Terry Rossio
Duração: 150min
Distribuidora: Walt Disney Pictures

Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra (Pirates Of The Caribbean: The Curse Of The Black Pearl, 2003)

Antigamente, eram chamados de piratas, os assaltantes que singravam os mares para promover saques e pilhagens, simples malfeitores. A superstição muito comum entre os marujos, e personagens peculiares como Edward Teach, O Barba Negra, foram gerando muitas lendas com relação aos bucaneiros, e foi com A Ilha do Tesouro, livro lançado em 1883 por Robert Louis Stevenson, que os piratas chegaram ao seu estereótipo popular: aventureiros, com olho de vidro e perna de pau, viciados em rum, que enterravam tesouros e desenhavam um mapa para localizá-lo. A partir disso, os piratas viraram protagonistas típicos de aventuras em alto mar, e depois de vários anos sendo homenageados na literatura e no cinema, finalmente eles ganham a homenagem máxima, uma obra de arte em matéria de diversão e aventura: Piratas do Caribe. Um dos estúdios mais renomados dentro de Hollywood, a prestigiada Disney, consegue mais uma vez emplacar uma pérola, apostando numa aventura para toda família, sem mudar sua fórmula.
 Aproveitando tudo o que de melhor oferece o tema pirataria, Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, conta a história de Will Turner (Orlando Bloom), jovem que é encontrado perdido em alto mar, é salvo pela família de Elizabeth Swann (keira Knightley), por quem ele vem futuramente a se apaixonar. Infelizmente, o ferreiro de Port Royal, não é bom o bastante para a filha do governador, e Elizabeth acaba sendo prometida para o Comodoro Norrington (Jack Davenport). Mas o destino dos dois muda drásticamente com a chegada de um fantasma dos mares: o navio Pérola Negra, muito famoso nas lendas da região, ataca repentinamente a cidade, seqüestrando Elizabeth. Coincidentemente, chegava ao porto um dia antes do ataque, o notório pirata Jack Sparrow (Jhonny Depp), que depois de uma desavença resolve se unir a Turner no resgate de Elizabeth. Barbossa (Geoffrey Rush) é o capitão da tripulação amaldiçoada do Pérola, uma horda de zumbis imortais, que tem sua forma verdadeira revelada sob a luz da lua, e tem como objetivo reunir todo os medalhões astecas para se ver livre da maldição. Will Turner pretende salvar Elizabeth de seu captor, auxiliado por Sparrow que ambiciona rever seu velho navio. Correndo por fora Comodoro Norrington deseja salvar sal futura esposa, e prender o pirata condenado Jack Sparrow, e capturar o Pérola Negra.
O filme pode apostar numa abordagem simples, com único intuito de arrecadar dinheiro e conquistar o grande público, mas é tão bem feito que acaba acertando em todos os detalhes. As travessias pelo oceano são fantásticas, revelando muitos lugares icônicos, como ilhas perdidas, paraísos piratas e tudo mais. O figurino é fantástico, e os efeitos especiais, as batalhas em alto mar, ficaram perfeitas. O roteiro é extremamente agradável, com reviravoltas e desafios gostosos de se ver. Mas o grande trunfo do filme está nos atores: Keira Knightley, interpreta uma típica burguesinha rebelde, que prefere uma vida de aventuras à ficar confinada num espartilho, e cai como uma luva no papel de “mocinha” do filme, o “mocinho” por sua vez é o corajoso Will Turner, interpretado por Orlando Bloom, que acabava de vir de um espetacular Legolas em O Senhor dos Anéis, e mesmo assim conseguiu criar um personagem com caráter e personalidade. Jack Davenport, não faz feio e se mantêm muito bem no papel de “vilão” coadjuvante. Quem brilha mesmo no elenco com maestria são os dois arquirrivais: Barbossa e Jack Sparrow. Geoffrey Rush (Barbossa), executa com maestria um pirata clássico, estereotipado ao máximo, com tudo o que tem direito, desde os maus modos, a vasta barba negra, e ao cativante macaco de estimação, mas o ponto alto no filme é a atuação absolutamente magistral de Jhonny Depp. A princípio, os produtores não aprovaram um Jack Sparrow, cômico e desajustado, queriam algo mais sério, o que seria um erro, pois foi justamente o pirata bêbado e excêntrico interpretado por Depp o grande ápice do filme, e que acabou se tornando um dos maiores personagens da Disney, senão da história do cinema.
E essa é a Disney, que investindo nos efeitos especiais, numa trilha sonora cativantemente épica e visando agradar a todos, conseguiu criar a maior história sobre piratas da história, que acabou gerando duas seqüências, uma maravilhosa, outra...

Direção Gore Verbinski
Roteiro: Teddy Elliott, Terry Rossio
Duração: 143min
Distribuidora: Walt Disney Pictures

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Liga Extraordinária



A literatura do século XIX é um universo muito rico em aventuras e personagens memoráveis. Muita gente, perdeu a oportunidade de ler muitos desses clássicos – que se deve muito ao fato de as escolas e educadores, na falta de uma visão mais ampla, transformar a leitura em algo obrigatório e desconfortável, à opção cultivar a leitura nos alunos com livros mais agradáveis – e mesmo assim, quem nunca ouviu falar de Sherlock Holmes ou Drácula? Escritores entraram para a história com personagens e tramas que foram imortalizadas nas épocas vindouras. Alan Moore, um dos maiores gênios dos quadrinhos, faz uma homenagem fantástica a literatura clássica, apostando em uma idéia original e revolucionária, escrever uma história em quadrinhos mesclando todo aquele universo.
Nautilos
Ambientada na Era Vitoriana, Alan Moore cria uma história sustentada nos pináculos da ficção científica da era do vapor, um steampunk extraído das colunas dorsais de Wells e Verne. Mina Harker, Alan Quartermain, Dr. Henry Jekyll / Mr. Edward Hyde, Hawley Griffin, fazem parte de uma equipe, que a bordo do Nautilos comandado pelo próprio Capitão Nemo, têm como missão proteger o Império. Eles são informados que a cavorita – metal que anula as leis da gravidade – foi roubada, e caiu em mãos erradas, com receio de que uma máquina de guerra voadora seja criada eles partem para impedir os possíveis inimigos.
A trama é típica de um filme de aventura, e é bastante empolgante, mas o grande trunfo da história, é achar as referências à literatura. Todos os personagens principais são oriundos de algum livro – abaixo eu listo quais –, e outros tantos aparecem como plano de fundo, seja o retrato de Dorian Gray em um dos escritórios, ou a repercussão da recente morte de Sherlock Holmes, o cenário é todo centrado nas história de Julio Verne e H. G. Wells.
Moore, cria uma brincadeira, cheia de Easter Eggs literários, é agrada a todos os leitores, sejam de HQ ou dos livros. A Liga Extraordinária, virou filme que embora não tenha agrado os fãs, não deixa de ser uma excelente diversão.

Personagens:

Allan Quartemain
Edward Hyde
Esse explorador inglês e herói colonialista é protagonista dos romances As Minas do Rei Salomão e Allan Quartemain, do escritor britânico Henry Rider Haggard (1856-1925). Os livros narram as expedições e aventuras de Quartemain no continente africano

Mina Harker

Em A Liga Extraordinária ela é Mina Harker,personagem do romance Drácula, do escritor irlandês Bram Stoker (1847-1912). No livro, Mina é perseguida pelo famoso vampiro, que acredita ser ela a reencarnação de sua antiga amada

Dr. Henry Jekyll e Mr. Edward Hyde

No livro O Médico e o Monstro, do escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894), Dr. Jekyll se transforma no horripilante Mr. Hyde, após uma experiência malsucedida. Quando volta a si, ele tenta descobrir um antídoto para se livrar da maldição dessa dupla personalidade.




Capitão Nemo
Lendário comandante do submarino Nautilus, criado pelo escritor francês Júlio Verne (1828-1905) no livro Vinte Mil Léguas Submarinas, um clássico da ficção científica. Na obra de Verne, o Capitão Nemo viaja pelas profundezas do oceano e não hesita em afundar navios de guerra 

  


Roteiro: Alan Moore
Arte: Kevin O’Neill

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Predadores (Predator, 2010)

“Volta às Origens”, tem sido essa a fórmula usada no remake de muitos filmes atualmente. Sempre que uma franquia alcança certo sucesso, é quase certeza que ela terá uma continuação, e muitas vezes os produtores, com medo de fazer algo repetitivo e maçante, e com a intenção de atrair novos fãs, acabam inovando tanto o enredo dessas franquias, que acaba fazendo com que percam a identidade. Com o Predador não foi diferente, depois de uma renomada fama, direcionada a um público alvo, os Predadores galgaram o mainstream, protagonizando duas seqüências ao lado de outro famoso alienígena: O Alien – que para mim, é uma profanação na carreira do monstro. Os filmes conseguiram levar o grande público ao cinema, mas de fato não eram bons, então mais uma vez os produtores, optaram pelo caminho mais simples, mais rápido e mais fácil: o bom e velho retorno as origens.
Predadores, conta a história de sete pessoas, que foram simplesmente transportadas do local que se encontravam, para uma selva remota e desconhecida. Perdidos e sem saber o que fazer, eles descobrem que na verdade se encontram em outro planeta, e que junto com eles outras criaturas foram deixadas lá. A trama se transforma em um sanguinário e violento jogo de gato e rato, e os sobreviventes farão de tudo para continuarem sobrevivendo. Eles precisam fazer de tudo para sobreviver e ainda conseguirem fugir do malfadado planeta, e podem contar com uma grande ajuda, ou não!
O filme não é um primor de qualidade técnica, nem nada do tipo, os atores interpretam simplesmente o necessário: soldados seguidores do lema, “atire primeiro, pergunte depois”, e numa caçada onde só os melhores soldados foram escolhidos, você se pergunta o que um ou dois personagens estão fazendo na história. De resto você já conhece, já sabe quem são os Predadores, e suas armas e técnicas então nem se tem muito a comentar.
Bom, é basicamente isso, não se tem muito mais a dizer. A ambientação ficou boa, as cenas de ação ficam dentro das expectativas, o roteiro é simples, como realmente tinha que ser. O filme é uma obra de arte ? Não, mas para quem é fã do monstrengo, é muito agradável de se ver. Nessa era de remakes, eu continuo a espera de um novo solo do Alien.

Direção: Nimrod Antal
Roteiro: Alex Litvak, Michael Finch, Jim Thomas, John Thomas
Duração: 101 min
Distribuidora: Fox Filmes do Brasil


Dagon

Howard Phillips Lovecraft, é um dos maiores escritores da Literatura clássica de horror, e acabou influenciando vários nomes da literatura como : Stephen King, Robert E. Howard, Guillermo Del Toro, Neil Gaiman, entre outros, sendo ele próprio influenciado por um dos pais da literatura gótica: Edgar Allan Poe. Lovecraft criou um estilo próprio de literatura: goticismo misturado com ficção científica, tudo isso ambientado numa mitologia criada por ele próprio, conhecida como os Mitos de Cthullu.
Uma constante na obra de Lovecraft, é o horror inonimável: criaturas tão horrendas e grotescas, que não podem ser descritas com palavras; e a loucura: quase todos os protagonistas das histórias, se encontram em estado de loucura iminente, a um passo da perdição. Lovecraft conseguiu dessa forma cravar seu nome na história da literatura, de onde não deve sair nunca mais.
A mitologia de Craftiniana, prega que a Terra foi habitada a milhares de anos, por criaturas conhecidas como Os Antigos, que foram embora da Terra, mas devem voltar em breve para retomar seu lugar, e já se acham presentes entre nós. Em Dagon, encontramos 8 contos, que se baseiam nisso, e apresentam uma outra raça presente no mundo: Os Profundos, uma raça humanóide anfíbia, que mora sob as águas do oceano, e vivem alheios a presença dos Antigos, seu principal deus é Dagon, mas sobre ele não se sabe muita coisa.
            
                                 CONTOS

O Medo à Espreita

Conta a história, de uma espécie de demônio que é invocado sempre pelos sons dos relâmpagos.


Narra o encontro de um marinheiro, com o Deus Dagon.

Arthur Jermyn

Sobre um historiador, que sempre escutou as histórias de seu avô, sobre uma tribo simiesca perdida no interior do Congo, e enlouquece depois que recebe um caixão com um conteúdo peculiar.

O Templo

A Narrativa sobre um submarino, que tem contato com a possível Atlântida submersa. O único sobrevivente, começa a ter vislumbres de luzes, e vozes, e começa a ser atraído pelas ruínas.

O Pântano Lunar

Conta a história de um fidalgo que compra uma mansão as beiras de um pântano, e resolve drena-lo. Mas o pântano, parece ser habitado por uma raça anfíbia adoradora da lua.

O Inonimável

Conta a história de dois amigos escritores, que conversam sobre horrores na presença de uma lápide singular. Um cético, e outro que jura que já teve contato com uma coisa bizarra, e promete provar para o amigo.

O Intruso

O protagonista narra sua vida solitária, e sozinha no mundo, descrevendo o seu primeiro contato com a humanidade e com o horror existente no mundo.

A Sombra sobre Innsmouth

O mais longo dos contos do livro. A narrativa, de como uma cidade normal, foi transformada, em algo sinistro e sombrio, depois do contato de seu povo, com uma raça submarina.




sábado, 24 de julho de 2010

Ghouls

Backer deu uma boa golada de seu cantil, e despejou o resto pela cabeça suada, ele estava bastante cansado, pela manhã tinha levado suas cabras para pastar, e agora ao fim do dia, as guiava de volta para o seu pequeno curral. O sol já estava prestes a se por, e essa noite seria noite de lua cheia. Ele conduziu os animais para a lateral da casa, onde os prendeu num cercado de madeira, tinha colocado arame e alguns espinhos no alto, para aplacar o ataque dos lobos, trancou o portão e ficou torcendo para não ter nenhuma perda aquela noite. As pessoas de Smithplain seguiam sua rotina, mas se apressavam para fechar as casas e lacrar portas e janelas; a taberna passara o dia aberta normalmente, mas em noites de lua cheia não costumava fazer hora extra; Elder Smith e Jane Clain fizeram as orações básicas de proteção para a vila, a estalagem continuou funcionando, mas de portas fechadas; animais eram escondidos dentro das casas e as crianças pequenas iam cedo para a cama; enfim essa era a rotina de Smithplain, vilarejo pequeno que ficava a beira de uma densa floresta, que era recanto dos lobos, mas a vida era tranqüila, até aquela noite...
Quando a noite caiu, Backer já estava dentro de sua casa, com tudo trancado. A lua começava a subir deixando toda a cidade à beira da floresta clara, com as sombras fazendo um esforço ínfimo para se imporem na paisagem. Backer estava sentado em sua poltrona, e tinha acabado de encher um copo de leite, quando um uivo cortou o silêncio da noite, e foi seguido por um outro sucessivamente, até que uma cacofonia sinistra tomava conta da noite, como um verdadeiro concerto lupino. 
O ladrar de alguns lobos já podia ser ouvido de dentro da vila, sinal os animais já tinham começado a caça. As cabras faziam muito barulho, e Backer tentava controlar o impulso de sair de casa, mas sabia que isso era no mínimo insensato. Um lobo soltou um uivo alto e prolongado, bem perto da casa de Backer, quando um guincho extremamente alto e estridente, irrompeu da floresta calando o animal. Aquele som, fez Backer gelar até os ossos, e mais e mais guinchos começaram a ressoar pela noite, afugentando todos os lobos.
Nunca antes se tinha ouvido aquele som em Smithplain, o barulho era um chiado estridente, muito parecido com um gemido de desespero, e o mais aterrador era que tinha traços levemente humanos. A curiosidade tomou conta da vila, e Backer pode ouvir janelas sendo destravadas, e algumas pessoas tinham saído de casa, todos queriam saber do que se tratava o som que simplesmente cessou o ataque dos lobos, Backer era uma dessas pessoas.
Backer ameaçou colocar a cabeça para fora: nenhum sinal dos lobos, algumas pessoas faziam o mesmo, algumas outras arriscavam o corpo inteiro para fora, e Backer resolveu sair também. Da frente da sua casa, no meio da rua, ele tinha uma boa vista da floresta, mas mesmo com a claridade do luar, a densa floresta parecia negra e irrepreensível, e só com muito esforço Backer imaginou ter visto alguma coisa se mexendo no negrume da mata. Alguma não, algumas...
Backer franzia o cenho na esperança de enxergar algo, quando um grito lancinante explodiu a poucos metros a sua retaguarda: uma mulher era atacada cruelmente por duas criaturas, um dos monstros rasgava o vestido da mulher, e outro puxava seu braço enquanto lhe aplicava uma mordida, no pescoço já estava deflagrado uma lesão mortal. A violência da cena chocou todos os que presenciaram, afinal todos se conheciam em Smithplain, e ver a filha do estalajadeiro sendo destroçada daquele jeito era assustador para todo mundo, mas antes que qualquer ajuda fosse prestada, uma dezena daquelas malditas criaturas irrompeu da floresta, fazendo que todas as pessoas fugissem para salvar suas vidas.
Aquela foi uma noite que ficou marcada em Smithplain, muitas pessoas morreram naquele dia, e os ataques se tornaram constantes em noites de luar. Os lobos foram substituídos pela aquela horda infernal, e agora era questão de tempo até que o vilarejo fosse completamente destruído.

Continua...


quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Lobisomem (The Wolfman, 2010)

Enquanto Edward brilha na luz do sol, e Jacob desfila pela tela com sua barriga tanquinho sarada, Lawrence Talbot se esconde desesperado na mansão de sua família, com o sangue derramado na noite anterior em suas mãos. Essa seria uma boa forma de colocar como O Lobisomem se contrasta com o cenário do cinema atual, ultimamente a telona foi invadida por uma legião de monstros bonzinhos, e liderados por Crepúsculo, aparece uma porção de filmes e séries que colocam criaturas das trevas, como os mocinhos da história. Em O Lobisomem acontece o oposto, com uma boa produção e mantendo o pé na estrutura dos clássicos, Joe Johnston resgata a imagem dessas criaturas, que foram meio apagadas nos últimos anos.
 Lawrence Talbot (Benicio Del Toro), é um ator, que retorna a sua casa depois de vários anos de ausência, para investigar o desaparecimento do irmão, e chegando lá, descobre coisas terríveis sobre um possível monstro rondando o lugar. Sondado pela presença confortável de sua cunhada Gwen (Emily Blunt), e pela figura misteriosa e opressora de seu pai Sir John Talbot (Anthony Hopkins), Lawrence começa a descobrir coisas do seu passado, que podem mudar sua vida para sempre. Nessa relação áspera com o pai, Lawrence passa a ser investigado pelo Inspetor Abberline (Hugo Weaving), que desconfia que Lawrence seja louco e pode ter matado o próprio irmão.
O roteiro dividiu bastante a critica, mas de uma forma ou de outra acertou em não inovar demais. Apostando na boa  e velha receita, se mantém nos trilhos como um bom filme de terror tradicional - anterior à era do horror oriental – e não falha nesse aspecto. O filme tem uma dosagem alta de violência, membros retalhados, e vitimas dilaceradas são uma constante no filme, que em momento algum tem medo de espantar o grande público, com demonstrações bastante gore.
Muitas controvérsias surgiram sobre o roteiro, sobre a trama batida, sobre os personagens bem ou mal desenvolvidos, enfim... mas não podemos deixar de comentar o ponto alto do filme: a ambientação. Muitos problemas surgiram perto do lançamento do filme, o que deixou muita gente apreensiva, mas no fim das contas o que se viu foi um filme perfeitamente bem finalizado. O cenário é soberbo, e tudo contribui para passar a alma gótica da história ao espectador: a velha mansão dos Talbot, a floresta sombria, Londres e sua eterna neblina, e a lua cheia... Tudo isso contribui para o universo abordado no filme, com os ataques noturnos da criatura sendo algo memorável. Outro ponto que o filme acerta em ir contra a maré, foi em optar em não usar CGI para construir o monstro. A CGI é a técnica usada pela maioria dos filmes atuais, na concepção de criaturas, mas em O Lobisomem, Joe Johnston, preferiu usar a clássica maquiagem, e o efeito foi surpreendente: a criatura realmente parece real, tanto na locomoção, quanto nas expressões faciais, e passam todo o horror, medo e insanidade vividos pelo personagem.
O Lobisomem pode não ser um filme que vai entrar para a história, mas grava seu nome, justamente por ousar em não ser ousado. Bom saber que em tempos que lobisomens e vampiros arrancam suspiros enamorados de adolescentes no cinema, monstros ainda podem arrancar cabeças!


Direção: Joe Johnston
Duração: 102min
Distribuidora: Universal Pictures, Relativity Media, Stuber Productions





domingo, 18 de julho de 2010

Ilha do Medo (Shutter Island, 2010)

Martin Scorcese é considerado por muitos um dos maiores cineastas da história, e não é para menos, Scorcese é um gênio, que consegue levar para ao espectador, elementos chave do cinema – muito esquecidos, ou banalizados em filmes atuais. Scorcese é muito famoso por seus filme de drama e gangsters, mas em Ilha do Medo, ele penetra em terreno desconhecido: suspense sobrenatural, e o resultado? O cara é o Martin Scorcese!!!
A Ilha do Medo, conta a história do detetive Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio), e seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo), que são chamados para resolver um caso no Hospital Psiquiátrico Ashecliffe: Rachel Solando, acusada de matar os próprios filhos, desapareceu de sua cela, trancada e vigiada, sem deixar vestígios. Teddy Daniels conduz a investigação, mas encontra uma singela dificuldade: ninguém quer colaborar. Ninguém viu nem sinais da paciente, e Daniels desconfia veemente que todos estão conspirando em prol desse desaparecimento. Se não bastasse isso, os próprios diretores do hospital não colaboram com a investigação, não fornecendo a lista de pacientes e nem de médicos. Vários mistérios se desenrolam na trama: A estrutura do hospital que tem um aspecto praticamente militar, quem está na ala reservada para os mais perigosos pacientes?, porque  o ultimo doutor a cuidar de Raquel foi autorizado sair da ilha?, que é o Paciente 67 – título original do livro – que remete o bilhete de Raquel Solando, sendo que o hospital só tem 66 pacientes?
Em meio a esses mistérios, Daniels começa a ser vítima de seus próprios medos e pesadelos: a chacina que ele presenciou num campo de concentração na época da guerra, parece não ter saído de seu consciente, e o assassinato de sua mulher pelas mãos de um incendiário o perturbam cada vez mais. Somando tudo isso a inevitáveis dores de cabeça, mais mistérios vêem a tona: O assassino de sua mulher – Laeddis (Elias Koteas) – estaria internado no hospital? Que relação teria Daniels com Raquel? Ele próprio estaria sendo drogado? O que aconteceu com seu parceiro? O Farol é mesmo reservado para experiências sádicas? E assim se desenrola a trama do excelente Ilha do Medo que caminha sobre duas vertentes: Daniels é louco? ou todos estão mentindo para ele?
A atuação de Daniels é digna de Leonardo DiCaprio – um dos melhores atores do cinema – que consegue passar para tela todo o suspense vivido pelo protagonista: medo, desconfiança, insanidade, e tudo o mais que é exigido dele. Todas as cenas maravilhosas presentes no livro, são levadas a tela com eximia cautela por parte de Scorcese: a tempestade, toda a umidade presente no local, os pacientes, o hospício, os muros e grades, tudo. A fotografia do filme é excelente, e somada a trilha sonora consegue transmitir toda a tristeza e pesar da história, fazendo do filme mais uma pérola de Scorcese.
Scorcese adapta o livro de Denis Lehane com extrema habilidade – uma adaptação perfeita no meu conceito – criando todo o clima e atmosfera de tensão presente do início ao fim, reforçando aquilo que todo mundo já  sabe: a combinação, Scorcese / DiCaprio, é extremamente competente, e vitoriosa, e Ilha do Medo é mais um desses clássicos que você tem que assistir. Recomendado!

Direção: Martin Scorcese
Duração: 138min
Distribuidora: Paramount Pictures do Brasil





Steampunk

O Revolucinário
Steampunk é um subgênero da ficção científica, ou ficção especulativa, que ganhou fama no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Trata-se de obras ambientadas no passado, ou num universo semelhante a uma época anterior da história humana, no qual os paradigmas tecnológicos modernos ocorreram mais cedo do que na História real, mas foram obtidos por meio da ciência já disponível naquela época - como, por exemplo, computadores de madeira e aviões movidos a vapor. É um estilo normalmente associado ao cyberpunk e, assim como este, tem uma base de fãs semelhante, mas distinta.
Imagem do Jogo Machinarium
O gênero steampunk pode ser explicado de maneira muito simples, comparando-o a literatura que lhe deu origem. Baseado num universo de ficção cientifica criado por autores consagrados como Júlio Verne no fim do século XIX, ele mostra uma realidade espaço-temporal na qual a tecnologia mecânica a vapor teria evoluído até níveis impossíveis (ou pelo menos improváveis), com automóveis, aviões e até mesmo robôs movidos a vapor já naquela época.
Este tipo de enfoque não é novidade, tanto na mídia quanto nos RPGs. O gênero Steam (vapor em inglês) há muito vem se popularizando e se mostra aos nossos olhos em filmes e desenhos animados como, a série O Mundo Perdido, o seriado e o filme James West, o filme De Volta Para o Futuro III e os anime Steamboy e Full Metal Alchemist. Os filmes A Liga Extraordinária e Van Helsing são outros exemplos de filmes que trabalham exatamente este período da literatura. Viagens sobre trilhos de trens, verdadeiros hotéis flutuantes vagando em zeppelins e máquinas extravagantes de funcionamento complicado que fazem pouco mais do que um despertador pululam em cada canto do mundo. A HQ Rocketeer e o filme Capitão Sky e o Mundo de Amanhãsão classificados como dieselpunk


Imagem do cenário Reinos de Ferro
Apesar de várias obras agora consideradas como fundadoras do gênero terem sido publicadas nos anos 1960 e 1970, o termo "steampunk" se originou no final dos anos 1980 como uma variante de "cyberpunk". Como as histórias do "steampunk" prototípico eram essencialmente contos cyberpunk ambientados na passado, usando tecnologia da era do vapor em vez da ubíqua cibernética do cyberpunk, mas mantendo as atitudes "punkistas" dessas histórias em relação a figuras de autoridade e à natureza humana. Originalmente, como o cyberpunk, o steampunk foi tipicamente distópico, geralmente com temas de noir e ficção pulp, como uma variante do cyberpunk. À medida que o gênero se desenvolveu veio a adotar mais um apelo utópico das sensibilidades dos romances de ficção científica do século XIX.
A ficção steampunk se foca mais sobre a tecnologia real, teórica ou cinemática da era vitoriana (1837-1901), inclusive motores a vapor, aparelhos mecânico, e motores de diferença. Apesar de muitas obras steampunk serem ambientadas em cenários vitorianos, o gênero tem se expandido até para cenários medievais e geralmente passeia pelos domínios do terror e da fantasia. Várias sociedades secretas e teorias conspiratórias são geralmente apresentadas, e alguns steampunks incluem elementos significativos de fantasia. Além disso, há frequentemente influências lovecraftianasocultistas e góticas.
As origens do steampunk remontagem às obras pioneiras de ficção científica de Júlio VerneH.G. WellsMark Twain e Mary Shelley, entre outros. Cada um destes autores escreveu obras apresentando tecnologia avançada e ambientada no século XIX ou início do século XX. Apesar de estes livros poderem ser classificados como steampunk hoje em dia, isto não é um rótulo exatamente correto, já que eles eram, na época de sua publicação, ambientados na época contemporânea (com exceção de Um Ianque de Connecticut na Corte do Rei Artur, de Twain).
Uma influência adicional na criação de steampunks são os contos Edisonade de Edward S. Ellis, Luis Senarens e outros, em que seus personagens Johnny Brainerd, Frank Reade, Jr., Tom Edison, Jr., e Jack Wright usavam veículos tecnologicamente avançados movidos a vapor em aventuras através dos Estados Unidos e do mundo. Além de fornecer a escritores posteriores os primeiros exemplos de criações de ficção científica usando a força do vapor, estas histórias tiveram uma influência direta no tema do "boy inventor" (garoto inventor), um subgênero de ficção científica personificado por Tom Swift (e repetido por SteamboyGirl Genius e outros).
Uma origem plausível para o ethos steampunk dentro um contexto de mídia deve ser o filme original mudo Viagem à Lua, de Georges Méliès, que retrata uma viagem à lua, usando as tecnologias da época (especificamente, usando um grande canhão para ejetar um 'foguete' no espaço).
Obs. Esse Texto foi retirado integralmente do Wikipedia.

Cyberpunk

O Rebelde 

Cena do filme Bladeruner
O argumento da escrita cyberpunk se centra em um conflito entre hackers, inteligências artificiais, e megacorporações, tendentes a serem postos dentro da Terra num futuro próximo, em oposição do futuro distante panorama de encontros galáticos em romances como aFundação de Isaac Asimov ou Dune de Frank Herbert. As visões deste futuro tenden a ser distopias pós-industriais, mas estão normalmente marcadas por um fomento cultural extraordinário e o uso de tecnologias em âmbitos nunca antecipados por seus criadores ("A rua encontra suas próprias aplicações pras coisas"). A atmosfera do gênero em sua maioria faz eco no cine negro e se utiliza pouco neste gênero técnicas de romances policiais. Entre os primeiros expoentes do gênero cyberpunk se encontran William Gibson, Bruce Sterling, Pat Cadigan, Rudy Rucker e John Shirley. O termo Cyberpunk se cunhou nos anos 80 e continua sendo atual.
Diferente da ficção científica da Nova onda, que importou as técnicas e as preocupações estilísticas que já existiam na literatura e na cultura, o cyberpunk se originou na ficção científica primeiro, antes de incrementar a tendência dominante de sua exposição. No começo e meio dos anos 80, o cyberpunk se converteu num tema de moda nos círculos acadêmicos, onde começou a ser objeto de investigação do pós-modernismo. Neste mesmo período, o gênero ingressou a Hollywood e se converteu em um dos estilos da ficção científica do segmento do cine. Muitos filmes influentes tais como Blade Runner e a trilogia de Matrix se podem ver como conseqüências proeminentes dos estilos e dos temas do gênero. Os jogos de computador, os jogos de tabuleiro e os jogos de rpg, tais como Shadowrun, ou o apropriadamente nomeado Cyberpunk 2020, oferecem a miúdo roteiros que estão fortemente influenciados pelos filmes e a literatura cyberpunk. Iniciando os anos 90, algumas tendências da moda e a música foran etiquetadas como cyberpunk.
Ghost In The Shell
Enquanto que uma grande variedade de escritores começou a trabalhar com conceitos do cyberpunk, novos sub-gêneros emergiram, que se centravam na tecnologia e seus efeitos sociais duma maneira diferente. Os exemplos incluem o steampunk, iniciado por Tim Powers, Kevin Wayne Jeter e James Blaylock, e o biopunk (ou alternativamente ribofunk), no qual Paul Di Filippo é proeminente. Adicionalmente algumas pessoas consideram trabalhos tais como A era do Diamante de Neal Stephenson como o início da categoria postcyberpunk.





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