terça-feira, 8 de junho de 2010

Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, 2009)


Quentin Tarantino é um capítulo a parte da história do cinema. Aclamado por uns e odiado por outros, Tarantino tem um jeito único de fazer filmes. Altamente influenciado pelo cinema clássico, com uma pitada de humor negro, violência e ironia, ele transforma seus filmes numa verdadeira miscigenagem de nostalgia com modernidade. Bastardos Inglórios senão o seu melhor filme é pelo menos, o mais maduro!
Uma das marcas registradas do roteiro de Tarantino é narrar separadamente vários trechos da história e juntando-os com o desenvolver do enredo – técnica usada primorosamente bem em Cães de Aluguel, e no fantástico Pulp Fiction. E assim começa o filme mostrando como Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), consegue escapar do sádico Coronel Hans Landa (Christoph Waltz), que está na França à caça aos judeus refugiados. Por outro lado o Tenente Aldo Raine (Brad Pitt), organiza um grupo de soldados judeus americanos que tem um único objetivo: matar nazistas. Esse é o eixo central do filme que no desenrolar da trama tem a agente secreta Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger), se unindo a Aldo Raine num plano ousado para matar os líderes do Terceiro Reich. O que ninguém sabe é que Shosanna sob a falsa identidade de Emmanuelle Mimieux traça seu próprio plano de vingança contra os nazistas...
Tarantino impõe sua personalidade ao filme por meio da trilha sonora, jogada de fotografia, texto espetacular, um detalhismo simplesmente impressionante nos diálogos, sem falar na dose - característica de seus filmes – cavalar de violência.
Outro ponto alto do filme foi a escolha do elenco: Tarantino é um mestre na arte de dirigir e exigir uma boa atuação dos atores, assim sendo cada personagem do filme desempenha excelentemente seu papel, – o Hitler ficou muito engraçado – mas o destaque especial vai para: Brad Pitt que interpreta um Aldo Raine sarcástico, com um sotaque americano bastante engraçado, e Christoph Waltz – vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante – que realmente dá um show no papel de Hans Landa, sádico, insensível, cômico e despreocupado, que teve sua atuação comparada à de Heath Ledger – o Coringa de Batman: O Cavaleiro das Trevas – que foi estrondosamente comentada na temporada passada.
O filme se passa numa França ocupada pelos Nazistas, mas não podemos deixar de notar uma série de elementos americanos embutidos no filme: o Sargento Donny Donowitz (Eli Roth) conhecido como “Urso Judeu” mata seus inimigos com um bastão de beisebol; a marca registrada dos “Bastardos” é o escalpelamento, técnica imortalizada pelos apaches norte – americanos. Esses são só os dois principais fatores que deixam evidente o forte patriotismo dos americanos no roteiro.
Em Bastardos Inglórios, Tarantino cria uma história fictícia mas com muita identidade, se tornando uma verdadeiro fábula sobre a segunda guerra. E como é comum em filmes sobre o nazismo, você sempre torcer para algo que você sabe que nunca vai dar certo, assista até o fim... O sadismo de Tarantino vai fazer você vibrar!
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Duração: 153min
Distribuidora: Universal Pictures do Brasil
Nota: * * * *

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