segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Tuareg


Uma jornada em nome da honra e da tradição, através das dificuldades e das maravilhas do deserto do Saara.Um dos romancistas mais lidos da Espanha, Alberto Vázquez-Figueroa, utiliza-se de toda sua experiência adquirida no Saara e em suas viagens para escrever um “épico” sobre os Tuaregs, povo seminômade habitante do Saara.
Uso o termo “épico” entre aspas, porque Tuareg não chega a ser um de fato, mas tem muitos elementos que o caracterizariam como. A trama simples não chama a atenção e no fim das contas você pouco se importa com o objetivo do personagem. A própria retratação do povo Tuareg é superficial, com um ou outro costume abordado, por outro lado, porém o processo em busca do objetivo é encantador e o desbravar do Saara é conduzido de forma magistral, prendendo o leitor.
Na trama, o tuareg Gacel Sayad decide dar hospedagem à dois viajantes fugitivos, como regem os costumes de seu povo, porém a honra de Gacel é violada quando seus hóspedes são interceptados por soldados do exército.  Agora a única opção que resta à Gacel é partir numa jornada em nome da honra, com intuito de limpar seu nome desonrado pelos soldados e finalizar sua promessa de hospitalidade.
O que aparenta a princípio ser uma história simples, dá lugar à uma jornada épica através da vida e dos costumes do deserto. A busca pela honra manchada acaba ficando em segundo plano diante da viagem propriamente dita de Gacel, a narrativa de Alberto Vázquez-Figueroa, evoca com maestria a paisagem desértica, assinalando todos os detalhes envolvendo o calor e a rotina cotidiana pela sobrevivência. Tuareg é uma viagem pelas diferentes paisagens do deserto – “mundos mágicos” em comparação com a nossa realidade – pela adaptação ao ambiente hostil, pelo dia a dia dos viajantes, com direito a requintes de aventura – como o encontro com a “caravana perdida”.
Mas não é apenas na aventura que Tuareg é marcante, a jornada de Gacel também é repleta de filosofia e divagações sobre a existência. Eu não sei a que ponto o livro é fiel à cultura dos Tuaregs, mas consegue expor um ponto de vista do povo selvagem com relação aos problemas sociais e globalização, um choque entre duas culturas completamente distintas, desde as divagações sobre os estrangeiros que invadem o deserto sem respeitar as suas “leis” até as conjecturas sobre o que seriam aquelas estrelas ambulantes que cortam o céu toda noite, o livro te leva a encarar a vida sob os olhos de um outro povo.
A principal obra de Alberto Vazquez-Figueroa apesar da premissa simples, consegue pegar na mão do leitor e levá-lo para uma inesquecível viagem pelo deserto, que é por si só um verdadeiro universo para os que nele habitam.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Preacher


O que esperar da adaptação de uma das HQ’s mais pesadas da história dos quadrinhos? Chega ao fim a primeira temporada da adaptação de uma das hq’s mais polêmicas de todos os tempos: Preacher. A obra blasfema de Garth Ennis, considerada por muitos inadaptável, chega com identidade própria, muita coragem, mas também muitas mudanças na televisão.
O enredo da HQ conta a história do pastor Jesse Custer, portador da entidade Gênesis, a qual lhe concede o poder de poder ordenar qualquer coisa a qualquer pessoa e ser atendido. Jesse, sua parceira Tulipa e seu melhor amigo Cassidy, partem juntos em uma jornada pelos EUA com um único objetivo: encontrar e tirar satisfações com Deus, que há muito abandou a humanidade! A trama da série é um pouco diferente e optou por mostrar os acontecimentos anteriores à jornada dos personagens, abordando o tempo em que Jesse ainda era pastor – e acreditava em algo – na cidadezinha de Annville.
Se você estava esperando um material 100% fiel a HQ, pode esperar sentado. A série da AMC é diferente por alguns motivos: primeiro porque quis abordar uma parte diferente da história (que não existe na HQ) justamente como um teste para saber se Preacher e seu conteúdo é aceito pelo público; e também pretende fazer dePreacher algo original, um material próprio que caminhe com as próprias pernas – o mesmo que foi feito com The Walking Dead, outra série derivada de uma HQ, que tem sua própria linha temporal e personagens. Por outro lado, mesmo sendo tão diferente a série carrega consigo a alma do quadrinho: muita ação, sangue, humor negro, blasfêmia e personagens fiéis as origens.
Nessa busca por uma identidade própria a série apresenta muitos altos e baixos: ter que acompanhar o passado de Jesse como pastor ( um passado que pouco importa para a narrativa original) é maçante, cada círculo social da cidade de Annville, que não tem ligação com nenhum personagem interessante é chato e descartável. Para valorizar esses “círculos sociais” personagens que só apareceriam na trama futuramente, foram inseridos como fazendo parte da vida de Jesse. Essa mudança na timeline não estraga a história: o psicótico Odin Quinncannon (Jackie Earle Haley) e o escrachado vampiro Cassidy (Joe Gilgun) roubam a cena com as melhores atuações e momentos; já Jesse (Dominic Cooper) e Tulipa (Ruth Negga) cambaleiam, Jesse, mesmo fiel ao personagem da HQ, irrita com sua dualidade entre ser o mocinho ou o bandido e intercala em cenas de puro tédio à momentos de muita inspiração, enquanto Tulipa ainda não encontrou seu lugar na série, o convívio social não combina com ela, que se mostra perdida por toda temporada. Outros personagens “principais” como a bonitinha Emily (Lucy Griffiths) personagem original da série, não tem função nenhuma na história, mesmo tendo muito tempo de filmagem.
Como já disse, essas liberdades editoriais não estragam a obra como todo, pelo contrário, elas preparamPreacher para se tornar na TV um material original, sem profanar a obra de Garth Ennis. Enquanto alguns personagens ainda precisam se encontrar, Odin deixa de ser um vilão relegado à um pequeno arco, para se tornar possivelmente um dos vilões principais, o Cara de Cu (Ian Colletti) também tem sua história “alterada” para servir de gancho para as próximas temporadas, e intensificar sua relação com Jesse.
 Preacher é um roadie thriller, um western blasfemo, e gastar toda a temporada na cidadezinha de Annville, criando vínculos com os moradores locais quebra o ritmo da obra, mas enquanto alguns episódios capengam, outros são de tirar o fôlego, com muita pancadaria correndo solta – destaque para a briga com os anjos no quarto do motel.
O assunto mais polêmico de Preacher: a blasfêmia! A HQ é uma das obras mais blasfemas da história dos quadrinhos, e muitos momentos extremamente pesados são considerados inadaptáveis para a televisão, masPreacher sem esses momentos não tem graça, como a série se saiu até agora? Realmente o Preacher da TV não leva nenhum momento extremamente pesado para as telas – afinal tais eventos ainda hão de acontecer – mas o pouco que faz dá um gostinho do que pode vir: piadinhas aqui e ali com religião são constantes, e a season finale mostra que os produtores não vão tirar a mão do vespeiro – o episódio ainda conta com uma cena, onde uma onda de desesperança e caos toma os moradores de Annville, que é tão pesada quanto a HQ. Além disso temos a presença do icônico Santos do Assassinos, e quem leu sabe onde isso vai dar…
Agora com o cenário preparado – a série termina onde os produtores prometeram: no início dos quadrinhos, a ultima cena é exatamente a cena inicial da HQ – e com o alto padrão AMC (fotografia, figurinos, efeitos especiais intocáveis e pouca censura), esperamos que Preacher se estabeleça de vez e nos entregue o roadie thriller caótico que todos querem ver, porque as primeiras impressões foram boas!

Título Original: Preacher
Criador: Seth Rogen, Evan Goldberg, Sam Catlin. HQ de Garth Ennis e Steve Dillon
Canal: AMC
Ano: 2016
Episódios: 10

Tempo: 42 – 65 min


terça-feira, 2 de agosto de 2016

A Ultima Guerreira - Resenha



Romance histórico que resgata toda a glória do mito das amazonas. Steven Pressfield está para os gregos assim como Bernard Cornwell está para os vikings. Mesmo não tendo a popularidade de Cornwell, Steven Pressfield é um dos maiores romancistas históricos de nosso tempo, seu clássico Portões de Fogo (que retrata a batalha dos 300 de Esparta) é um clássico muito aclamado entre os fãs do gênero e livro obrigatório em algumas academias militares americanas.
Em A Última Guerreira, a história é contada sob o ponto de vista de dois personagens: do ateniense Dâmon e da amazona Selene. Durante uma jornada em perseguição à Selene, a frota grega vai se relembrando de eventos ocorridos no passado, quando seu rei Teseu alcançou a terra das amazonas e conquistou o coração de sua maior rainha: Antíope. Após tal afronta, o tal kyrte (povo livre) liderados por Eleutera, se erguem numa jornada épica de orgulho e vingança contra os gregos.
Apesar de ser um romance histórico – romances fictícios baseados em acontecimentos históricos – A Última Guerreira é baseado no mito das amazonas, “povo” que não tem um registro histórico esclarecedor mas são associadas a diversas tribos, enquanto na mitologia  são consideradas como um verdadeiro império. Steven Pressfield recria essa mitologia das mulheres guerreiras, usando como plano de fundo a guerra contra Atenas.
A narrativa intercala o ponto de vistas dos dois personagens, “recriando” a história do auge ao declínio das amazonas. Pelo ponto de vista de Selene é retratado o estilo de vida das guerreiras, organização social e política, vestimentas, equipamentos, estratégia, filosofia e religião. Enquanto do ponto de vista de Dâmon, nos é mostrada a relação do “povo civilizado” com o tal kyrte, a jornada épica de Teseu – com menção honrosa a Hércules – e a batalha.
Quem conhece Steven Pressfield sabe o banho de sangue que lhe espera nas páginas do romance. A batalha entre o tal kyrte e Atenas ocupa a maior parte do livro e é descrita fielmente, com muita violência e sem nenhum glamour. Quem já leu Os Portões de Fogo, sabe o autor é mestre em narrar as estratégias e dificuldades da batalha, quando a honra dá lugar ao extinto de sobrevivência e mesmo assim não faltam heróis.
A Última Guerreira é um épico grandioso, um gostinho das obras homéricas que ainda refletem nos dias de hoje. Com personagens marcantes e um enredo tocante, A Última Guerreira faz jus as boas e velhas tragédias gregas!

Título Original: Last Of The Amazons
Autor: Steven Pressfield
Ano: 2002
Páginas: 406


terça-feira, 1 de maio de 2012

Os Vingadores (The Avengers, 2012)

Em 2008 era lançado no cinema O Homem de Ferro, filme do clássico super herói que até então nunca tinha tido chance nas telonas. Como senão bastasse, seria o primeiro filme da Marvel Studios (que até então disponibilizava seus “supers”, para outros estúdios) e ainda trazia em seu âmago uma difícil missão: servir de teste, e prólogo para uma futura adaptação dos Vingadores. O filme foi um sucesso, e ainda foi anunciadas: uma continuação, e filmes solo de Thor, Capitão América, Hulk (um reboot graças ao péssimo longa anterior), do Homem Formiga e anunciado para 2012 finalmente Os Vingadores.
Com exceção do Homem Formiga, que não foi aos cinemas, Thor, Capitão América: O Primeiro Vingador, O Incrível Hulk e Homem de Ferro 2, foram levados a diante, e o resultado foi excelente, mesmo com alguns filmes fracos entre esses, todos contribuíam para dar consistência ao universo Marvel nas telonas, e mais força para a chegada dos Vingadores... Eis que enfim, a espera terminou e Os Vingadores já estão entre nós.
Dirigido pelo desconhecido Joss Whedon (iniciante na direção, mas responsável pelo roteiro de excelentes filmes como: Toy Story, Titan entre outros), Os Vingadores conta como o irmão de Thor, Lóki escapou da justiça de Asgard, e agora conspira com os Chitauri, para roubar o Cubo, e dar inicío a uma invasão alienígena na Terra. Perante a grande ameaça, Nick Fury (Samuel L. Jackson) resolve por em prática o projeto antes vetado pelo governo, a reunião de super heróis, num grupo que ficaria conhecido como: Os Vingadores.
Esse projeto ambicioso, desde o início trazia uma grande preocupação: como colocar na tela, e dividir de maneira sensata a importância de todos esses super heróis? Se para os principais personagens foi necessário um filme próprio, como fazer um filme só com todos juntos sem que ninguém saia menosprezado? O fato é que Joss Whedon, roteirista profissional, e que já tinha roteirizado HQ’s para a Marvel, conhece bem esse ambiente, e consegue de forma magistral dar um lugar decente a todos os personagens.
. Se já era difícil colocar tudo em ordem sem beneficiar demais um único personagem, com fazer o mesmo com os atores? De um lado tinha Robert Downey Jr. já prestigiado ator e de longe melhor personagem de todos com seu icônico Tony Stark, do outro os recém promovidos a heróis: Jeremy Renner (como Gavião Arqueiro) e Mark Ruffalo ( terceiro intérprete diferente de Hulk nos três últimos filmes). O roteiro fantástico consegue colocar tudo e todos em seu devido lugar.
O filme começa com uma espécie de introdução de seus principais heróis(introdução essa que faltou ao Gavião Arqueiro, que cai de gaiato na super equipe, mas nem mesmo um prólogo de seu passado é mostrado), passando pela sua reunião, e efetiva formação da tão sonhada equipe. Tudo o que todo e qualquer fã de quadrinhos, poderia pedir está presente, desde os desentendimentos básicos, passando pelas tão sonhadas e aguardadas rixas (sim, aquelas brigas entre Thor x Homem de Ferro, Thor x Hulk, estão todas lá), e pelo processo final de formação e manutenção da super equipe. Mas como convencer a trabalhar juntos pelo bem maior, o egocêntrico Tony Stark, o incontrolável Hulk, o deslocado Capitão América e o deus de outro mundo Thor, aí mais uma excelente tacada dos roteiristas, que fazem do Agente Coulston (Clark Gregg) figura presente últimos 3 filmes da Marvel, como a cola que realmente une os heróis em uma super equipe, e uma singela homenagem a todo nerd fã de quadrinhos!
Se a história ficou boa, com todos os embates e discussões presentes, o que realmente importa não ficou esquecido: a ação! Os Vingadores realmente dá um show em questão de efeitos especiais e cenas de batalha. Nesse quesito toda a grandeza das HQ’s foi trazida para a tela, desde a destruição no centro de Manhattan (oO cidadezinha maldita) até o gigantesco aeroporta-aviões da Shield. Nas batalhas tem espaço para todo mundo, para o irônico e brincalhão Homem de Ferro, para o patriótico líder Capitão América, Thor e até para os pequenos: Viúva Negra e Gavião Arqueiro, todos tem seu lugar no espaço, e todos desempenham bem sua função. E com tanto figurão, a pergunta principal dos fãs era: e o Hulk? Como colocar num filme uma criatura tão poderosa e incontrolável que tem muito mais o estigma de problema do que a alcunha de super herói? O fato é que foi tão bem aproveitado, que de longe o Hulk é o melhor (e protagoniza as melhores cenas) de todos os Vingadores. O gigante esmeralda é outro que rouba a cena, completamente diferente de todas suas interpretações (afinal o Hulk é uma criatura tão incontrolável que exige atores diferentes a cada filme para interpretar seu alter ego Bruce Banner) finalmente mostra a que veio, mostra como é o mais poderoso (até certo ponto) personagem da Marvel, e consegue ser também o mais engraçado do filme (destaque para a épica batalha entre Hulk x Loki).
Enfim, Os Vingadores chega como um dos mais esperados filmes do ano (numa lista que ainda tem Batman, Homem Aranha,  O Hobbitt e Prometeus) e já supera todas as expectativas, figurando com talvez o melhor filme de super heróis já lançado, ou pelo menos o mais audacioso de todos. Um fantástico filme de ação, seja para quem é fã das HQ’s ou para quem só conheceu esses personagens a partir do cinema, um filme que deve agradar a todos, e diferente de algumas franquias que só devem fazer sucesso na Sessão da Tarde, que esse seja um filme para ser visto, no Telecine, Cinema Espetacular, Tela Quente... Altamente recomendado!!!



Direção: Joss Whedon
Roteiro: Joss Whedon, Zak Penn 
Duração: 142min
Distribuidora: Marvel Studios






quinta-feira, 16 de junho de 2011

Miniaturas Marvel

     A Panini traz para o Brasil a coleção de miniaturas Marvel! Fabricadas pela Eaglemoss, as figuras são todas esculpidas em chumbo e pintadas a mão! Tanta qualidade assim (ainda mais nessa porra de país) é lógico chega com um preço bem salgado, com cada miniatura custando a média de 40 reais!!!
     O preço salgado ( somado ao lançamento quinzenal) pode afastar os consumidores, mas ainda assim a procura vai ser grande atrás dessas magnificas figuras (nas bancas aqui estão sendo bem procuradas)!
     A pior notícia (depois do preço lógico) é que aqui no Brasil serão lançadas apenas algumas delas, enquanto na europa onde são comercializadas, já passam de 150 exemplares, e existem diversos Packs Especiais! Abaixo a imagem da algumas das miniaturas ( as 15 primeiras serão lançadas pela Panini)!
Magneto, Wolverine, Dr. Octopus, Homem Aranha, Coisa

 Fênix,  Homem de Ferro,  Demolidor,   Tempestade,     Thor
Blade, Surfista Prateado, Duende Verde, Capitão América, Dr. Destino

Shocker, Bishop. Valquíria, Mandarim, Homem Impossível


Dead Pool, Mistério, Jaqueta Amarela, Luke Cage, Super Skrull

Mulher Aranha, Electro, Cable, Dormammu, Raio Negro

Namor , Loki , Mulher Hulk , Mistica , Doutor Estranho


Fera, Elektra, Tocha Humana, Justiçeiro, Gata Negra

Nick Fury, Lagarto, Polaris, Nova, Feitiçeira Escarlate


Capitão Britânia, Motoqueiro Fantasma, Kraven, Mephisto, Ciclope

Anjo, Venon, Homem de Gelo, Caveira Vermelha, Gambit

Ultron, Homem Areia, Senhor Fantástico, Vampira, Pantera Negra

Mulher Invisível, Noturno, Medusa, Punho de Ferro, Lince Negra

Toupeira, Caveleiro da Lua, Deathlocke, Dentes de Sabre, Soldado Invernal

Genis Vell, Emma Frost, Visão, Mercenário, Gavião Arqueiro








Quasar, Prowler, Estrela de Fogo, Missil, Triton







Hulk

sábado, 11 de junho de 2011

Asilo Arkham (Arkham Asylum, 1990)


"- Mas eu não quero me encontrar com gente louca - observou Alice.
- Você não pode evitar isso - replicou o gato.
- Todos nós aqui somos loucos.Eu sou louco,você é louca!.
- Como você sabe que eu sou louca? - indagou Alice.
- Deve ser - disse o gato - Ou não estaria aqui!"
                                                       - Lewis Carroll


Quão tênue é a linha que separa a sanidade da loucura? Como pode um indivíduo afirmar categoricamente que é normal? É com base nessa ideologia que se conceitua Asilo Arkham de Grant Morrison – de Os Invisíveis.
Depois de uma rebelião no Asilo Arkham – manicômio onde estão encarcerados os maiores vilões de Gotham City, eles dominam o local, e comandados pelo Coringa, exigem a presença no local, do maior de todos os loucos: Batman.


“Assim que nascemos, choramos por nos vermos neste imenso palco de loucos!”
                                                               - William Shakespeare


A narrativa de Grant Morrison se baseia no passado de Amadeus Arkham – fundador do Asilo Arkham e também um “ex-interno” – na perspectiva de Coringa e do próprio Batman. Juntando a visão desses personagens sobre a sociedade, intercaladas pela participação de outros icônicos inimigos do morcego – com direito a uma participação excelente de Duas-Caras – Asilo Arkham surpreende e passa a ser mais que uma HQ, e se torna uma espécie de ensaio sobre a loucura.
Como se não bastasse a boa narrativa de Morrison, as ilustrações psicodélicas e abstratas de Dave McKean dão o tom sombrio nescessário para a obra. No final da HQ, como um bônus, ainda tem inscrições e citações de alguns dos personagens sobre a forma como eles vêem o mundo.
Vasculhando a mente sombria dos internos, passando pelos métodos de tratamento, pela mente personalidade ímpar do Coringa, e pelas fraquezas e convicções de Batman, Morrison cria uma história fantástica, e profunda onde o próprio leitor irá se perguntar o quão são ele próprio é!

                                                     “Vá se divertir lá fora, no ASILO!”
                                                                                             - Coringa



Roteiro: Grant Morrison
Arte: Dave McKean
Editora: DC


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Baltimore e o Vampiro (Baltimore, 2007)


A mente criadora de Hellboy e suas fantásticas aventuras, se une a Christopher Golden renomado escritor de fantasia americano, para juntos criarem Baltimore, uma história de terror clássico, que segue as boas fórmulas do gênero, foge de clichês, mas não empolga como deveria.
A narrativa começa com Baltimore e seu pelotão em plena Segunda Guerra Mundial na batalha contra os Hessianos. Numa manobra arrojada e mal planejada, eles acabam caindo numa emboscada onde são arrasados. Baltimore o único sobrevivente, está caído no campo de batalha quase morto, quando vê estranhas criaturas aladas se alimentando do que restou de seu pelotão. Baltimore acaba atacando essa criatura e ferindo-a, mas o carniceiro revela ser mais do que parece e jura vingança contra Baltimore e sua raça.
A partir daí os holofotes, saem de Baltimore e passam para: Demetrius Aischros, Lemuel Rose e Thomas Childress, três cavalheiros que recebem um convite de Baltimore para comparecer em um determinado local e esperarem por ele. Enquanto se conhecem cada um conta como e onde conheceu Baltimore, e quais experiências sobrenaturais vivenciaram para levar a acreditarem nessa história.
A narrativa é bem detalhada e fluente, e consegue transportar o leitor com facilidade para “dentro” das páginas, e passar com muita competência o clima de destruição e doença da época da Guerra, cenários góticos, lúgubres, e pestilência por todo o local. Por outro lado o ritmo do livro não empolga, e não consegue fazer com que o leitor passe muito tempo “dentro” do livro.
O livro lembra um livro de contos, mas o mais interessante é a composição dele. Intercalando cada capítulo, ele traz uma passagem do conto O Soldadinho de Chumbo de Hans Christian Andersen, trechos que servem de referencia para a própria jornada de Baltimore, que acaba tendo o mesmo destino do soldadinho, como se fosse uma versão distorcida da história.
Eu não sei qual função teve Christopher Golden – embora tenho quase certeza que foi ele quem escreveu a narrativa – mas para quem é fã de Hellboy fica evidente a presença de Mignola, seja pelas ilustrações sombrias e envolventes, como pela imaginação, afinal durante as narrativas de Aischros, Rose e Childress, eles contam as situações sobrenaturais que já tiveram. Para quem leu Hellboy sabe que Mignola adora transformar lendas e mitos em verdadeiros contos de terror, e a história do Urso, da cidade das marionetes e do El Cuero (uma das mais bizarras criaturas criadas por Mignola) não deixam a desejar.
Tirando o ritmo arrastado o livro é excelente, e lembra em muito a obra de Bram Stoker, seja a narrativa intercalada ( que no caso de Drácula, era feita através de diários) seja pelo aspecto comportamental dos vampiros (que se assemelha a visão de Stoker, e não tem nada de encantadora dos “vampiros atuais”) e ainda conta com uma batalha final (coisa que não tinha em  Drácula, que era também muito “arrastado”). Pode não entrar para a história, mas é um horror clássico de muito bom gosto! Recomendado!


Escritor: Mike Mignola / Christopher Golden