segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Sombra do Vento (La Sombra Del Viento, 2001)


Qual é a graça de ler? Ler é uma maneira que se tem de sair da monotonia do dia e dia, e entrar num mundo fictício, para viajar, se emocionar, e poder desligar e voltar ao mundo real a hora que você quiser. A leitura é algo muito pessoal, e você reage a ela de acordo com seus sentimentos e estado de espírito. E escrever é a mesma coisa, só que em um sentido oposto! Na leitura você está recebendo informação, e na escrita você está liberando-a. São esses os dois fatores essenciais para a existência de um livro: O escritor e o leitor! Em A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón, o escritor, leva os seus leitores em uma viagem emocionante, onde é mostrado todo o valor e toda a habilidade de se contar uma história, e onde se eleva o máximo o significado que um livro pode ter na vida de uma pessoa.
Em uma Barcelona sombria, sinistra, que carrega no vento, sussurros de vidas estilhaçadas, Daniel Sempere de 11 anos, é levado pelo pai, a um lugar bastante peculiar: O Cemitério Dos Livros Esquecidos. O lugar não passa de um depósito usado, para guardar livros, que não são mais usados pelas livrarias. Lá Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento, de Julian Carax, e se encanta apaixonadamente pela obra. Ao pesquisar mais sobre Julian Carax, a procura de outras obras do escritor, Daniel descobre que Carax, nunca fez sucesso como escritor, e que o exemplar que ele levava consigo era talvez a ultima obra de Julian. Na sua ânsia por mais livros, ele acaba de deparando com um personagem saído do próprio livro, que tem como objetivo queimar todas as publicações de Julian Carax, mas isso é só o começo.
A obra se arrasta por toda a vida de Daniel, que numa busca desenfreada para conhecer o destino de Carax, acaba se envolvendo em muitos perigos, trazendo a tona vários demônios do passado do escritor, sem perceber que seu próprio destino fora alterado para sempre, a partir do momento que leu o livro.
A Sombra do Vento, e como se fosse um livro dentro de outro, onde são contadas várias histórias, que contribuem para o contexto final da obra. Diferente de um livro de contos, a história segue fluente, mas intercalada pelo passado / presente. A cada capítulo Daniel, descobre mais sobre o passado de Carax, mas sempre que um segredo é revelado, outros vêem a tona, deixando o leitor cada vez mais apreensivo, e emocionado com o destino nefasto de Carax.
Carlos Ruiz Zafón leva ao máximo a arte de contar história, criando uma verdadeira miscelânea de gêneros: terror, suspense, romance, ação, drama, e tudo isso recheado a um clima de narrativa fantástico e entorpecente, vivenciado por personagens que tem uma profundidade psicológica arrebatadora – você se emociona com a vida de Carax, ao mesmo tempo que desejaria ter lido todos os livros daquele misterioso autor.
A Sombra do Vento é um dos poucos livros que conseguiu igualmente agradar ao público e a crítica ao mesmo tempo, e se tornou um sucesso imediato de vendas, e é realmente digna de todo esse alvoroço, comparado a Dumas e Hugo, Zafón, conseguiu criar uma história multigênero, que ao mesmo tempo em que segue dramática, enaltecendo ao máximo o desastre que foi a vida de Julian, consegue finalizar a obra, de forma a arrancar aplausos e lágrimas de todos os leitores. Mais que recomendado!!!
Escritor: Carlos Ruiz Zafón
Nota: * * * * *

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Os Mortos Vivos (The Walking Dead)


Em 1968, era lançado o primeiro filme de zumbis da história: A Noite dos Mortos Vivos. O filme mostrava um grupo de pessoas, refugiados dentro de uma casa, tentando sobreviver à uma horda de zumbis. Foi com esse filme que George A. Romero, criou o gênero “apocalipse – zumbi”, e popularizou os zumbis como conhecemos hoje. Se naquela época o filme foi um sucesso cult, de lá para cá muita coisa mudou, e os zumbis se ploriferaram, invadindo várias vertentes da cultura pop: cinema, animes, games, e hq’s. E dentre as centenas de hq’s relacionadas ao tema, uma pode ser considerada uma obra de arte: The Walking Dead - ou Os Mortos Vivos, aqui no Brasil.
The Walking Dead é a maior e mais popular hq sobre zumbis. Criada por Robert Kirkman (roteiro), Tony Moore (arte), e desenhada por Charles Adlard, a hq é uma publicação mensal produzida pela Image. O protagonista é Rick Grimes, policial que depois de ser baleado, acorda numa cama em um hospital, num mundo infestado por zumbis. Desesperado, ele parte a procura de sua família, que acaba encontrando, morando em um acampamento aos arredores da cidade. Esse é só o começo de uma história muito longa, que não tem data para terminar. Ele acaba se tornando o líder do grupo de sobreviventes, e vão passar por muitos apuros juntos. Em sua busca incansável por abrigo, eles encontram um condomínio, uma prisão, mas sempre acabam com o pé na estrada, sempre procurando um lugar seguro, mas sempre mais alterados pelo mundo selvagem em que vivem agora.
The Walking Dead traz em voga todos os elementos imortalizados por Romero: zumbis lentos e decrépitos – não aqueles rápidos e caratecas; a procura e a importância de se ter um abrigo e de manter um abrigo; os perigos em viajar com um mundo infestado de mortos vivos; estratégias de combate; e principalmente a influência de um mundo destruído, na personalidade das pessoas, a degradação do ser humano, contestações religiosas, fatores que te leva a questionar: Quem são os monstros afinal?
Atualmente, The Walking Dead está na edição de número 73, sem previsão para um final e sem dar respostas – esse é o ponto forte da série, não é criar uma história com início, meio e fim, mas sim criar um mundo invadido pelos mortos vivos, que você pode ficar lendo e relendo e vivendo eternamente um verdadeiro apocalipse Z, sem ter hora para acabar. O “realismo” também é um ponto forte, não é uma história de heróis, é sim uma história onde as pessoas morrem ao menor deslize. Enfim uma verdadeira obra de arte, maravilhosa, instigante, impressionante, extremamente bem desenhada, e com capas realmente magníficas – esse sim merece uma coletânea especial só com o desenho das capas, não aquela chatísse de Sadman, Capas na Areia. Se tiver oportunidade leia, mesmo se não gostar de zumbis, antes de qualquer coisa, é uma história de sobrevivência. Recomendadíssimo!!!
E você o que faria? Sem tv, sem supermercados, sem internet?
“Em um mundo dominado pelos mortos, finalmente somos forçados a viver!”
Roteiro: Robert Kirkman
Arte: Charlie Adlard, Tony Moore
Editora: Image
Nota: * * * * *


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Kick Ass - Quebrando Tudo (Kick Ass, 2010)

Como seria se realmente existisse algum super herói no mundo real? Seria algo como Hancock? E se esse super herói, não tivesse nenhum super poder?Algo como Batman, ou Homem de Ferro? E se ele não fosse multimilionário? Humm, Justiceiro? Capitão Nascimento? Ta... E se ele não tivesse super poder, não fosse milionário, não tivesse nenhum tipo de habilidade especial ou treinamento? Ahaa, esse é o Kick Ass.

É com essa premissa que Mark Millar, escreveu a HQ que virou sucesso de crítica, e agora foi competentemente adaptada para o cinema. Dave (Aaron Johnson) é um nerd típico, e um verdadeiro perdedor, mas quando menos se espera, ele resolve comprar um uniforme – via internet - e pagar uma de super herói no combate ao crime – você até deve se lembrar de uma história similar, mas como o próprio Dave descreve no filme: ...sem a aranha radioativa. O fato é que sobre a alcunha de Kick Ass, Dave se torna o mais novo combatente ao crime da cidade, só que... ele continua sendo um nerd perdedor: vai ser espancado, humilhado, hospitalizado, até que se envolve numa briga e tem o vídeo divulgado no Youtube, o que faz com que fique famoso. Agora Kick Ass é um herói nacionalmente famoso, que podia esperar tudo, menos topar com duas figuras no mínimo excêntricas: Big Daddy (Nicolas Cage) e sua filha Hit Girl (Chloe Moretz) – uma menina de 11 anos, que literalmente retalha seus inimigos – ambos “super heróis”, nada politicamente corretos, e completamente mortais. A partir daí não se tem muito a acrescentar, os 3 são perseguidos pela máfia, e segue-se assim até o desfecho do filme, que contém, muito sangue, cenas de ação, e boas reviravoltas, contendo um final bastante legal, se não for no mínimo épico.

Como todo filme típico de super herói, o roteiro não é ousado, mas pelo menos é competente e se mantém bastante agradável. O que poderia ser considerado um filme clichê qualquer, tem o seu diferencial na história escrita por Millar - um dos melhores roteiristas da atualidade – no qual ele conduz uma boa história em quadrinho, usando fatores que fogem da mesmice: o nerd protagonista sem nenhum tipo de poder, um cenário bastante real, e a Hit Girl, que é a encarnação de toda a violência retratada na HQ.

Enfim, Kick Ass pode até não ser o melhor filme de ação do ano, mas é um filme bastante bem adaptado, com um roteiro agradável, final carismático, e ação desenfreada com um pingo de humor negro. Na minha humilde opinião, acertou como um dos melhores filmes do ano!

Direção: Matthew Vaughn

Roteiro: Jane Goldman, Matthew Vaughn, Mark Millar, John S. Romita Jr.

Duração: 117min

Distribuidora: Universal Pictures do Brasil

Nota: * * * *

sábado, 12 de junho de 2010

Mandando Bala (Shoot 'Em Up, 2007)

Se você coloca num filme: Um carinha fodão que usa sobretudo preto e odeia pessoas que não dão seta; um inimigo gordinho, que usa óculos e é ligeiramente sádico; uma prostituta bem gostosa; muito humor e sarcasmo; trilha sonora heavy metal; tiroteio desenfreado do início ao fim; e cenouras – sem piadinhas capciosas, heim? – o que você tem? Um filme debochado? Talvez, mas um filme debochado muito bom!

Smith (Clive Owen) está sentado comendo sua cenoura tranquilamente, quando uma mulher grávida passa fugindo de uns perseguidores do mal. Smith não vê outra alternativa a não ser ajudar a pobre mulher, que acaba levando um tiro na cabeça. Em meio a um alucinante tiroteio, Smith foge levando a criança... a partir desse momento ele fará parte de uma perseguição sem limites! Hertz (Paul Giamatti) é um assassino contratado para matar a criança e fará de tudo para consegui-lo inclusive matar quem estiver no caminho. Dona Quintano (Mônica Bellucci) é uma prostituta que acaba se tornando a mãe adotiva. Não tem muito mais a comentar, o resto é tiroteio até o final, com cenas absurdamente mentirosas, mas altamente empolgantes e engraçadas – ahh, e o bebê curte heavy metal!

Mandando Bala não é um filme pretensioso, que vai encher os olhos dos críticos, mas tem um humor escrachado e cenas de ação muito boas, e acabou sendo um sucesso maior que o esperado. O filme bebe das fontes das HQ’s, e tem sim o seu charme, muito melhor do que muito filme de ação por aí – Velozes e Furiosos que o diga.

Se você não gosta desse tipo de filme, é melhor nem tentar assistir, pois ele não mudará sua opinião a respeito, mas se você é daqueles que gosta de fugir da realidade um pouco, e descansar na sua poltrona para ver um filme bem descolado, Mandando Bala é uma excelente pedida!

Direção: Michael Davis

Roteiro: Michael Davis

Duração: 86min

Distribuidora: Playarte

Nota: * * * * *

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Terror em Silent Hill (Silent Hill, 2006)


Filmes baseados em jogos geralmente, têm por costume serem um fiasco, seja pela falta de interação – que só um jogo oferece – seja pelo pouco conteúdo original do jogo presente – afastando os fãs – e justamente pela falta desses dois quesitos não agrada também ao grande público. Felizmente, Terror em Silent Hill, é uma das raras obras que ensinam como unir a sétima à décima arte com muita eficiência.
O filme conta a história de Rose (Radha Mitchel) e Christopher ( Sean Bean), pais de Sharon (Jodelle Ferland), uma menina sonâmbula que pronuncia o nome Silent Hill em seus devaneios. Rose descobre que existe uma cidade fantasma riscada do mapa, com o mesmo nome. Rose decide visitar a cidade em busca de respostas, e leva a filha junto. Chegando lá, Sharon desaparece e Rose começa uma busca desesperada pela filha, numa cidade no mínimo diabólica, sem saber que Sharon tem algo em comum com a história funesta da cidade.
Mas nem tudo são flores em Silent Hill, o roteiro não é um primor de qualidade, - que tipo de mãe leva um filho para uma cidade fantasma??? – a argumentação também é um tanto quanto fraca, e o filme oscila: por hora parece querer explicar demais e outras vezes parece meio confuso – principalmente para quem num jogou o game. Mas no fim das contas o filme caminha bem com as próprias pernas.
Alessa
O ponto alto do filme foi a transposição fantástica da cidade de Silent Hill para a telona. O diretor e a equipe de arte conseguiram igualar ao jogo e criar um cenário: medonho, insano, claustrofóbico e doentio. Todas as principais características do jogo foram fielmente utilizadas: A neblina – famosa neblina que tinha como objetivo principal cobrir as falhas gráficas do PS1, e acabou imortalizando o game – está lá, e é explicada como sendo as cinzas, do subterrâneo da cidade que queima eternamente – sinistro; a sirene que toca sempre que a cidade vai se transformar numa manifestação terrena do próprio Inferno, ficaram excelentes no filme; os monstros também ficaram fielmente adaptados, gerando asco, repugnância e medo – Pyramid Head com certeza encheu os olhos dos fãs; e o final que poderia vacilar acaba sendo surpreendentemente maligno e sanguinário – vai agradar fãs e não fãs com certeza... pelo menos os que tiverem estômago!
Enfim , Silent Hill não é o melhor filme de terror da história do cinema, mas é um excelente filme de terror, além de ser talvez a adaptação mais fiel de um jogo de vídeo game. Perfeito? Não sei. Magnífico? Talvez. Competente? Com toda absoluta certeza!!!
Direção: Christophe Gans
Roteiro: Roger Avary
Duração: 127min
Distribuidora: Columbia Pictures, Sony Pictures


terça-feira, 8 de junho de 2010

Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, 2009)


Quentin Tarantino é um capítulo a parte da história do cinema. Aclamado por uns e odiado por outros, Tarantino tem um jeito único de fazer filmes. Altamente influenciado pelo cinema clássico, com uma pitada de humor negro, violência e ironia, ele transforma seus filmes numa verdadeira miscigenagem de nostalgia com modernidade. Bastardos Inglórios senão o seu melhor filme é pelo menos, o mais maduro!
Uma das marcas registradas do roteiro de Tarantino é narrar separadamente vários trechos da história e juntando-os com o desenvolver do enredo – técnica usada primorosamente bem em Cães de Aluguel, e no fantástico Pulp Fiction. E assim começa o filme mostrando como Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), consegue escapar do sádico Coronel Hans Landa (Christoph Waltz), que está na França à caça aos judeus refugiados. Por outro lado o Tenente Aldo Raine (Brad Pitt), organiza um grupo de soldados judeus americanos que tem um único objetivo: matar nazistas. Esse é o eixo central do filme que no desenrolar da trama tem a agente secreta Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger), se unindo a Aldo Raine num plano ousado para matar os líderes do Terceiro Reich. O que ninguém sabe é que Shosanna sob a falsa identidade de Emmanuelle Mimieux traça seu próprio plano de vingança contra os nazistas...
Tarantino impõe sua personalidade ao filme por meio da trilha sonora, jogada de fotografia, texto espetacular, um detalhismo simplesmente impressionante nos diálogos, sem falar na dose - característica de seus filmes – cavalar de violência.
Outro ponto alto do filme foi a escolha do elenco: Tarantino é um mestre na arte de dirigir e exigir uma boa atuação dos atores, assim sendo cada personagem do filme desempenha excelentemente seu papel, – o Hitler ficou muito engraçado – mas o destaque especial vai para: Brad Pitt que interpreta um Aldo Raine sarcástico, com um sotaque americano bastante engraçado, e Christoph Waltz – vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante – que realmente dá um show no papel de Hans Landa, sádico, insensível, cômico e despreocupado, que teve sua atuação comparada à de Heath Ledger – o Coringa de Batman: O Cavaleiro das Trevas – que foi estrondosamente comentada na temporada passada.
O filme se passa numa França ocupada pelos Nazistas, mas não podemos deixar de notar uma série de elementos americanos embutidos no filme: o Sargento Donny Donowitz (Eli Roth) conhecido como “Urso Judeu” mata seus inimigos com um bastão de beisebol; a marca registrada dos “Bastardos” é o escalpelamento, técnica imortalizada pelos apaches norte – americanos. Esses são só os dois principais fatores que deixam evidente o forte patriotismo dos americanos no roteiro.
Em Bastardos Inglórios, Tarantino cria uma história fictícia mas com muita identidade, se tornando uma verdadeiro fábula sobre a segunda guerra. E como é comum em filmes sobre o nazismo, você sempre torcer para algo que você sabe que nunca vai dar certo, assista até o fim... O sadismo de Tarantino vai fazer você vibrar!
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Duração: 153min
Distribuidora: Universal Pictures do Brasil
Nota: * * * *

sábado, 5 de junho de 2010

Dead Snow (Død snø, 2009)


Imagine que você e seus amigos vão passar suas férias de inverno em uma estação de esqui isolada. Imaginou? Agora imagine você e seus amigos isolados numa região dessas infestada por zumbis. Pronto? E que tal você e seus amigos cercados por nazistas assassinos? Foda né. Agora imagine que você e seus amigos vão passar as férias de inverno em uma estação de esqui isolada infestada por zumbis nazistas assassinos... Fail para vocês!
É justamente esse o enredo de Dead Snow: um grupo de adolescentes vão passar as férias numa estação de esqui isolada, e encontram um tesouro escondido no local. Nesse exato momento eles começam a ser perseguidos pelos verdadeiros donos do tesouro: nazistas amaldiçoados, que foram transformados em zumbis e não vão sossegar até reunir todo o tesouro.
Você pode achar que esse é só mais um filme gore qualquer... e realmente ele é, mas é um filme gore com zumbis nazistas. Não tem muito segredo, os monstros saem matando um por um os “ladrões”, e o filme te proporciona cenas no mínimo épicas. Snowmobile com metralhadora giratória; uma foice e martelo sendo usados como arma – o que num deixa de ser uma sátira ao comunismo; a boa e velha serra elétrica fatiando geral; as viceras de um zumbi usadas como corda; e muito, muito sangue. Mas muito sangue mesmo.
Sério, tem muito sangue!
Enfim é isso, não tem muito segredo, mas as cenas épicas, cômicas, nojentas, e os lendários “Zumbis Nazistas, fazem desse filme um filme simplesmente excelente para quem curte o estilo. Não deixe de assistir.
Sério cara, tem muito sangue!
Direção: Tommy Wirkola
Roteiro: Stig Frode Henriksen, Tommy Wirkola
Duração: 90min
Distribuidora: Euforia Film
Nota: * * * * *

Zumbilândia (Zombieland, 2009)


Filmes de zumbis, em geral não são nem de longe o ramo mais lucrativo do cinema, não costumam ser um primor de produção – grandes pérolas desse tema são filmes bastante undergrounds – e quase sempre contam com a mesma linha narrativa: um bando de pessoas tentando sobreviver a qualquer custo. O clima carregado, roteiro inexorável e uma quantidade “singela” de sangue e vísceras, afasta o “grande público”, mas por outro lado arrasta uma verdadeira legião de fãs fiéis ao estilo. Zumbilândia acerta em cheio ao vir na contramão.
Com uma produção digna de um bom filme de ação, Zumbilândia usa do bom humor para conquistar a platéia e se transformar no filme de zumbi mais lucrativo de todos os tempos, conseguindo algo um tanto quanto improvável: um blockbuster zumbi de comédia.
A grande diferença do roteiro de Zumbilândia, para ao roteiros de filmes de zumbis tradicionais é que ao invés de mostrar pessoas desesperadas para sobreviver em meio a um apocalipse Z, ele mostra pessoas na mesma situação mas não tão desesperadas assim, que querem saber mesmo é de se divertir.
Tenha bom preparo físico; atire duas vezes; cuidado nos banheiros; use cinto de segurança, são essas as quatro lições básicas para quem quer sobreviver a uma infestação de zumbis segundo o protagonista Columbus (Jesse Eisenberg), e é com a explicação de cada uma delas – narradas pelo próprio Columbus – seguido de um clipe sanguinolento, de From Whom Bell Tolls do Metallica, que tem início o empolgante Zumbilândia.
Columbus é um adolescente virgem – que na primeira vez que foi comer alguém, quase foi comido pela garota – que fica sozinho no mundo devastado, e assolado pelos seres putrefatos, seu maior desejo é encontrar uma namorada, mas ele não tem mais essa esperança, até que... ele topa com Tallahassee (Woody Harrelson). Não, Tallahassee não é uma garota, pelo contrário, é um cara durão que num tem medo de nada, e agora vive simplesmente pelo prazer de exterminar zumbis. Os dois continuam sua jornada em companhia um do outro, ambos em busca dos seus objetivos – o de Tallahassee, é comer pelo menos mais uma vez da sua rosquinha predileta, que parece ter sido extinta junto com a humanidade – até que topam com mais duas pessoas: Wichita (Emma Stone) e sua irmãzinha Little Rock (Abigail Breslin) – que de indefesas não tem nada.
Zumbilândia é um filme a parte na filmografia dos zumbis, mas não decepciona em momento algum, faz bonito pelo gênero – além de contar com uma participação especial muito engraçada de Bill Murray, impagável – e passa uma aura de otimismo muito agradável de se ver, afinal de contas é como diz o ditado: Ta no inferno? Abraça o capeta ou Ta num apocalipse Z? Abraça o zumbi... melhor não!
Direção: Ruben Fleischer
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick
Duração: 88 min
Distribuidora: Sony Pictures

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O Procurado (Wanted, 2008)



Filmes de ação em geral têm como principal objetivo entreter o público com cenas de ação desenfreadas e ousadas – algumas vezes ignorando a história, ou exibindo roteiros pífios e extremamente clichês – sem se preocupar com a reação dos críticos e cinéfilos de plantão – que são, na grande maioria esmagadora das vezes, um bando de chatos saudosistas. Muitas vezes – ainda mais com o avanço dos efeitos especiais – eles forçam tanto as cenas, que além de impossíveis, chegam a ser cômicas. Mas algumas vezes, eles ultrapassam esse limite criando seqüências tão “viajantes” que elas passam a fazer parte da alma do filme, tornando-se indispensáveis para colocar o público dentro daquele mundo fictício – quem até hoje não se lembra do impacto causado por um jovem de, sobretudo, esquivando de balas, e espancando agentes engomadinhos as centenas? Pois espera para ver a Angelina Jolie fazendo um disparo de 360º...
O Procurado não é um filme de ação revolucionário como Matrix, mas tem lá sua originalidade. Carros que dão saltos mortais, efeitos em slow motion, balas que fazem curvas e se chocam no ar são a grande atração do filme. Mas não pense que se trata de um filme exclusivamente clichê, o roteiro que a principio parece bem simples, acaba surpreendendo e tem lá seu charme, com reviravoltas e muitas cenas e frases de impacto.
Wesley Gibson (James McAvoy) é um perdedor em potencial, do tipo que paga a camisinha que a namorada vai usar para traí-lo, agüenta humilhação no trabalho, sofre de hipocondria, essas coisas. Até que uma gostosíssima Fox (Angelina Jolie) aparece e lhe revela que na verdade ele é filho e herdeiro de um dos maiores assassinos do mundo. Pronto, a vida de Wesley acabou de ser revirada de pernas para o ar. Em busca de descobrir sua verdadeira identidade ele entra para uma irmandade de assassinos, comandada por Sloan (Morgan Freeman) e começa um treinamento para matar o assassino de seu pai. Até aí, todo mundo sabe que Wesley se tornará um cara fodão, a coisa muda quando ele finalmente executa o algoz de seu progenitor, dando uma virada muito interessante no roteiro.
Além de um enredo interessante, o filme ainda conta com algumas divagações existencialistas, e conceitos religiosos – como o tear que define quem deve morrer, agindo como a Mão de Deus – e ainda é narrado em primeira pessoa pelo próprio Wesley Gibson, que conta com muito vigor sua história, desenvolvimento e desfecho – como foi feito em 300.
As seqüências de ação são o grande chamariz do filme que segue num ritmo frenético cheio de tiroteios, explosões, perseguições, mal dando tempo do espectador respirar. Os efeitos especiais são de encher os olhos: se você ficou boquiaberto com o tiro de Fox – ou odiou – espere para ver a cena final e desfecho do filme...
Enfim, com toda essa produção, cenas bombásticas, frases de impacto, e roteiro interessante, “O Procurado” se torna um dos melhores filmes de ação lançados ultimamente – vai ser odiado por muitos – e que você deve ter na sua coleção.
Vale lembrar que é baseado em uma HQ, mas não tem muita coisa haver com a obra.

Direção: Timur Bekmambetov

Roteiro: Michael Brandt, Derek Haas, Chris Morgan, Mark Millar, J. G. Jones
Duração: 110min
Distribuidora: Paramount Pictures